Carta aberta do MacMagazine e da MAC+ aos Applemaníacos e Applemaníacas brasileiros

Logo da Apple com bandeira do Brasil

por Rafael Fischmann e Sérgio Miranda

Diante dos acontecimentos e de tanto burburinho e “disse-que-me-disse”, da última semana pra cá, nós do MacMagazine e da MAC+ achamos melhor vir a público para colocar, como se diz por aí, “os pingos nos is”. Somados, temos uma experiência de mais de 15 anos acompanhando diariamente a Apple e seus produtos. Construímos uma reputação com um trabalho sério e responsável, trazendo informação constante e de qualidade para uma comunidade de usuários que cresceu bastante nos últimos três anos. Se antes o Macintosh era um produto para poucos, hoje, com a chegada do iPod, do iPhone e do iPad, a realidade é bem diferente. E nós, sites e revista especializados na cobertura da Apple, somos testemunhas oculares desta história.

Logos - MacMagazine e Macmais

Com esse crescimento de usuários e lançamentos cada vez mais bombásticos, a Apple passou a ser notícia interessante para a chamada “grande mídia/imprensa”. Com suas estruturas gigantes, jornais, revistas, rádio e TV passaram a seguir a empresa em todos os seus passos — e, assim, a divulgar qualquer informação que tenha relação com Steve Jobs e seus produtos. Quando dizemos “qualquer informação”, isso também significa qualquer boato/rumor, seja ele verdadeiro ou falso, confundindo o leitor, que se vê bombardeado por todos os lados com informações que nem sempre são verdadeiras. O mundo Apple não seria o mundo Apple se não estivesse sempre recheado de rumores, mas é preciso sempre distinguir uma coisa da outra e deixar isso claro para o leitor. E isso, só a experiência de quem vive Apple todo dia pode fornecer. Mas, então, como duvidar de grandes jornais, revistas e empresas de comunicação de abrangência nacional? Continue lendo e você entenderá…

O UOL Tecnologia publicou na segunda-feira (11/4) uma informação, em primeira mão, indicando uma mudança na razão social da Apple Brasil. Em poucos minutos, ela acabou sendo disseminada por diversos órgãos de imprensa, incluindo estes que vos escrevem. Numa rápida olhada, a notícia tinha aspectos que demonstravam não ser verdadeira (a data de abertura da “empresa” e o fato de a Apple não mais fabricar nenhum dos produtos que vende, terceirizando a tarefa a integradoras, como a Foxconn — mais sobre isso adiante), indicando que colocar o nome “Indústria” não fazia muito sentido. Mas acabamos sendo engolidos pela avalanche gerada pelo UOL e caímos. Ainda bem que tanto o MacMagazine quanto a MAC+ tinham feito a sua lição de casa e pedido confirmação à Apple Brasil, que prontamente respondeu dizendo que a informação era falsa. Rapidamente trouxemos aos nossos leitores a verdade, mas o estrago já estava feito.

Nos dias que se seguiram, uma nova enxurrada de informações desencontradas continuou a ser publicada por diversos veículos da tal “grande imprensa”, sem qualquer confirmação ou respeito pela grande comunidade de Applemaníacos brasileiros, cada vez mais esperançosos de poder ter “uma fábrica da Apple” no Brasil. Hoje, quem ler os principais jornais do Brasil verá manchetes garrafais que o iPad será produzido em nossas terras. Todavia, antes de comprar rojões, champanhe e preparar a festa, caro leitor, vemo-nos na obrigação de colocar nossa paixão de lado e publicar os fatos como eles são:

  1. Dilma Rousseff em reunião com Terry GouA presidente Dilma Rousseff foi à China para tratar de assuntos comerciais. Ela teve uma reunião com o presidente da Hon Hai Precision Industry, Terry Gou. A Foxconn é uma das integradoras (montadoras) e fabricantes de partes de produtos que atende à Apple — a principal, diga-se de passagem. Ela monta e fabrica peças para iPhones, iPads, iPods e diversos Macs.
  2. A Foxconn tem três unidades fabris no Brasil, uma em Manaus (AM), uma em Indaiatuba (SP) e a outra em Jundiaí (SP). São montados aqui diversos produtos para grandes marcas, como HP e Sony.
  3. A Foxconn afirmou em comunicado oficial ter grande interesse em investir mais nas suas unidades no Brasil. O valor do investimento não foi divulgado pela empresa, mas a presidente Dilma afirmou em entrevista coletiva que eles podem ser de US$300 milhões, podendo chegar a surpreendentes US$12 bilhões — isto é, quase R$20 bilhões.
  4. Não existe nenhum comunicado oficial da Foxconn ou da Apple, sua parceira, de que esses investimentos serão usados para a montagem de quaisquer produtos criados pela empresa de Cupertino e hoje montados pela Foxconn em sua unidade de Shenzhen, na China. Portanto, não se pode dizer oficialmente que existirá uma fábrica/montadora de iPads por aqui.
  5. As declarações dadas pelo ministro Aloizio Mercadante e pelo ministro Fernando Pimentel de que haverá, sim, uma “fábrica no Brasil” não têm nenhuma confirmação oficial — nem da Apple, nem da Foxconn. Nenhum dos dois é porta-voz dessas empresas e todos vocês sabem muito bem o quanto a Apple é chata com o “vazamento” de segredos industriais.

Resumindo a história toda, é muito fácil para qualquer veículo gritar “é oficial”, “certo” ou “definido” sem apurar os fatos com calma, simplesmente para atrair leitores e/ou tenta ser o primeiro e mais rápido a dar algum furo bombástico. Uma hora pode ser que isso realmente aconteça, mas por enquanto temos que respirar fundo e manter os pés no chão.

Todo tipo de notícia que envolva Apple e seus produtos revolucionários chama hoje muito a atenção da mídia, pois qualquer chamadinha atrai um grande número de cliques, comentários, RTs no Twitter, “curtis” no Facebook. Isso porque são assuntos que interessam a todos — é notório que o que não falta hoje são repórteres, celebridades e afins usando Macs, iPhones, iPads e iPods.

Quando uma possibilidade dessas chega tão perto de se tornar realidade e trazer tantos benefícios para a Apple e, principalmente, para nós brasileiros, até compreendemos tanta empolgação e entramos na onda — não é à toa que erramos ao republicar informações precipitadas, conforme explicamos acima. Somos, como todos vocês, leitores que nos acompanham, fãs da marca. Mas pela nossa posição, colocamos agora a razão à frente de nossa paixão.

De uma maneira geral, queríamos com esta carta aberta apenas abrir os olhos de vocês e chamar atenção para que não criem expectativas demais e não saiam espalhando por aí notícias inverossímeis e não-confirmadas. Estejam certos de que nós, reais amantes da Apple, estaremos ligados 24 horas por dia, 7 dias por semana, nas novidades da empresa e lhes avisaremos assim que alguma notícia excelente surgir para nós.

Dedos cruzados, pessoal! 😉

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