Mac Society: “Santa incompetência, Batman!”

Steve Jobs como Jedi

Esta semana, graças a alguns exemplos risíveis de extraordinárias furadas incompetências de casos como o da Sony, que em comunicado oficial informa sobre o roubo de TODAS as informações, de TODOS os usuários de TODO o planeta — 77 milhões de contas, o quinto maior vazamento da história! Tá bom, corrigindo: nem eles sabem o que pode ou não ter sido realmente roubado! Ah bom, piorou.

A incrível incompetência de empresas que acham que dá pra fazer um puxadinho num produto global de US$400 ou esconder lixo de código embaixo de um tapete de interface azulzinha. Se não dão especial atenção à embalagem, ao design, ao equipamento, ao software, por que seria diferente em relação à segurança de sua rede? E olha que é um produto muito cobiçado.

Somando quatro anos como usuário de Macs e iPhones, no final do ano passado aproveitei uma viagem ao exterior e comprei um PlayStation 3. Foi quando entendi realmente o que quer dizer “Apple-like”. Depois das primeiras HORAS de atualizações (numa rede de 5Mbps) resolvi enumerar as possíveis melhorias do meu novo trambolho; depois da segunda folha, fui caçar outra coisa pra fazer.

Isso me fez pensar em por que tantas empresas, num dado momento da evolução natural do negócio, se perdem no mar de opiniões e grupos de trabalho, perdem o foco em seus diferenciais, perdem o rumo, perdem definitivamente a capacidade de inovar. Não entendo como uma empresa multibilionária — com recursos suficientes para montar uma base na Lua — pode se contentar em comercializar um produto ou um serviço que não seja sensacional.

Todo empreendedor neste mundo deveria colar na parte de dentro da porta do escritório para os momentos de reflexão: “Se seu produto está vendendo, não quer dizer que seja ótimo.” Basta juntar 20 nerds colaboradores numa sala para projetar um novo produto para sentir uma certeza profunda de que é melhor se jogar da janela.

Steve Jobs como Jedi

Uma história conta que Steve Jobs teria demitido um designer da equipe de desenvolvimento do iMac por ele ter apresentado um protótipo com 1 (um) parafuso visível. Isso, claro, após o próprio “Monstro Visionário” ter exigido redundantemente que não houvesse parafusos visíveis. Ora, cá entre nós, se você não faria o mesmo é melhor repensar seu empreendedorismo. Me acompanhe: ser empreendedor é inovar, é seguir um caminho que outros podem até já ter pensado, mas não tiveram coragem de seguir. Isso exige uma visão imperialista, egocêntrica, sem pudor ou vergonha. Se falarmos em empreendedorismo e coragem, a lista de nomes históricos é enorme. Você facilmente citaria 20 deles. E no mercado não poderia ser diferente. Empresas competentes, assim como revoluções culturais, são normalmente associadas ao imperialismo de seus mentores.

Larry Keeley (da consultoria Dooblin) conta que, em 1997, voltando à presidência da Apple, Jobs recebeu 38 razões pelas quais o novo iMac de 1998 era impraticável. “Ele respondeu: não, não, nós vamos fazer assim mesmo. Por quê? Porque eu sou o CEO da empresa e digo que vai ser assim.” Dito e feito: a venda quase instantânea de 600 mil unidades recolocou a Apple na disputa pelo mercado de computadores pessoais. Não existir um botão de liga/desliga no iPod também foi uma “orientação”, digamos, enfática. Imagine como isso é frustrante para os projetistas. Apenas receber músicas do iTunes e não enviá-las para o computador foi mais uma de suas determinações; na ocasião, isso foi contra 100% dos players do mercado.

“Isso está um lixo” é bastante fácil de você ouvir numa apresentação de projeto, mas igualmente notório é ouvir “Com Steve me empurrando, eu consegui coisas que não teria conseguido sozinho”, como afirmou o engenheiro Jon Rubinstein, ex-vice-presidente de hardware da Apple e um dos líderes do projeto iPod. “Ele gira as pessoas como um pião e faz com que elas vejam o mundo do jeito dele”, afirma Guy Kawasaki, na Apple desde o projeto Macintosh, nos anos 1980. “Jobs pode ser muito hostil ou muito amigável, e ninguém quer ficar do lado errado dessa equação.”

Como diria Anakin Skywalker: “Talvez o grande erro seja tentar fazer uma democracia onde o imperialismo é o que resolve.” Em ambiente corporativo, notadamente em tecnologia, é esse imperialismo que dá rumo e unidade ao trabalho. É uma mente brilhante à frente que conduz, concentra metas e ideais. Se não concorda, simples: venda suas ações. Em empresas realmente competentes, os direitos de acionistas minoritários se resumem a escolher quem vai fazer parte do conselho — que, aliás, não tem esse nome à toa.

Democracia é para nações.

Vale uma lembrança: o iPad foi pensado muito antes do iPhone, mas só foi lançado quando foi considerado sensacional, mágico. Tente imaginar o tamanho da pressão imperialista dentro dos laboratórios de Cupertino. E é isso o que falta na maioria das empresas que querem realmente ganhar o mercado: coragem para fazer o que deve ser feito, sem medo de assumir seu imperialismo necessário. Inabalável frente aos que não concordam, mas com a genialidade sedutora capaz de atrair legiões de escudeiros fiéis. Afinal tenha convicção de que você nunca vai agradar todo mundo, mesmo. Live with that!

  • Sony: trate os clientes do PlayStation como gente grande;
  • Mark Zuckerberg: o Facebook funciona, mas contrate um designer da Apple;
  • Michael Dell: não viu as tablets chegando? Vai trabalhar com entrega de pizzas;
  • Larry e Sergey: Orkut é nome de funcionário, não de rede social.

Deixe sua opinião nos comentários, pois acho que lá veremos exatamente o que esse texto se propõe a provar. Sinceramente, não é a Apple que me faz ser um Applemaníaco, são seus concorrentes.

Shhh, Hooo…. Luke, I am your father!
E tenho dito!

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E não se esqueça: se você tem ou tinha um PS3 e usa os mesmos dados em outros serviços — como a própria iTunes Store, da Apple —, a Sony aconselha a mudar suas senhas imediatamente. Nós também.

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