Pra que correr e lançar o iPad 3, se ainda não tem ninguém pra concorrer nem com o 2?

iPad 2

O que a Apple conseguiu fazer com o iPad foi épico: quase todos os sabichões do mundo da tecnologia apostaram contra ele, mas hoje ninguém consegue pensar em uma tablet que não siga os mesmos princípios que ele desbravou. Pouquíssimos botões, livre de plugins, uma grande tela sensível ao toque dos dedos, que não depende de stylus, uma interface feita especialmente para ser manipulada diretamente, nada de teclado físico sendo peso morto. Não é à toa que agora todo mundo quer lançar sua própria tablet, e estranhamente ninguém mais se importa com o que, no começo de 2010, era motivo para soltar #epicFAILs a torto e a direito.

iPad 2 deitado

Agora, um ano e meio depois da chegada do primeiro iPad, já estamos até o pescoço de rumores falando sobre o lançamento de um terceiro modelo meses após a chegada do segundo. Algumas pessoas acham que isso é necessário, pois a concorrência está chegando perto e lançando tablets muito melhores, mais poderosas, que rodam Flash e tudo. Só tem um problema nessa teoria: as pessoas não querem tablets, elas querem iPads. Pra que então a Apple deveria se matar para colocar um novo produto no mercado, quando o atual já varre o chão com a concorrência?

Mark Moskowitz, da J.P. Morgan, aposta justamente nisso — aliás, ele aposta em uma porção de coisas bem óbvias para quem se dá o trabalho de, tipo, abrir os olhos e observar o que acontece ao seu redor. Sim, há um protótipo de iPad de terceira geração circulando na cadeia de produção (é nada!), mas não, tal produto não será lançado agora em 2011. “Na nossa visão, a Apple não precisa de pressa. As tablets concorrentes só têm tropeçado até agora, e essa tendência deverá continuar até 2012”, disse o analista.

PlayBook - Research In Motion

Aliás, o próximo aparelho a ter uma espada erguida sobre sua cabeça tela é o BlackBerry PlayBook, da Research In Motion (RIM): os últimos resultados trimestrais da canadense revelaram que apenas 200.000 unidades da tablet foram despachadas (não necessariamente vendidas). Esse número é excelente para uma empresa de fundo de quintal, mas agourento para uma gigante mobile que vende para o mundo inteiro: essa tablet não vai decolar.

E, para Moskowitz, a futura aposta da Sony não será muito frutífera, pois “ela carece do toque elegante e refinado do iPad e sua traseira similar a um bezel não é amigável ao usuário.” Já a Amazon.com pode ter uma chance, mas há um grande problema a ser vencido: um ereader não gera grandes expectativas nos consumidores, mas uma tablet com tela LCD colorida… a conversa é outra, e as pessoas podem sair desapontadas. “Até vermos como a Amazon se sai, achamos que a próxima ameaça potencial para a dominância da Apple entre tablets não vai aparecer até o fim de 2012, quando tablets com Windows 8 chegarão ao mercado.” Adorei o uso do “potencial”.

Antes que me crucifiquem dizendo que “concorrência é bom, temos que apoiar concorrentes, tarará, tarará”, deixa eu dizer uma coisa: a Apple montou uma barraca que vende sorvete de frutas com calda de amoras bravas colhidas na hora; uma empresa que chega e começa a vender limonada sem açúcar pelo mesmo preço não é uma “concorrente”, é uma piada — e das ruins.

Quer saber se um “concorrente” apareceu? Mostre o iPad e uma outra tablet para uma pessoa comum (não um geek, mas um civil) e diga “Você tem meia hora pra decidir, a que você escolher é sua” e veja se a cobaia leva mais de dez minutos para escolher o iPad. Não precisa nem escolher a outra, basta levar mais de dez minutos pra decidir.

[via AppleInsider]

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