Sobre ratos e homens: como Steve Jobs teve acesso ao Xerox PARC e o que isso significou para a Apple

Rascunho de Apple Mouse explodido - Douglas Dayton

Essa deve ser uma das lendas mais lendárias da história da computação pessoal: a ideia de que Steve Jobs teria copiado os projetos do Centro de Pesquisas de Palo Alto (PARC) da Xerox para criar a interface revolucionária do Macintosh e o seu periférico mais curioso, o mouse (ou rato, para os portugueses e os carentes de sinônimos).

Rascunho de Apple Mouse explodido - Douglas DaytonMuitas pessoas gostam de recitar essa história como uma prova cabal de que tudo na Apple não passaria de uma farsa, de um embuste, de mera reciclagem de ideias pré-existentes que são apresentadas como algo novo — e o pior, deixando os criadores originais no prejuízo. Só que um artigo escrito por Malcom Gladwell para a The New Yorker [link para o resumo; texto completo protegido por paywall] desmistifica os eventos por trás da ida de El Joboso ao PARC.

Duas coisas importantes passaram sob o radar das pessoas que contaram e recontaram o mito de que o rato do Macintosh seria uma mera cópia do projeto criado pela Xerox: 1. a Apple pagou (e caro!) para ter acesso ao PARC, e 2. qualquer semelhança entre o que Jobs viu e o que foi lançado posteriormente não passa do plano conceitual — na verdade, se a Maçã tivesse copiado o mouse de US$300 da Xerox, as chances são de que a história tivesse sido diferente.

A diferença entre manipulação direta e indireta — entre três botões e um botão, US$300 e US$15, uma bola suportada por rolamentos e uma esfera de giro livre — não é trivial. É essa a diferença entre algo criado para experts, que é o que o Xerox PARC tinha em mente, e algo apropriado para grandes audiências, que é o que a Apple tinha em mente. O PARC estava construindo um computador pessoal. A Apple queria construir um computador popular.

Intitulada “Mito da Criação” (“Creation Myth”), este artigo certamente merece entrar na lista de leitura de todo macmaníaco. Se você tiver acesso a ele, não deixe de conferi-lo: ele está na página 44 da edição desta semana da The New Yorker, disponível nas bancas dos EUA, na web e também na App Store — por um preço. 😛

Não deixe de ver, porém, este slideshow contando um pouquinho da história da criação do primeiro mouse com rascunhos do arquivo de Dean Hovey (um deles, desenhado por Douglas Dayton, mostrado acima).

P.S.: O título deste post faz uma homenagem a Of Mice and Men, de John Steinbeck.

[via Fortune Tech | imagem: Stanford.edu]

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