Mac Society: “Geração Global II”

Mac Society - Esfera em quebra-cabeças

No domingo passado falei sobre o rearranjo global que está levando empresas a buscar o faturamento de seus produtos livres de fronteiras nacionais e a aparente falta de visão brasileira em relação à sua estratégia econômica internacional.

Geralmente, criticamos o que gostaríamos de ver crescer. E, infelizmente para o mundo, o Brasil está muito longe de ser uma exceção.

A tradicional curva em forma de casco de tartaruga — que sempre foi conhecida e associada ao ciclo de vida de empresas — agora é facilmente identificada também para nações. O início de um crescimento exponencial, que segue desacelerando, estabiliza e começa a declinar. Nações consideradas paraísos de estabilidade econômica e social estão se vendo nas etapas de fim de ciclo, com altas taxas de desemprego, baixa circulação de capital e, por consequência, revolta social. Na última década estamos presenciando essa estagnação em países como Inglaterra, Espanha, França, Canadá e até mesmo nos Estados Unidos. Um paradoxo, uma fase de depressão econômica além das décadas que afamaram esses paraísos como destinos dos sonhos para quem buscasse qualidade de vida e prosperidade.

O que é realmente curioso e deve receber a atenção e ser assunto de profundo estudo por novos empresários é que nunca houve tanta facilidade para mover negócios ao redor do mundo, ir a centenas de feiras especializadas, produzir na China, ter escritórios regionais na América do Norte, na Europa e na Ásia. Contratar mão-de-obra barata, impostos mínimos e vantagens jurídicas, buscar parcerias nos cinco continentes, faturamento e distribuição global.

No mercado de tecnologia e desenvolvimento de apps, então, só existem aquelas barreiras definidas por seus próprios desenvolvedores. Seja por idioma, seja pelo interesse em limitar quais nacionalidades publicarão seu trabalho. Tudo isso liderado pela tecnologia, ora pela Apple, ora pelas poucas concorrentes com competência suficiente para encontrar diferenciais além dos limites do universo da Maçã, como o Google e seu Android. O mesmo está ocorrendo com telecomunicações, livros, mercado publicitário, atendimento e suporte ao consumidor, finanças, cinema, música, aviação, agricultura, fotografia, televisão, ilustração, design, arquitetura, engenharia, direito, ciências biológicas, automóveis, marketing e até mesmo medicina.

Mac Society - Esfera em quebra-cabeças

Junto a esse fenômeno extraordinário presenciamos uma reformulação dos paraísos sociais que nos surpreenderão nos próximos anos com nomes até então pouco conhecidos ou — ainda tenho esperanças — uma contrarreação dos velhos países que enxergarem uma nova oportunidade de reingressar no jogo financeiro mundial, o qual certamente será liderado pelas grandes corporações e suas constelações empresariais, sinônimos de inovação — da pesquisa agrária à genética, de novas ligas metálicas à engenharia high end que povoará nossos gadgets na próxima década.

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