Analistas profissionais avaliam resultados da Apple, mas não avaliam seus próprios erros [atualizado]

Logo da Apple na Quinta Avenida visto de baixo

“Ser analista profissional é não ter que pedir perdão nunca”, já dizia o ditado. E justamente por isso, entra trimestre e sai trimestre, os analistas profissionais erram pra caramba nas previsões de resultados da Apple e em seus comentários posteriores nunca pedem desculpas aos investidores que pagam caro para ouvir seus conselhos. De qualquer forma, é engraçado ver todos de queixo caído, comentando as proezas da Maçã como se fossem a coisa mais natural do mundo.

Logo da Apple na Quinta Avenida visto de baixo

Brian White, da Ticonderoga Securities

Em uma palavra: “UAU!” Na versão estendida: a performance de arrasar da Apple pode fazer as ações subirem mais 100 pontos e atingir o preço-alvo de US$612, se bem que os últimos números fizeram a Ticonderoga rever seus cálculos. A única previsão que chegou perto dos resultados reais foi a das vendas de Macs (3,98 milhões previstos, contra 3,95 milhões vendidos). “Acreditamos que nenhuma outra empresa no mundo de tecnologia está mais bem posicionada que a Apple para se beneficiar da força sazonal do segundo semestre deste ano.”

Mike Abramsky, da RBC Capital Markets

Os resultados da Apple foram “uma tremenda surra”, com vendas explosivas de iPads e iPhones, além de margens brutas melhores que as esperadas. As previsões modestas da própria Maçã para o próximo trimestre foram relativamente baixas, mas elas se explicariam pelos iminentes lançamentos de novos produtos, podendo ser ignoradas.

Katy Huberty, da Morgan Stanley

As ações da Apple deverão continuar subindo, podendo chegar a até US$540 — o preço-alvo, contudo, é mais modesto, de US$468. As vendas de iPads e iPhones arrasaram as previsões, mas as de Macs e iPods ficaram levemente aquém do esperado. O maior debate agora deverá girar em torno das estimativas oficiais para o próximo trimestre: “Acreditamos que as previsões da administração não levam em conta as altas de um novo iPhone e de um iPhone 4/3GS mais barato, que esperamos serem lançados em setembro.” Huberty interpretou ainda as palavras de Tim Cook durante a conferência como um sinal de que a Apple deverá lançar um iPhone menor, para o mercado pré-pago — engraçado, eu entendi justamente o contrário.

Mark Moskowitz, da J.P. Morgan

Chamou o trimestre de “ridiculamente grande” e aumentou seu preço-alvo para US$525. O salto nas vendas do iPad deverá tranquilizar investidores preocupados com a produção, e o Mac, apesar de seus números modestos, ainda assim conseguiu bater a indústria de PCs em cerca de cinco vezes. As previsões oficiais cautelosas não deverão ser uma preocupação, e as receitas aguardadas pela J.P. Morgan para o próximo trimestre beiram os US$30 bilhões.

Gene Munster, da Piper Jaffray

Elevou seu preço-alvo para US$607, declarando que a Apple venceu as estimativas do trimestre já pela 21ª vez consecutiva, e agora com mais folga que o usual. A chegada do OS X Lion, de novos MacBooks Air, do iOS 5 e do iCloud, além de um novo iPhone (talvez na Sprint e na T-Mobile) e de novos iPods, tudo isso deverá fazer “o fluxo de boas novas ficar cada vez melhor” durante a segunda metade do ano. Apesar de toda a ênfase dada no Apple TV como um hobby, Munster espera uma televisão da Apple sendo lançada no fim de 2012. (E, provavelmente, chegaremos a 2012 e ele vai adiar para 2014, exatamente como vem fazendo há anos.)

[via AppleInsider]

Atualização

Brian White, da Ticonderoga, refez suas contas, conforme prometido, e chegou a um novo preço-alvo para a AAPL: US$666. *trombetas* Será curioso, se as ações da Apple chegarem de fato a esse valor, pois o Apple I, vale lembrar, custava US$666,66, em seu lançamento — mania do Woz, com números repetidos.

[via The Loop]

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