Halex bodejando: RAAAAWWWWWR! [atualizado]

Banner grande do Back to the Mac

O evento “Back to the Mac”, como toda Stevenote, trouxe muitas novidades interessantes: uma suíte iLife com três aplicativos atualizados (ela tem cinco, mas acho que dois foram abandonados, pra todos os efeitos), algumas novidades do próximo Mac OS X e MacBooks Air que dão um novo significado ao termo “flash” em tecnologia.

Banner grande do Back to the Mac

Honestamente, eu acho que o iLife sempre foi meio “meh”. A coisa mais interessante da versão lançada na quarta-feira deve ser o fato de ela antecipar algumas características visuais do Mac OS X 10.7 Lion, então eu prefiro pular direto para as partes mais suculentas.

O bom filho ao Mac torna

Banner do Mac OS X Lion

É muito interessante que o Lion traga novidades do iOS ao Mac OS X, pelo simples fato de o sistema operacional móvel da Apple ser fantástico. Não precisar mais salvar arquivos? Isso é mágico! Não ter mais que ver barras de rolagem reluzentes disputando minha atenção com o conteúdo das janelas? Hallelujah! Não quero nem pensar nas inovações técnicas para tornar o Lion mais leve e ágil que o Snow Leopard, pra eu não sofrer um choque com o futuro.

As inovações funcionais, porém, parecem interessantes: o Launchpad, imitando a filosofia da Home Screen do iOS, é promissor (só não fui com a cara das pastas), e o Mission Control vai ser uma quebra e tanto para quem é louco pelo trio Exposé, Spaces e Dashboard. De certa forma, os três continuam lá, mas deixam de existir como eram. Devo confessar que não gostei nem um pouco, pois eu sou um grande fã do formato atual dos três (na verdade, eu preferia mesmo era o Exposé “desorganizado” do Leopard), mas acho que vai ser o jeito me acostumar com a ideia de perdê-los.

Mac App Store rodando num MacBook Air

A Mac App Store foi o ponto mais enaltecido por Steve Jobs (a ponto de ela aparecer já no Snow Leopard, no ano que vem), mas acabou sendo uma espécie de pomo da discórdia com o resto do mundo. Essencialmente, eu vejo três tipos de postura:

  1. “Oba!”, de quem vê uma forma de expandir o sucesso e a facilidade da App Store;
  2. “Oba…”, de quem também acha a iniciativa boa, mas espera que ela não seja a única porta de entrada para aplicativos no Mac OS X;
  3. e #mimimi, de desenvolvedores cujos aplicativos nunca vão poder entrar na loja (pelo menos com as regras atuais).

Minha reação foi a nº 2: se a Mac App Store vai ser uma ferramenta de compra/instalação/atualização de aplicativos fácil e segura para os usuários, e inclusora para os desenvolvedores independentes, não vejo absolutamente nenhum problema nela.

Claro, quem já tem um nome grande no mercado de software ficou todo mordido e se comporta como se a loja da Apple fosse se tornar imediatamente a única porta de entrada para aplicativos no Mac. Pode até ser que isso aconteça para muitos usuários que não querem ficar espalhando suas informações pessoais em dezenas de lugares diferentes (eu, particularmente, ODEIO ter que dar o número do meu cartão de crédito sempre que quero comprar software, tanto que quase sempre acabo nem comprando — nem usando, se não tiver uma versão gratuita), mas acredito plenamente que vai demorar pelo menos uns cinco anos* antes de a Apple fechar o Mac OS X dessa forma.

Percebi também que há um certo clima de medo no ar. Desenvolvedores que criam aplicativos incompatíveis com a nova loja da Maçã estão incomodados, pois meio que sabem que ela vai ser um sucesso e que muitos usuários vão ficar pedindo para eles irem pra Mac App Store. Ou então que ninguém mais vai procurar por aplicativos fora da loja da Apple. Será que há mesmo motivo para pânico e farpas?

Trackpad do novo MacBook Air

Agora, a parte mais chata de todas: multi-touch. Seu MacBook tem um trackpad com esse recurso? Não? Então faça como eu: comece a juntar dinheiro pra comprar um novo. Se o Lion vai fazer uso pesado de gestos com vários dedos, então ou a experiência de uso vai ficar prejudicada sem multi-touch, ou a Apple vai cortar a compatibilidade. Ah, e nem espere uma performance muito boa de um Mac sem placa gráfica decente… Estou só preparando você pro pior.

* A não ser, é claro, que a Mac App Store seja um sucesso estrondoso no primeiro ano e um vírus mortal para o OS X seja criado: nesse cenário, certamente a Apple fecharia as portas para software não autorizado em seus computadores — só que, se isso realmente acontecer, a política de aprovação da loja vai ser a menor das nossas preocupações.

Pequenos notáveis

Novos MacBooks Air de lado

As grandes estrelas do evento com certeza foram os MacBooks Air, e não é à toa: como eu disse no começo do post, o iLife é “meh”; o Lion está tosco demais pra ser impressionante de verdade; os novos notebooks ultrafinos, porém, não só já estão à venda, como são máquinas tentadoras. O rugido do título, por sinal, foi deles.

