Opinião: por que um sistema de assinaturas na iTunes Store faz sentido e como ele poderia ser

iTunes Store Brasil em iPod touch, iPad e MacBook Air

Há cerca de dez anos, pouco depois da aparição do Napster e da proliferação dos downloads ilegais de músicas na internet, Steve Jobs estava convicto de que, se alguém oferecesse uma loja de músicas online de qualidade, simples de se usar e com preço justo, o negócio daria certo. Assim, em 28 de abril de 2003, frente a muita incredulidade, a Apple lançou a iTunes [Music] Store.

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Não precisamos dizer que ela foi mais uma tacada de mestre do falecido ex-CEO da Apple, e que, além de ser hoje a loja de músicas número um do mundo — e uma forma conveniente de combater a pirataria —, a iTunes Store ganhou cada vez mais relevância, incorporando filmes, séries de TV, podcasts, etc. Só que, nessa caminhada até os dias de hoje, novas formas de negócios foram criadas, e serviços como Spotify, Rdio, Netflix, entre outros provaram que o modelo de assinaturas também pode ser bastante positivo para a empresa, para os consumidores e para os geradores de conteúdo. Os rumores de um modelo desses na iTunes Store existem, mas até hoje nada aconteceu.

iTunes Store Brasil em iPod touch, iPad e MacBook Air

Depois de longos anos, finalmente ganhamos a nossa iTunes Store.

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Primeiramente, precisamos ressaltar que a Apple inovou bastante quando lançou a sua loja de músicas, possibilitando ao consumidor comprar apenas aquela faixa que ele queria, ou seja, não sendo mais necessário pagar um álbum inteiro para ter acesso àquelas três músicas as quais você quer. Contudo, de lá pra cá, pouca coisa mudou na loja de músicas da Apple, pelo menos no que diz respeito a forma como adquirimos o conteúdo. E tudo estava perfeitamente bem, até aparecer os Spotifys e Rdios da vida, os quais inovaram em cima do modelo da Apple e provaram que um sistema de assinatura, no qual você paga cerca de US$10/mês e tem direito a escutar todo o catálogo de músicas do serviço, é interessante para muita gente.

Para quem não conhece esse tipo de serviço, abaixo o vídeo explicativo [em inglês] do Rdio:

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Como uma forma de “resposta”, a Apple foi lá e lançou o iTunes Match — disponível inclusive no Brasil. Embora seja um serviço bem legal, você ainda precisa comprar as músicas para usufruir de seus benefícios, o que é algo totalmente diferente do modelo de assinaturas — pague o equivalente a um álbum por mês e tenha milhões de músicas ao seu alcance.

Particularmente, música é algo que eu gosto de ter/comprar, pois dificilmente escutarei apenas uma vez. E eu prefiro ter apenas aquelas as quais eu realmente gosto, do que ficar “refém” do pagamento de um serviço mensal para escutá-las. Todavia, reconheço que, para muitos, o benefício das assinaturas é superior.

Mas então, por que estou defendendo esse modelo? Primeiro, porque a opinião e o gosto são meus — o que é melhor para mim não necessariamente será melhor para você. Segundo, porque o modelo de assinaturas faz muito sentido para filmes e séries de TV — quem sabe até mesmo para livros.

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Diferentemente de músicas, filmes e séries não são algo que eu faço questão de comprar, pois dificilmente vejo duas vezes ou mais. Ainda assim, se eu alugar um filme na iTunes Store duas vezes, o preço sairá mais em conta do que se eu comprá-lo. Mas, se assim como eu, você adora séries e filmes, vai gastar uma boa quantia alugando/comprando todos os filmes e episódios de todas as séries as quais você acompanha — isso, é claro, se você não quiser ficar refém dos canais de TV a cabo e dos horários estipulados para cada série/filme.

Hoje, por R$15, temos como assistir a uma penca de filmes e até mesmo a séries através de serviços como Netflix — ou até mesmo gratuitamente, em sites como o Crackle, o qual, apesar de ser gratuito, funciona totalmente dentro da legalidade, suportado por anúncios. Exatamente por questões competitivas, de mercado, está na hora de a Apple nos oferecer também uma opção de assinaturas.

Pensando rápido, poderia ser algo assim:

  • Assinatura de músicas: US$10/mês;
  • Assinatura de filmes: US$10/mês;
  • Assinatura de séries de TV: US$10/mês;
  • Assinatura de livros: US$10/mês;
  • Caso o usuário assine três serviços, desconto de US$5 (ou seja, US$25/mês);
  • Caso o usuário assine os quatro serviços, desconto de US$10 (ou seja, US$30/mês).

Atualmente não contamos com seriados nem livros no Brasil, mas é questão de tempo até esse tipo de conteúdo chegar. E, como disse, dá até mesmo para colocar ebooks no jogada. O novo modelo não exclui o atual, nem mesmo o iTunes Match. Existe espaço para os dois.

Com players muito menores do que a Apple conseguindo esse tipo de contrato com gravadoras e estúdios, creio que a Maçã ainda não adotou o modelo de assinaturas simplesmente por não querer. Mas existe um mundo de consumidores que adorariam poder assinar um serviço de músicas, filmes, séries de TV e até mesmo livros, na iTunes Store. Pessoalmente, torço para que isso aconteça o quanto antes!

E você, o que acha desse modelo? Assim como eu, você assinaria algum desses serviços?

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