Opinião: preferências à parte, o Galaxy S III trará inovações interessantes ao mercado

Samsung Galaxy S III

Ontem comentamos o Galaxy S III, novo smartphone da Samsung o qual chega para brigar de frente com outros aparelhos equipados com Android e, é claro, com o iPhone 4S. Como deixei claro logo no título, preferências à parte, o lançamento da Samsung trará ao mercado um novo patamar de especificações técnicas (e de [exagerado] tamanho de telas para smartphones).

Apesar de a tela ser um fator decisivo para alguns (no meu caso, acho grande demais), acredito que não é isso o que faz o consumidor “comum” comprar um aparelho — “Ah, eu vou comprar o Galaxy porque ele é 0,7mm mais fino e 7 gramas mais leve que o iPhone 4S!” — e sim o apelo, o design (polêmico/duvidoso), as funções, os recursos, ou seja, o que o Galaxy S III faz que os outros não fazem; e o preço, obviamente.

Samsung Galaxy S III

No quesito recursos, ele trouxe coisas que já conhecemos, como o S Voice (concorrente da Siri), AllShare Cast (concorrente do AirPlay) e AllShare Play (acesso a documentos e mídias de qualquer lugar). Contudo, novos recursos, até então inéditos no mercado, também foram apresentados. Abaixo, uma descrição deles:

  • Smart stay: a câmera frontal do aparelho, de 1,9 megapixel, fica constantemente em alerta. Quando o usuário está olhando para tela, ela impede que o dispositivo “durma”, ou seja, apague a tela, pois entende que a pessoa está lendo algo. Sem dúvida trata-se de um dos recursos mais interessantes do novo Galaxy, já que é comum encostarmos na tela de nossos aparelhos touch para que ela acenda novamente enquanto lemos algo.
  • Direct call: ao trocar mensagens (SMS) com outra pessoa, é comum querermos fazer uma ligação para ela. O Direct call resolve esse problema. Basta levar o aparelho à orelha durante uma troca de mensagens que ele automaticamente liga para a pessoa.
  • Smart alert: mesmo que você perca chamadas ou mensagens, os celulares são capazes de mantê-las ali, esperando por você ligar a tela para vê-las. Mas, como disse, depois de um certo tempo, você *precisa* acender a tela para ver que recebeu chamadas ou mensagens enquanto estava no banho, por exemplo. O Smart alert acaba com esse problema. Ao pegar o aparelho, ele vibra, mostrando que você perdeu chamadas/mensagens.

Samsung Galaxy S III

Na minha opinião, estes foram os destaques do Galaxy S III. Não é nada revolucionário — e nem deveria ser, afinal, nenhuma empresa precisa fazer uma revolução todos os anos — e isso vale para a Apple ou para qualquer outra. Revolução significa grande transformação, mudança sensível. Imagine alguém ter que reaprender algo todo ano, quando uma nova revolução é feita. Sinceramente, ninguém quer isso. Às vezes, uma revolução é mais do que bem-vinda, contudo, as inovações são tão importantes quanto, pois aperfeiçoam a experiência sem que nós, usuários, precisemos reaprender tudo de novo — imagine uma pessoa menos antenada (ou seja, o consumidor “comum”) tendo que lidar com grandes mudanças anualmente!

Continuando, o Galaxy S III trouxe ainda o Social tag, recurso que reconhece a pessoa em uma foto e facilita o compartilhamento do conteúdo pela própria foto. O S Voice, apesar de não ser inédito, consegue interagir com algumas funções nativas do sistema, como por exemplo com a câmera e o volume de uma música, coisa que a Siri ainda não faz. O S Beam permite que usuários troquem fotos, músicas e vídeos apenas encostando as partes traseiras do aparelho uma na outra, via Wi-Fi ou NFC (Near Field Communication). Já o AllShare Cast funciona exatamente como o AirPlay — para televisões não compatíveis, a Samsung criou o AllShare Cast Dongle, um device receptor que cumpre a função da Apple TV (apenas para o recurso AirPlay — nada de aluguel de filmes, compra de séries, etc.).

O Buddy photo share compartilha fotos de maneira automática com as pessoas que estão nelas. O AllShare Play dá acesso a documentos, músicas e outros arquivos onde quer que você esteja, enquanto o Pop up play possibilita aos usuários que vídeos sejam vistos enquanto um email ou um texto é preenchido. Já o Best photo nada mais é do que um modo burst, em que oito fotos contínuas são tiradas de uma vez, escolhendo a melhor para o usuário. Na parte dos acessórios, ele conta com um Desktop Dock (dock), uma Flip Cover (capinha), o S Pebble (MP3 player/controle remoto) e um kit de carregador sem fio (por indução).

Samsung Galaxy S III

Nem todos os recursos são interessantes e essenciais, todavia, os destacados, ao meu ver, melhoram bastante a experiência do usuário — se tudo funcionar como prometido, claro; na apresentação, alguns recursos — como o Best photo — não foram tão bem assim. Aliás, o evento é um caso à parte: pra que isso tudo, Samsung? Palco gigante, orquestra, mestre de cerimônia… bem forçado e desnecessário — apenas para dizer que é o maior evento do mundo de lançamento de um produto? :-/

Voltando ao que importa, como no mercado de smartphones quem dita as regras hoje são Apple e Samsung — pelo menos quando o assunto é faturamento e market share —, a bola agora está com a Maçã, que deve apresentar a sexta geração do iPhone em setembro/outubro. Ainda assim, ao meu ver, ecossistema da Apple é mais completo e redondo, tornando a imersão e a experiência do usuário mais agradáveis.

Apenas uma consideração final, sobre quem copia quem. Chegamos a um ponto que não tem mais jeito: quando um novo recurso é implementado de forma satisfatória para o consumidor — como a Siri —, outras marcas copiarão, como a Samsung fez. Isso não é demérito, afinal, se o consumidor quer, a empresa tem que fazer. A Apple mesmo implementou a Central de Notificações no iOS (cópia do Android), pois o público já dava indícios de que aquele recurso era indispensável, necessário — se a empresa não faz, perde o cliente. Não duvido nada que alguns desses recursos apresentados pela Samsung sejam implementados pela Apple. O que eu não concordo é com a cópia 100% fiel. Uma coisa é pegar um recurso e implementá-lo, melhorando-o. Outra é simplesmente pegar a função e “jogar” no aparelho, apenas para dizer que tem, suprindo a “necessidade” do consumidor — e isso, hoje em dia, é mais do que motivo para um belo processo.

Que chegue logo o terceiro trimestre, pra vermos a resposta da Apple. 🙂

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