Uma máquina que suporta 46 abas no Safari, 21 no Chrome e mais 16 aplicativos abertos ao mesmo tempo sem a Spinning Beachball of Doom® só pode ser mágica! Essa é a performance do MacBook Air de 11 polegadas, com Intel Core 2 Duo de 1,4GHz e 2GB de RAM. Como conseguiram isso, pelamordeDeus?? O “Mito dos Megahertz” nunca foi tão bem defenestrado por um computador, e é capaz de nascer um “Mito dos Gigabytes”, depois dessa. Daí, eu quero dar meu pitaco sobre uma discussão que rodou o mundo: o pequeno Air é um netbook? Digo que sim, mas acho que vai ser complicado arrancar uma performance dessas de qualquer outro netbook no mercado…

Claro, com um poder desses por US$1.000, a moda agora é dizer que a Apple vai matar o MacBook branco. Hmmm… não vai acontecer. Mas é bem capaz de ele ganhar um irmão de 11 polegadas e SSD (sem SuperDrive), por US$800, e vou mostrar por que isso é possível.

MacBook Air
A próxima geração de MacBooks

Mesmo sendo produtos fantásticos per se, o melhor dos MacBooks Air novos ainda está por vir: a promessa que eles encerram de estender suas inovações para o resto da linha. Foi assim com o corpo unibody, na primeira geração. Foi assim com o trackpad multi-touch (uma versão light, bem verdade). Foi assim com as baterias seladas de alta eficiência. Muito provavelmente vai ser assim com SSD e ausência de drive óptico.

Mas vamos com calma: o SSD que a Apple usa não é um dispositivo qualquer. Ele não é como os drives de estado sólido que você encontra no mercado: ele é customizado para ocupar o mínimo de espaço e prover uma boa performance. Pense por um instante: um drive que ocupa bem menos espaço que o padrão da indústria…

SSD dos novos MacBooks Air - iFixit

Não demora e talvez vejamos MacBooks Pro mais leves e finos com um SSD de 64GB pro sistema e aplicativos, e um HDD de 500GB para arquivos: inicialização superveloz, sem perder o espaço para fotos, músicas e vídeos. SuperDrive? Externo opcional (você daria US$80 por algo que vai usar umas três vezes por ano?), ou parasitado de um desktop.

SuperDrive externo do MacBook Air

Talvez isso ajude até a diferenciar os modelos da linha: 13 polegadas, só com SSD, quase como um Air parrudo; 15 polegadas, com SSD e HDD; 17 polegadas, o único ainda com drive óptico interno (daí ele faria jus à expressão “desktop replacement”). Os MacBooks brancos ganhariam essas novidades depois, culminando com o modelo branco de 11 polegadas, por US$800 — aí o market share da Maçã explodiria nos Estados Unidos.

E os desktops, iMac e Mac Pro? Esses continuariam com drive óptico, exatamente como são hoje, mas é bem provável que os SSDs cheguem com força total, para tornar o Lion o sistema operacional de desktop com a inicialização mais rápida da história. Talvez o Mac OS X 10.7 esteja sendo otimizado agora mesmo pra rodar maravilhosamente bem em SSDs, se é que isso é possível. Daí, inicialização a partir de drives de estado sólido vai ser um padrão em Macs e, simples assim, os outros PCs ficam com alguns anos de defasagem — pra desespero de Microsoft, Dell, HP & cia.

Da mesma forma que o Lion vai trazer pro Mac OS X o que há de melhor no iOS, os novos MacBooks Air vão trazer pro hardware da Maçã o que há de melhor no trio iPad, iPhone e iPod touch. E eu, que achava que meu próximo “Mac ideal” seria um MacBook Pro, começo a pensar que um Air de 13 polegadas será mais que suficiente — isso só porque eu realmente não abro mão de nenhum espaço vertical na tela, ou eu iria de 11 polegadas, mesmo.

One more thing… [Atualizado] Veja a imagem abaixo, de um MacBook Air de 11 polegadas do Ars Technica, e me diga se alguém na Apple lembrou de testar a compatibilidade desses notebooks com os Cinema Displays.

MacBook Air ligado a Cinema Display

Várias pessoas apontaram nos comentários (obrigado, pessoal!) e pelo visto usar a porta USB que fica ao lado da Mini DisplayPort é a maneira correta de usar os MacBooks Air com o monitor externo da Maçã. O cabo “hidra” dos Cinema Displays tem um ponto de ramificação que se acomoda relativamente bem se o MagSafe ficar sozinho de um lado e os outros dois conectores ficarem do outro.

MacBook Air conectado corretamente a Cinema Display

Que #epicFAIL do Ars. E que sirva de lição pro pessoal da Apple: se até pessoas que vivem de usar os produtos dela fazem uma barbeiragem dessas, que dirá usuários comuns. Melhor divulgarem mais imagens como a acima, retirada do vídeo de apresentação do Air. 😛

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