Pegatron diz que não foi informada sobre inspeções; críticos questionam o trabalho da FLA

Logo da Fair Labor Association

A Fair Labor Association já iniciou as vistorias em fábricas da Foxconn responsáveis pela montagem de iProducts, enquanto Quanta e Pegatron — outras parceiras da Apple — já concordaram em cooperar completamente com a FLA, oferecendo acesso total às suas operações.

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Só que, apesar da cooperação, Charles Lin, CFO da Pegatron — que recentemente abandonou a produção da ASUS por um “pedido” da Apple — disse que a empresa não foi informada sobre qualquer vistoria a ser realizada pela FLA; procurado pela reportagem da Bloomberg, um porta-voz da Quanta não comentou o assunto. Tanto na Pegatron quanto na Quanta, as auditorias começarão apenas no fim de março (nosso outono) e, pela distância da data, pode ser que a FLA ainda notificará as empresas sobre a futura visita.

Linha de produção da Foxconn

Embora reconheça os esforços da Apple, os grupos Change.org e o SumOfUs.org — responsáveis pelas petições entregues à empresa — não acham que isso seja uma solução para o problema. “Estamos esperançosos de que este seja um passo para a solução, mas não é nem perto da solução em si. A FLA não tem um grande histórico de condução de investigações efetivas”, disse Taren Stinebrickner-Kauffman, diretora executiva do SumOfUs.org.

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Mark Shields, consumidor da Maçã que iniciou a petição no Change.org, disse: “Como cliente da Apple, estou aliviado em ouvir que Tim Cook leva o assunto a sério e desbrava novos terrenos com a auditoria da FLA. Mas a Apple ainda precisa usar um pouco de sua criatividade e capacidade de solucionar problemas para criar um plano de proteção de trabalhadores relacionado a novos produtos — especialmente com a chegada do iPad 3 —, cuidando dos seus trabalhadores.”

Stinebrickner-Kauffman lembra ainda do site FLA Watch, o qual monitora a firma de auditoria. Para eles, a Fair Labor Association não passa de uma “relações públicas” para grandes companhias. “A FLA foi criada em resposta aos protestos de estudantes em torno da exploração nas fábricas no final dos anos 1990, especificamente para monitorar lojas de vestuário, sendo a Nike uma de suas fundadoras. Dez anos depois, vemos pouca ou nenhuma reforma nas condições da cadeia de suprimentos nas fábricas da Nike, e nenhuma mudança positiva pode ser atribuída à FLA”, disse Teresa Cheng, coordenadora de campanhas internacionais da USAS (United Students Against Sweatshops — organização por trás do site FLA Watch).

Sindy Sagastume, que trabalha próxima ao mercado chinês, é mais uma que duvida de auditorias, lembrando que a Apple as realiza desde 2006, e nada mudou até então. Ela falou ainda que “auditorias não passam de uma ferramenta para que varejistas se façam parecer mais ‘socialmente compatível'”.

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Apesar de concordar com algumas opiniões supracitadas, e mesmo que a FLA não tenha ajudado a implementar uma única mudança positiva nesse cenário, temos que lembrar que ela é uma organização que *auditora* as fábricas. Ela aponta os problemas e os repassa para as fabricantes, que podem ou não implementar as devidas mudanças. O resultado final foge do alcance da associação. Resumindo: depende muito mais de Apples e Foxconns da vida mudarem alguma coisa do que da própria Fair Labor Association.

[via Wired.com]

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