Destaques e pontos abordados por Tim Cook na conferência da Goldman Sachs

CEO da Apple, Tim Cook gesticulando

Conforme comentamos, Tim Cook participou hoje da conferência de Tecnologia e Internet da Goldman Sachs pela primeira vez como CEO da Apple. Nela, o executivo falou sobre praticamente todos os assuntos atuais envolvendo a empresa.

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CEO da Apple, Tim Cook gesticulando

Condições de trabalho

Mais uma vez, Cook bateu na tecla de que nenhuma empresa do mercado está fazendo mais do que a Apple. Ele enfatizou os esforços da companhia a fim de combater o trabalho de menores (praticamente inexistente, hoje), melhorar a segurança e coibir os excessos de horas extras. Cook mencionou ainda a recente parceria com a Fair Labor Association — que inclusive já iniciou seus trabalhos. Todavia, isso não impedirá a Maçã de continuar coletando dados próprios e liberá-los mensalmente no seu site, mostrando que ela está disposta a ser uma das mais transparentes do mercado. Cook se diz orgulhoso do trabalho que está sendo feito na Apple.

Sabemos que as pessoas têm uma expectativa muito grande na Apple. Nós temos uma expectativa ainda maior de nós mesmos. Nossos clientes esperam de nós a liderança, e nós vamos continuar liderando. Somos abençoados em termos as pessoas mais inteligentes e inovadoras do planeta. Colocamos o mesmo esforço e energia dos nossos produtos em responsabilidade social. Isto é a Apple.

Sobre o iPhone

Apesar do estrondoso trimestre financeiro (FQ1 2012), no qual a Apple vendeu 37,04 milhões de iPhones — e todos em Cupertino estão felizes com isso —, Cook preferiu ressaltar a oportunidade que a empresa ainda tem pela frente: de acordo com ele, as vendas de iPhones representaram 24% do mercado de smartphones, ou seja, três em cada quatro pessoas compraram algum outro dispositivo. Nove em cada dez usuários de telefones celulares (não smartphones) compraram outro aparelho; ainda existe muito mercado para a Apple, ainda mais se analisarmos que projeções indicam um mercado de telefonia móvel na casa dos 2 bilhões de unidades. A empresa continuará focada no que sabe fazer de melhor: os melhores produtos.

Mercados emergentes

Boas notícias para nós, brasileiros! Tim Cook colocou China e Brasil como os grandes países consumidores de smartphones até 2015 (cerca de 25% do mercado) — esperamos que, até lá, os preços do iPhone baixem por aqui para justificarmos essa fama. A empresa está bastante focada na China, onde obteve um crescimento absurdo nos últimos anos, especialmente com o iPhone. Cook pretende levar esse conhecimento para outros países — quem sabe entramos nessa, assim como Rússia e Índia.

Para Cook, o “Efeito Halo” do iPod só aconteceu em mercados desenvolvidos. Somente agora a Apple está se beneficiando do efeito, mas com outro produto: o iPhone — na China, por exemplo, o mercado de Macs cresceu 100% ano a ano, sendo que os países emergentes cresceram de US$1,4 bilhão (2007/8) para absurdos US$22 bilhões (2011).

iPad e competidores

O CEO disse que ninguém no mercado poderia prever 55 milhões de iPads vendidos em 2011 — demorou-se anos para vender o mesmo número de Macs, iPods e iPhones. Muito do sucesso deve-se ao ecossistema já montado (iTunes e App Stores), além da familiaridade com as telas multitoque (graças ao iPhone). Para Cook, o iPad foi um dos produtos de adoção mais rápida se comparado com outros.

Eu dei um [iPad] para a minha mãe e ela sabia como usá-lo só de assistir ao comercial.

Apesar de amar o Mac e achar que ele ainda tem muito espaço para crescer, invariavelmente as tablets substituirão os PCs, mas isso não quer dizer que os computadores vão morrer. Todavia, se for para sofrer canibalização, que seja com um produto da Apple, e não pelas mãos da concorrência. Falando especificamente sobre a concorrência, Cook acha que preço não é um fator tão importante, já que no final das contas é a qualidade do produto que importa.

