iTunes Store: combatendo a pirataria com conveniência, desde 2003

iTunes Match

Não lembro quem foi que disse isso, mas tá valendo: “A única coisa que sempre ganha de ‘grátis’ é ‘fácil’.” Foi com esse pensamento que a Apple conseguiu fazer a iTunes Store nascer e florescer em plena era de pirataria musical via Napster. E o mais incrível é que, até hoje, a loja da Maçã continua firme e forte, apesar de as gravadoras fazerem de tudo para ela ficar pior (pense nas faixas de US$1,30).

iTunes Match

Com o iCloud, a Apple pode ter dado mais uma rasteira na pirataria — e uma rasteira tão bem dada, que muita gente com tapa olho e papagaio no ombro vai achar que recebeu um carinho. O sistema é simples: se você tiver sempre comprado suas músicas na iTunes Store, a Apple não vai fazer mais do que a obrigação dela ao liberar acesso a elas na nuvem; se você compra CDs ou usa meios escusos para obter suas faixas, com o iTunes Match é possível ter os mesmos benefícios de quem é cliente fiel da loja da Apple — e isso por módicos US$25 ao ano. Para servir de cereja no topo, todas aquelas suas faixas esquisitas e indisponíveis na iTunes Store são enviadas para os servidores da Apple.

Moeda de duas faces

Olhando por um lado, parece uma furada para quem fez as músicas. Quer dizer que piratas inveterados vão ter acesso aos mesmos benefícios de quem sempre andou na linha? É, parece que sim. Só que, por outro lado, os US$25 por ano que vão pagar para ter esse luxo nunca (e eu repito nunca) sairiam do baú do tesouro deles. Na verdade, nem 25 centavos de dólar por ano jamais cairiam nos cofres das gravadoras.

Percebeu o que a Apple fez? Ela simplesmente tornou fácil pagar para as gravadoras para você ter acesso ilimitado na nuvem às músicas que já tem. “Ah, mas isso é um absurdo! Eu comprei as faixas com o CD!”, alguém pode dizer. É, mas você não vai ter que passar nem um minuto esperando pelo upload. “Mas quem pirateou vai ter a mesma vantagem!” Vai ser preciso eu usar uma parábola da Bíblia para explicar que não é você quem controla a generosidade alheia? Beleza, vá lá e leia Mateus, capítulo 20.

#mimimi

Bem, depois deste momento “escola dominical”, vamos à repercussão. Conforme conta a Reuters, iniciativas como a da Apple são louváveis para atrair os consumidores a serviços legais de acesso a músicas. Porém, como notou a Forbes, há algumas pessoas paranoicas com a possibilidade de a Apple apagar “músicas proibidas”.

Momento para esclarecer uma coisa: se alguém der fim às suas “músicas proibidas”, vai ser você. Ao contrário do Spotify, do Last.fm e de tantos outros serviços para os quais ninguém chia, no iCloud a música é sua e vive sã e salva no seu HDD. O que a Apple oferece é a possibilidade de baixá-la de novo (e de novo, e de novo, e de novo…). Se der a louca na Maçã e a música sumir da iTunes Store, o iTunes Match pode mandá-la pros servidores. Se você não quiser pagar por isso, basta sincronizar a música do seu Mac ou PC com o seu gadget — via Wi-Fi, até. Pronto? Acabou o drama?

No GigaOM, não, pois lá estão dizendo que o iCloud não passa de uma forma de encher o mundo com mais DRM ainda. Veja só, que absurdo: quem comprou uma faixa com DRM na iTunes Store antes da aplicação do iTunes Plus geral e irrestrito só vai poder baixar faixas com DRM via iCloud. Um abuso, é o fim do mundo livre! Você baixa o arquivo pra usar em um gadget e não pode removê-lo ou copiá-lo por aí… Ei, espera aí!

Mas vamos pensar por um instante em um cenário de extrema paranoia: se eu parar de pagar pelo iTunes Match, vou perder todas as minhas músicas? Claro que não, duh. Você apenas vai ter que fazer a sincronização com seu computador — exatamente como fez sempre, e nem morreu por causa disso.

MAIS GIGABYTES!

Ah, mas tem uma boa: no New York Times tem quem ache que tudo faz parte de uma conspiração da Apple para vender gadgets com mais memória! Olha que teoria estúpida coerente: muitas de suas faixas devem ter 128Kbps, mas o iTunes Match as substitui por versões com o dobro do tamanho, logo isso só pode significar que a Apple quer que você compre mais gigas! Em nenhum momento passou pela cabeça dessa pessoa que 1. sincronização não só ainda existe, como agora pode ser também por Wi-Fi, e 2. ninguém é obrigado a carregar todas as músicas consigo sempre.

Aliás, saber que você pode, a qualquer hora, baixar uma música que não foi sincronizada é um motivo para reduzir sua biblioteca permanente num iGadget. Só que fazer alarde e apontar o dedo pra Apple é tão mais legal!… Bitch, please.

iCloud - Músicas da iTunes Store

E os serviços similares do Google e da Amazon.com? Bem, é preciso odiar muito a Apple para suportar o upload de gigas e mais gigas de músicas, mesmo que seja só uma vez. Acho que pagar US$2,10 por mês é um negócio bem melhor. 😛

Só falta chegar a nós, brasileiros.

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