Mac Society: “iCommunications”

Alexandre, o Grande

Muitos de nós, que acompanhamos os passos da Maçã nos últimos anos, já percebemos que ela tem marcado uma marcha que cedo ou tarde levará a um confronto com as operadoras de telefonia. Temos um quadro sendo desenhado, quase como um brilhante jogo de xadrez.

Primeiro, a Apple lança um aparelho revolucionário que finalmente estreia o uso de internet móvel. E como ela fez isso? Em parceria com uma operadora, digamos, grande nos Estados Unidos (se funcionasse). Nas palavras de Steve Jobs na ocasião, a Apple procurou o time de tecnologia da Cingular AT&T com a proposta de aperfeiçoar e mesmo redesenhar um telefone móvel — daí surgiram poucos detalhes, porém geniais: Visual Voicemail e o meu preferido, um botão físico lateral para passar o toque para mute com vibração, sem sequer ser necessário ligar o telefone, ou mesmo tirá-o do bolso. Quase de forma humilde, o time de desenvolvimento do primeiro iPhone ouviu o que uma equipe de tecnologia de uma operadora antiga tinha a dizer — um pouco hilário, mas necessário.

Foi o iPhone que finalmente estreou de forma decente o uso da internet móvel, permitindo a visualização de telas inteiras de sites, vídeos e tudo mais. E então o tráfego das redes celulares disparou. E olha que genial: a equipe de Cupertino ainda justifica que manterá restritas a Wi-Fi muitas funcionalidades, para não sobrecarregar as coitadinhas das telecoms. No plano maligno de dominar as comunicações mundiais, isso seria equivalente a “Por favor, me empresta seus clientes?” Smartphones navegam tranquilamente entre redes móveis e privadas (Wi-Fi) com maestria. Se você leu esta notícia, entendeu direitinho o tamanho da armadilha preparada para quebrar as “operadoras-comedoras-de-dinheiro”. Com a homologação do padrão Wi-Fi 802.22 — trabalhando a 22Mbps e alcance de 100km —, esse passo toma uma importância ímpar no plano.

Passo 2: a Apple e seu “telefone” se tornam o objeto de desejo de 10 em cada 10 operadoras no mundo. Responsável por multiplicar os números de vendas de aparelhos (bem como seu valor de contrato), tirar das sombras os planos de dados e transformá-los, muitas vezes, em algo mais importante do que as próprias chamadas de voz. Pobres ovelhas (não os clientes, as operadoras… rs).

E então se deu início à fase 3: “Que se faça a luz” — comercialmente chamado FaceTime. Num passe de mágica, o iPhone e o iPod touch são agora sinônimos de vídeo-chamadas de alta qualidade, de graça, mesmo quando ativadas durante uma ligação (derrubando-a). Por enquanto são limitadas a redes Wi-Fi, mas não se engane: com uma ligação de Tim Cook, uma simples linha de código é alterada e essa restrição desaparece. É questão de meses, talvez dias. Aposto meu iPhone que essa linha de código já está escrita.

Passo 4: iMessage. Sim, amigos, assim como o FaceTime, no iOS 5 em mais alguns dias você poderá trocar mensagens, fotos, documentos, vídeos, geolocalização e tudo mais entre iGadgets sem quaisquer restrições. Qual a única função de um “comunicador de bolso” que ficou faltando? Certamente você adivinhou.

Hoje o iPhone sai de fábrica com a capacidade de, dentro de uma rede privada, comunicar-se de quase todas as formas possíveis com seus irmãos iGadgets em todo o planeta (o único equivalente da operadora seria o monstruoso DDI), só que ainda sem todas as formas possíveis de comunicação: ele tem dados, texto, imagens, vídeo e áudio, mas não apenas áudio.

APIs do iOS permitem a criação de aplicativos de voz sobre IP (VoIP) o que rendeu até mesmo recursos similares ao do outrora inovador Nextel, com funcionamento similar e sem dúvida bastante satisfatório.

Alexandre, o Grande

Alexander the Great and Darius III at the Battle of Issos. Roman mosaic copy after a Greek painting 310 B.C.

Passo 5: este, caros leitores, não vou descrever. Deixo para a imaginação de cada um de vocês. Uma jornada que está levando não só a Apple a se distanciar como a companhia mais valiosa e inovadora do globo, mas também a se tornar a maior empresa de telecomunicações em todas as suas formas conhecidas. Se você acha que é a TIM que faz você “viver sem fronteiras”, aguarde pelos planos que Tim Cook está destinado a liderar.

Se você acha que a Apple está chegando ao seu auge de inovação e domínio de mercado, pense melhor.

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