Halex bodejando: sobre criar expectativas em vão

Nova família de MacBooks Pro

Você viu que os MacBooks Pro receberam uma atualização? (Responda “não” e eu vou perguntar em que tipo de caverna você mora.) Pois é, a Apple conseguiu enfiar poderes cósmicos de um Mac Pro relativamente recente dentro de um notebook — ou, o que é tão impressionante quanto, conseguiu fazer a geração passada de 17″ encolher pra 13″. Só que muita gente (este que vos escreve, inclusive) ficou meio decepcionada. “Performance astronômica? Meh.

Nova família de MacBooks Pro

Por que isso? Será que a culpada é, de novo, a indústria dos rumores? Será que fomos influenciados para esperar demais e, mesmo sendo premiados com máquinas incríveis (e, incrivelmente, com o mesmo preço de antes), estamos reagindo de forma cínica diante de maravilhas? E cadê a tecnologia Magic Nutella?

Eu diria que, desta vez, a culpada é a Apple. Ela mesma criou expectativas nos consumidores e, infelizmente, fez com que esperássemos algo que ela não estava preparada para suprir. Em vez de nos dar o que queríamos, ela preferiu nos empurrar a Thundebolt — boa sorte, conectando seu HDD externo nela! Mas calma: como diria Jack, vamos por partes.

A próxima geração de MacBooks

Essa frase é a maior culpada por tudo: ao lançar os novos MacBooks Air, ninguém menos que a Apple disse, com todas as letras, que os planos dela eram levar as inovações presentes nos notebooks ultrafinos para tudo entre o céu e a terra com o nome “MacBook”. MacBook Pro, alguém?

MacBook Air
A próxima geração de MacBooks

Daí, em vez de pontuações exorbitantes no Geekbench, as pessoas esperavam algo como inicialização em menos de um minuto, instant sleep, abertura quase instantânea de aplicativos, carcaças menores, notebooks mais finos e, acima de tudo, SuperDrive opcional. Sério: olhe pra um Air e olhe pra um Pro. É como colocar uma bailarina do lado de um lutador de sumô e, se você ligar os dois ao mesmo tempo, advinha qual vai estar pronto pro uso primeiro. Isso é horrível de pensar!

Claro, um MacBook Air não renderiza vídeo em alta definição nem edita imagens profissionais no Aperture com a mesma agilidade que uma máquina com processador Core i5 — muito menos roda World of Warcraft com os benefícios de uma ATI Radeon. Só que, cá entre nós, não era pedir demais que a Apple chutasse logo o SuperDrive pelo menos nos dois modelos menores para dar lugar a algo mais útil, como um HDD extra, uma GPU de verdade pro modelo de 13″ ou (definitivamente a melhor adição possível) mais espaço para uma bateria maior. Isso certamente evitaria o mico de a autonomia “cair” de 10 para 7 horas.

SuperDrive externo do MacBook Air

Ou, o que também seria interessante, o fim do drive óptico interno tornaria essas máquinas mais leves. Não é porque um computador é potente que ele precisa ser pesado — e, mesmo não devendo nada em termos de massa ou medidas a quase todos os PCs por aí, a Apple já criou expectativas nos clientes dela para, por enquanto, deixá-los com um SuperDrive que vai ser usado umas cinco vezes durante a vida inteira da máquina.

Only Intel Inside

A Intel pode prometer o quanto quiser, mas quem já teve uma máquina com GPU integrada assinada pela Chipzilla deve ter dois pés atrás com o fato de o MacBook Pro de 13″ não ter nada além do que vem no chipset padrão. Nada de NVIDIA, muito menos uma GPU dedicada da ATI. Isso dá medo.

Intel Sandy Bridge

Pode ser um medo irracional, mas gato escaldado tem medo de água fria: ao ler que “Com Turbo Boost, chegando a velocidades de até 3,4GHz, esses processadores permitem que o MacBook Pro de 13 polegadas tenha um desempenho até duas vezes superior comparado a sua geração anterior”, eu só consigo entender “se quiser performance, queime a 3,4GHz”. Isso dá muito medo.

Se não fosse o SuperDrive, talvez houvesse espaço para uma GPU de verdade no modelo de 13″. O que você prefere: comprar um drive óptico externo (ou parasitar o de um desktop) e ter desempenho gráfico o tempo todo, ou ter um drive óptico o tempo todo e não ter desempenho gráfico nunca? Isso não dá medo, isso dá raiva. 🙁

Thunder… Thunder… THUNDERBOLT! HOOO!!!