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O consumidor que a Apple foca é aquele que não se contenta com poucos recursos, com pouca qualidade, sendo o grande catalisador desse mercado a inovação.

Honestamente, nós vamos competir com todo mundo. Eu adoro concorrência. Enquanto as pessoas inventarem suas próprias coisas, eu adoro competição.

Caixa, dividendos e assuntos financeiros

O executivo ressaltou que a Apple vem gastando bilhões na linha de produção, na aquisição de propriedade intelectual, em lojas, em infraestrutura, etc. Apesar de ainda ter muito dinheiro, a empresa sabe como usá-lo e não sairá gastando como se tivesse um buraco no bolso.

Nós gastamos o nosso dinheiro como se fosse nossos últimos centavos. Eu acho que os acionistas querem que façamos isso. Eles não querem que nós ajamos como se fôssemos ricos. Nós nunca nos sentimos assim. Pode parecer bizarro, mas essa é a verdade.

Contudo, ele reforçou que não é religioso sobre o que fazer com o dinheiro e que a diretoria sempre discute o que pode ser feito, pedindo ainda um pouco de paciência para que eles tomem a decisão deliberadamente, a fim de que ela seja a melhor possível.

Apple TV

Cook reafirmou que o produto é ótimo e que ele não consegue mais viver sem sua Apple TV. As vendas estão boas (1,4 milhão, no último trimestre), mas ele continua sendo um “hobby”.

Não queremos enviar uma mensagem aos nossos acionistas que nós pensamos que o mercado para a Apple TV é do tamanho de nossos outros negócios. […] É por isso que nós a chamamos de “hobby”.

Porém, a Apple é uma empresa bastante focada e trabalha apenas em alguns poucos produtos. Mas com a Apple TV, apesar das dificuldades do mercado, a empresa enxergou alguma coisa, e espera continuar seguindo sua intuição para encontrar algo ainda maior. O CEO afirmou que a satisfação do produto é enorme e que, para a Apple TV se tornar uma categoria séria, precisaria de um algo a mais — quem sabe a tão falada/aguardada “iTV”.

Siri e iCloud

Com 100 milhões de usuários — há cerca de um mês eram 85 milhões! —, Cook acha que o iCloud é algo profundo, um produto altamente estratégico, sendo o hub que as pessoas precisam para que a experiência com seus iGadgets seja mais que satisfatória. A Siri também é outra mudança profunda e, apesar de ser um produto beta, é totalmente indispensável na opinião do CEO. Esses dois produtos não existem para fazer dinheiro, e sim para trazer mudanças.

Sobre o legado que Cook deixará para a empresa

O executivo disse que a Apple é uma empresa e uma cultura única, e que ele não deixará isso morrer, já que acredita nela profundamente.

Steve nos ensinou que a Apple deve girar em torno de grandes produtos, focada em poucas coisas, ao invés de tentar fazer tudo não fazendo nada bem. A Apple só entrará em mercados nos quais ela pode fazer uma contribuição significativa para a sociedade, e não apenas vender produtos. É nisso que iremos nos concentrar.

Essas são as coisas que fazem da Apple ser esse lugar mágico onde pessoas inteligentes querem trabalhar, e não é apenas o trabalho de sua vida, mas o melhor trabalho de sua vida. Eu quero olhar para uma plateia e ver as pessoas usando iPhones, ver as pessoas usando iPods nas academias, ou ir a lojas do Starbucks e ver as pessoas usando iPads. Estas são as coisas que trazem um sorriso ao meu rosto. Não há substituto para isso.

Estamos sempre focados no futuro. Nós não sentamos e pensamos sobre como as coisas eram grandes ontem. Eu amo essa característica, eu acho que é a coisa que nos impulsiona para frente em tudo. Essas são as coisas nos quais eu me prendo, e é um privilégio fazer parte dela.

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Taí, um ótimo panorama da atual Apple no comando de Tim Cook. Agora, façam suas apostas! 😉

[via MacRumors]

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