As vantagens da Apple em relação à concorrência são duas: uma que você vê e outra que não vê

MacBook Air e Lenovo U300, U300S e U400 empilhados - Engagdet

Responda rápido: quais são os PCs equivalentes, em preço e especificações, ao MacBook Air? Se a resposta lhe faltar, tudo bem, é porque ela não existe. Pelo menos é o que posso presumir depois de saber que Peter Bright, do Ars Technica, tentou encontrar esse animal computador mítico, mas sem sucesso. O que Bright descobriu foi um verdadeiro labirinto de nomenclaturas malucas que não dizem nada a respeito das máquinas nem ajudam os consumidores a escolher algo que supra suas necessidades sem ser overkill.

MacBook Air e Lenovo U300, U300S e U400 empilhados - Engagdet

Afinal de contas, qual a diferença entre “Powered for productivity”, “Optimized for entertainment” e “No-nonsense features built for versatility”? Expressões como essas saem da cabeça de alguma pessoa no departamento de marketing (ou vendas, sei lá) e simplesmente não dizem nada sobre um computador. E se eu quiser uma máquina de trabalho que também sirva para entretenimento nas horas vagas? De que tipo de entretenimento (ou produtividade) estamos falando? Se uma das categorias é “no-nonsense”, quer dizer que as outras duas são cheias de “nonsense”? Esse tipo de coisa, só a Lenovo (que bolou essa forma intuitiva de desorientar clientes) explica.

O choque maior é saber que a Dell separa “Design & Performance” de “Thin & Powerful”, como se você não pudesse ter as duas coisas. Heh, brincadeira: isso não é choque nenhum!

A surpresa é perceber que o preço, grande estigma da Apple por anos e anos, agora é uma das maiores vantagens dela. Claro, muitos geeks vão berrar que com US$1.000 é possível montar um notebook que roda Crysis, só que ele não vai chegar aos pés do MacBook Air em termos de experiência de uso, qualidade de construção, design ou portabilidade. Além do mais, mande alguém montar esse computador e veja se ela curte.

Isso enseja a pergunta: como a Apple consegue?

Steve Jobs

Tim Cook, CEO da Apple

John Gruber, do Daring Fireball, argumenta brilhantemente que o sucesso da Apple se deve à genialidade de dois homens em pólos opostos: Steve Jobs, cuidando do design e da usabilidade, e Tim Cook, trazendo os produtos ao mundo real com eficiência e baixo custo. O interessante é que, por mais que a concorrência seja capaz de imitar o visual de um Mac ou iGadget (e vale notar que todos os computadores do mundo estão ficando cada vez mais parecidos com Macs), é impossível copiar o funcionamento da cadeia produtiva que a Maçã construiu.

John Siracusa tratou disso rapidamente durante o episódio desta semana de Hypercritical (por volta do minuto 65), inclusive: a linha de produtos da Apple é tão enxuta e concisa, que se torna absurdamente eficiente. Não, você não vai poder escolher que tipo de Wi-Fi vai ter no seu computador, nem ter 15 opções de modelos completamente diferentes entre si. Ocorre que tal variedade obriga uma empresa a negociar com dezenas de fornecedores diferentes e usar 100 conjuntos diferentes de 1 milhão de peças para fabricar 100 milhões de computadores. Enquanto isso, a Apple fabrica 10 milhões de computadores usando praticamente as mesmas peças em todos.

É esse tipo de foco permite reduzir os preços de produtos de luxo a um valor acessível sem prejudicar a margem de lucro da empresa, fabricar componentes customizados para se diferenciar no mercado e investir em tecnologias que simplesmente funcionam, ainda que não soem tão atraentes para quem tem tara por especificações cruas. Afinal de contas, compramos computadores para usá-los, e não para sair cantarolando “Meu HDD é maior que o seu! Meu HDD é maior que o seu! Lá-lá-lá! Meu HDD é maior que o seu!”

[imagem: Engadget]

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