Sim, a tecnologia Light Peak, materializada na forma da porta Thunderbolt, é ótima, mas de que vale poder transferir dados a 10Gbps se não há nada com o que fazer isso? É como ser a única pessoa do mundo com um iPhone 4 e querer usar o FaceTime: grandes coisas. A tecnologia parece ter futuro, mas agora ela é virtualmente inútil.

Logo - Thunderbolt

Só que uma decisão da Apple que foi muito inteligente foi integrar esse padrão à Mini DisplayPort: não é preciso desperdiçar espaço (FireWire 800, tô olhando pra você) e, se tudo der certo, fabricantes de PC vão acabar se vendo “forçados” a suportar por tabela o padrão de conexão de monitores que a Apple escolheu. Pouco a perder, muito a ganhar. Genial!

Porta Thunderbolt no MacBook Pro

Isso sem pôr na mesa a possibilidade de iPad 2, iPhone 5/nano e iPods 2011 serem compatíveis com a Thunderbolt. Pense assim: o dock de 30 pinos é… alguma coisa, mas pelo menos a ele não falta versatilidade. Seria impossível criar um cabo com 30 pinos numa ponta e Thunderbolt na outra? Acho que não. Se os gadgets da Apple puderem contar com um acessório que transfere 32GB de músicas, dados e apps em menos de cinco minutos e recarrega a bateria mais rápido que a USB, acho que vai rolar uma certa pressão para a Thunderbolt ser adotada.

Enfim, são possibilidades interessantes, mas elas ressaltam que esse padrão novo é apenas uma aposta no futuro. Comprar um MacBook Pro por causa dele hoje é o mesmo que investir num terreno localizado na periferia da periferia de uma cidade do interior: pode ser que a região cresça, pode ser que ela vire um lixão. O tempo dirá.

FaceTime HD

Piadinha com o FaceTime HD
Alta definição nem sempre valoriza a pele das pessoas.

Compre maquiagem especial para alta definição: você vai assustar seus amigos e parentes ao aparecer com os poros abertos. Por outro lado, pense na economia de US$1 que você vai fazer, por não precisar comprar este aplicativo separadamente!

E, para esclarecer, eu nunca testei o FaceTime HD: estou apenas supondo que ele pode vir a sofrer das mesmas agruras que a TV digital de alta definição em seus primórdios. Acredito que a câmera FaceTime dos MacBooks Pro é a mesma dos iPods touch de quarta geração, então teoricamente é possível ver se ela vai valorizar sua pele ou revelar o fato de que você precisa desesperadamente de base.

E aí, compro ou não?

Cada pessoa sabe onde o sapato aperta. Se você não se incomoda com o SuperDrive e precisa da força bruta de um Core i5/i7, os novos MacBooks Pro são uma ótima pedida — e bota “ótima” nisso: eu já disse que eles têm o poder de um Mac Pro? Contudo, eu não me arriscaria com o modelo de 13″, pelo menos não até ver a performance dele na vida real, com a GPU integrada da Intel mostrando a que veio; como eu disse, sou gato escaldado com as soluções gráficas da Chipzilla.

Mockup de MacBook Pro feito de Liquidmetal

Se você puder esperar, pode acabar tendo uma surpresa muito agradável: eventualmente a Apple vai cumprir a promessa que fez e expandirá as inovações do MacBook Air para as demais linhas. Isso pode acontecer no meio do ano, com a chegada do Lion, ou apenas em 2012 (o que é mais provável). Quando os Pros mudarem, porém, seu remorso vai ser muito grande, então é interessante avaliar se a força bruta destas máquinas é motivo o bastante para ficar alguns anos amarrado a elas. Se você puder trocar de MacBook Pro todo ano, aí a coisa muda, claro (e se quiser me dar um Air de presente, eu aceito, playboy).

A vida é mais que números: um computador portátil precisa, além de fazer o trabalho a que se propõe, oferecer uma experiência de uso satisfatória. Usar um MacBook Air é como estar num filme de ficção científica, olhando pro futuro, sem falar que ele pesa quase nada e tem uma autonomia assombrosa; os MacBooks Pro novos, por mais rápidos e brutalmente poderosos que sejam, ainda têm um gostinho de passado que literalmente pesa nos braços.

Mas a escolha é sua: se quiser apostar nesta geração de Pros, pelo menos faça o SuperDrive valer a pena e ponha um disco óptico nele todo santo dia, seja em casa, no trabalho, na rua, no táxi ou no banheiro, pois ele vai estar grudado no seu computador o tempo todo. Acho que deu pra sentir o quanto eu não sinto amor pelo SuperDrive, né? 😛

And that, as they say, is that.

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