Em evento, profissionais de TI discutem a estratégia da Apple para o mercado corporativo

iPhone 4, iPad 2 e MacBook Air

Uma das forças da Apple, seu foco em consumidores domésticos, pode ser uma de suas fraquezas. Apesar de crescer cada vez mais no mercado corporativo — muito devido à política “traga seu próprio aparelho” —, as soluções da Apple são voltadas muito mais para o indivíduo do que para comunidades ou grupos. Pelo menos isso é o que foi discutido na conferência MacIT, a “Macworld | iWorld” dos profissionais de TI.

iPhone 4, iPad 2 e MacBook Air

Para muitos, características da Maçã que tornam tudo bastante simples para indivíduos — como comprar conteúdos (apps, livros, etc.) através de um ID da Apple, e comprar grande volumes de apps através de um programa específico (App Store Volume Purchase Program) — são “inadequadas” para uma empresa. De acordo com alguns comentários da conferência, tais características são bem difíceis de se implementar em um ambiente corporativo.

Kevin White, diretor da Macjutsu, descreveu bem o cenário: apps pertencem a uma conta criada na iTunes, e não a aparelhos. Tais contas são individuais, e não institucionais. “É chato, mas esse é o modelo [da Apple]”, afirmou White. Os limites são claros, inclusive no Volume Purchase Program, no qual o desenvolvedor é quem decide se o seu app faz parte do programa. Além disso, a partir de uma certa quantidade, apps distribuídos pelo programa podem ser considerados “compensações” na lei federal de impostos norte-americana. E, se você optar por participar do programa, terá que criar uma nova ID da Apple, mesmo já tendo uma. “IDs da Apple podem gerar confusão. […] Pare de pensar em software como um ativo, e comece a pensar nisso como você pensa sobre um papel e canetas. Isso poderá exigir grandes mudanças em seus procedimentos de contabilidade”, disse White.

Para Sam Rodriguez, analista de serviços da Northwest College, os produtos da Apple são máquinas individualizadas (foco no indivíduo, e não em pessoas) — iGadgets, por exemplo, não permitem a criação de um ou mais perfis. Maribel Guizar-Maita, gerente de TI da escola Alum Rock Union, em Santa Clara (Califórnia), ratificou a ideia de que iProducts são mais individualizados. Ao distribuir 1.000 iPads entre estudantes, Guizar-Maita reparou que, apesar de não levarem os devices para casa, eles protegiam bastante os aparelhos, quase que em uma relação de “amor”.

O problema é que o objetivo de um dispositivo individual é servir a um usuário individual, cujos desejos e vontades são únicos, específicos. Porém, em uma organização, o indivíduo faz parte de uma relação maior, que envolve muitas pessoas. Exatamente por isso, para Ben Greisler, profissionais de TI estão enfrentando um paradigma. Segundo ele, tanto o Mac OS X quanto o iOS trazem uma abordagem diferente, e os profissionais da área deverão fazer o mesmo.

Greisler afirmou ainda que alguns profissionais de TI entraram em um círculo sem fim: eles insistem em gerenciar dispositivos porque eles precisam ser controlados. Mas eles precisam ser controlados porque alguém precisa gerenciá-los. “Proteger os dados é o objetivo, não controlar os dispositivos ou gerenciar tudo como fazíamos no passado, com algo parecido com o BlackBerry Enterprise Server.”

É uma situação complicada, já que alguns enxergam as forças da Apple como fraquezas. Você teria algum exemplo (bom ou ruim) do uso de iProducts em empresas? Compartilhe-o com a gente, nos comentários!

[via Network World]

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