Tabloide dinamarquês dá chilique por causa da proibição de garotas sem roupa na App Store

Digamos que você é dono de um tabloide em cuja nona página religiosamente sempre se publica a foto de uma moça com pouca ou nenhuma roupa. Nada de mais ou de escandaloso, apenas uma garota sexy nua — só uma por edição. Levar seu tabloide na íntegra pra App Store é uma boa ideia? Ao menos faz sentido?

Não. Gostemos ou não, nesse ponto são claras as regras às quais todos os desenvolvedores se submetem ao assinar, por livre e espontânea vontade, um contrato com a Apple: toda nudez será rejeitada. Dito contrato é unilateral, pois os desenvolvedores não podem estipular condições, então podemos dizer que é um “contrato de adesão”, mas ainda assim ninguém os força a fazer nada: concorda quem quer.

Só que o dinamarquês Ekstra Bladet está em guerra contra a Maçã, acusando-a de só usar essas regras contra publicações pequenas. Num editorial inflamado, reclamam que uma empresa privada está passando por cima da lei dinamarquesa, que esse é o começo do fim da liberdade e que nossas vidas estão sendo controladas por Steve Jobs. A imagem ao lado, por sinal, ilustra outro texto de protesto e até pin-ups com imagens de homens em certos apps são “provas” de que a Apple está sendo desleal com a publicação dinamarquesa.

Bitch please. Desde quando a App Store é um serviço de utilidade pública? Desde quando a Apple é obrigada a vender o que quer que seja? Enquanto um governo não declarar que os termos e condições dela são ilegais ou que ela deve ser regulada de forma especial por ser fantástica demais, ela funciona como qualquer outra loja: só vende os produtos que quiser vender, e ela não quer vender uma revista com mulheres nuas (nem que seja apenas uma, em uma página por edição). Não perca: em breve, relatos de uma loja de artigos bíblicos famosa que se recusou a vender vibradores e sex toys baseados em Adão e Eva. Oh, a humanidade! Oh, a opressão!

Quantos aos “double standards” de que acusam a Apple, até onde entendi pode ter havido uma pequena confusão cultural com os liberais padrões dinamarqueses. Mulheres de biquíni na App Store? Entram, mesmo as com seios enormes. Homens sem camisa? Também, mesmo os direcionados ao público gay. Mulheres praticando topless, porém, já passam do ponto de corte. Difícil de entender?

As soluções para o Ekstra Bladet são várias, além do #mimimi. Crie um site, vá pro Android, publique seu app com a moça vestida e um link para a versão picante na web (hmm… será que pode?), faça qualquer outra coisa que quiser. O mundo é livre e existe além da Apple! A App Store não é a única forma de fazer sucesso — mas, apesar de todos os haters, o mundo se comporta como se ela fosse não apenas a melhor loja de conteúdo da atualidade, mas algo tão irremediavelmente único e épico que deveria ser tombado pela UNESCO como patrimônio da humanidade.

Os direitos são de mão dupla: a Ekstra Bladet tem o direito de mostrar mulheres peladas pros seus clientes; a Apple tem o direito de não mostrar pros dela. Simples assim. No caso de se provar que há a prática de “dois pesos e duas medidas” com diferentes publicações e que uma Superbabe do The Sun aparece nua no app do tabloide inglês enquanto uma Side 9 Pigen do Ekstra Bladet é vetada, aí, sim, podemos conversar sobre tirar a Superbabe ou tornar o uso de roupas na App Store opcional.

[via Fortune Tech]

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