Dica de leitura: a Apple e seus updates de hardware cada vez menos constantes e significativos

Auditório de keynote da Apple

Muito se tem discutido nos últimos dias o “adiamento” do iPhone 5. Ora, o produto nem existe ainda, como que ele pode ter sido adiado? Na teoria, a Apple pode escolher nunca lançá-lo e, embora tenha apresentado novos modelos do seu smartphone anualmente, ela tem todo o direito de quebrar essa “tradição” — algo que seria até benéfico para ela, comercialmente falando.

No final das contas, embora a notícia sobre o iPhone 5 tenha pegado alguns de surpresa, ela até faz muito sentido. Ora, por que a Apple lançaria uma versão CDMA do iPhone 4, sabendo que ela teria que ser substituída e/ou ficaria defasada 4-5 meses depois? Pior ainda: por que a Apple continua prometendo a chegada da versão branca do iPhone 4, se ele seria atualizado logo depois? Outro aspecto a se considerar: junho ainda é muito cedo para um iPhone 5 já vir com suporte à tecnologia LTE (4G), mas um lançamento no final do ano ou começo de 2012 torna isso muito mais plausível.

Não é à toa que a WWDC 2011 será focada em software — não só no iOS, mas também no Mac OS X. Isso é o que mais está pesando para a Apple hoje em dia, na opinião do desenvolvedor Marco Arment — criador do superpopular aplicativo Instapaper.

Auditório de keynote da Apple

Nos últimos anos tem sido cada vez mais raro vermos grandes eventos com keynotes de Steve Jobs & cia. trazerem anúncios de Macs, salvo quando eles trazem mudanças drásticas no design exterior ou outras novidades significativas, como uma revolução em processadores, bateria e afins. Isso porque não cabe um evento para simplesmente atualizar um produto que conhecemos com uma CPU melhorzinha, placa gráfica mais moderna e RAM/disco rígido extras. O site da Apple já é popular o suficiente para tal, e a mídia/blogosfera faz o resto.

Como todos sabemos, os iPods também estão perdendo mercado aos poucos — com exceção do iPod touch, que nada mais é do que um iPhone sem a parte do telefone. Mesmo que a Apple ainda traga revoluções nesta área — como foi o caso dos iPods nano de sexta geração, em 2010 —, eles certamente não são mais os produtos mais aguardados e desejados por consumidores. É por isso que muita gente aposta que a Apple pode estar planejando usar esse tradicional grande evento de setembro para trazer novidades também para o iPhone e para o iPad.

Observem que mesmo nos lançamentos bombásticos de iPhones e iPads recentes, a Apple dedicou a maior parte do tempo em suas keynotes para falar de software — desde o sistema operacional em si até os apps que o compõem e aplicativos vendidos separadamente pela App Store. São eles que fazem o grande diferencial da empresa hoje em dia, e eles que têm capacidade de, com o tempo, adicionar novas funções e agregar valor a hardwares já existentes.

Em suas décadas de vida a Apple aprendeu muito e se aprimorou profundamente no desenvolvimento de novos produtos, então quase que podemos dizer que sua linha atual de hardware está perto do que se pode chamar de “perfeição”. Nada é eterno, claro, mas chegamos a um ponto em que é difícil trazer tanta revolução assim para produtos físicos — ao menos num ritmo anual, como todos esperam.

Não é por tudo isso que a Apple deixou ou deixará de ser uma empresa focada em hardware. Foi só o peso que ela dá aos seus softwares — que são os responsáveis por vender os hardwares — que mudou bastante. E isso é excelente para todos nós.

[via Apple 2.0]

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