Mac Society: “Simplicidade”

Simplicidade: uma palavra comum, conhecida por todos nesse mundo, mas realmente praticada por tão poucos. Por que pode ser tão difícil para as pessoas praticar o simples? Praticar o simples é ser fiel aos seus valores mais básicos, àquelas coisas que todo mundo aprende quando criança, sem outros ângulos, sem repensar. É ser preto e branco, não cinza. Não é ideologia romântica, podemos realmente simplificar o nosso mundo e trazer de volta um pouco da serenidade da vida. Simplificar é excluir o excesso, o desnecessário. É ter desejos que cabem em cinco palavras e realmente se contentar com isso. É ter em foco que tudo o que mais importa é simples, tanto em nossos relacionamentos quanto em tudo na nossa vida.

“Mas, Ivan, isso é uma coluna de um blog de tecnologia!” Exatamente.

Semana passada, presenciei a tortura de uma plateia por 50 minutos esperando duas apresentadoras e mais um grupo de ajudantes tentando desesperadamente ligar um notebook num projetor e fazer a imagem aparecer na parede. Jesus do Céu! Eu preferiria ser vítima de um trote universitário a estar ali. Acho que descobri umas 50 maneiras de ligar um cabo de vídeo, resetar um computador e abrir uma apresentação de PowerPoint.

Ser simples é tudo o que os líderes da Apple sempre pediram, é o que Jobs repetia como um mantra e arquitetava com genialidade:

“Não me venha com problemas, quero um MacBook em uma só peça de alumínio!” ou
“Não me pergunte sobre segurança, óbvio que quero uma rede segura!”

Ah, sim, eu não disse que o simples seria consequentemente fácil. Muito pelo contrário: em muitos casos a simplicidade é um exercício de engenharia sobre exercícios de engenharia e daí vem a genialidade de mantermos o foco no que realmente importa, nas suas origens. Envelhecemos e tomamos o mundo como engenheiros, resolvendo problemas sobre problemas. As pessoas mais felizes que conheço são exatamente as que não se esqueceram da simplicidade, de exercer a felicidade do que realmente importa, de enxergar o valor das coisas à sua volta.

Acredito que a evolução do nosso mundo se mede pelo alcance da simplicidade, de desejarmos, realizarmos e vivermos o SIMPLES.

De tempos em tempos, seja através de grandes catástrofes, terrorismo, guerras ou em dramas pessoais (como a perda de alguém querido, uma doença grave, o fim de um casamento…), somos tomados forçadamente pela luz da simplicidade. Toda a nossa fé, todos os nossos desejos, nossos pensamentos, sentimentos e energias se voltam para o que realmente importa, estar próximo de quem amamos, ver nossos filhos crescerem saudáveis, a vida, o tempo, o valor da família.

A humanidade evoluiu caminhando sobre problemas. Somos compelidos pela constante busca de superar desafios. Somos programados para visar ao próximo limite e, assim, destinados a nunca estarmos realmente satisfeitos. E em tempos de tanta “tecnologia”, de um cotidiano de tempos espremidos, caos no trânsito, de não podermos exercer a paz, resta buscar no que realmente importa a paz e a harmonia que tanto desejamos em nossas vidas.

Atravessar o caos da adolescência tecnológica, do amadurecimento de nossos recursos de informação e comunicação, e conquistar tempos em que o foco retornará à nossa humanidade, ao bem estar. Veremos desaparecer a tecnologia como a conhecemos hoje e em seu lugar teremos recursos que nos tornarão próximos a quem desejarmos, nos ajudará a produzir onde estivermos e a ouvir uma música tranquila quando desejarmos. Esse, sim, é o papel que a Apple lidera no desenvolvimento de nossa tecnologia.

Em poucas décadas a Apple não será mais exceção, será uma simples empresa dentre tantas outras que nos presentearão com a magia dos recursos simples de que realmente precisamos para viver melhor.

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