Mais uma leva de notícias sobre a batalha judicial entre Apple e Samsung

Logo - Apple e Samsung

Depois da nossa última leva de notícias sobre a disputa entre Apple e Samsung no tribunal da Califórnia, novas informações surgiram — muitas delas bastante interessantes. Sem mais delongas, abaixo você confere nossos destaques.

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Samsung tentou, mas não conseguiu

De acordo com o The Verge, o time jurídico da Samsung bem que tentou, mas não conseguiu ludibriar o júri. O professor Rasvin Balakrishnan, que testemunhou a pedido da Apple, esmiuçou a patente elástica da Maçã (aquele efeito que acontece quando puxamos uma página do Safari até o limite), explicando por que diversos aparelhos da sul-coreana infringem o invento.

Kevin Johnson, advogado da Samsung, tentou desacreditar Balakrishnan, insinuando que os slides apresentados pela Apple estavam errados. Johnson desafiou Balakrishnan, dando uma demonstração ao vivo de um Galaxy Tab de 7 polegadas que, na teoria, não incorporava o recurso — sem mencionar a versão do sistema operacional ou coisa parecida. O advogado continuou, apresentando um vídeo mostrando que o Galaxy Tab 10.1 também não utilizaria o recurso. Balakrishnan reparou que, no vídeo, o usuário não rolava a página até o final, ou seja, o recurso não teria como aparecer.

Algo parecido aconteceu com Karan Singh, professora de ciência de computação da Universidade de Toronto. Falando sobre a patente tap-to-zoom e a capacidade do gadget de diferenciar uma rolagem com um dedo e gestos com dois dedos. Para provar que os aparelhos da Samsung eram capazes de rolar uma página com dois dedos — algo diferente de iGadgets —, o advogado da Samsung apresentou um vídeo mostrando o tal comportamento. Só que Singh rapidamente reparou que a rolagem estava sendo feita enquanto o usuário fazia o famoso pinch-to-zoom (gesto de pinça para dar zoom). Segundo relatos, o advogado ficou perturbado/confuso com o acontecimento. 😛

Empresas não querem mostrar documentos para o público

Apple e Samsung apelaram uma decisão da juíza Lucy Koh na qual documentos do caso se tornaram públicos. No caso da Apple, segundo o FOSS Patents, ele teme que seus concorrentes possam prever futuros lançamentos e campanhas de marketing usando certas informações confidenciais e pesquisas que o tribunal não selou.

Especialista acha que Samsung vai levar a pior

A Informationweek conversou com Christopher Canari, presidente do comitê de direitos de design da American Bar Association e ex-membro do comitê da American Intellectual Property Law Association. Para ele a Samsung está mal no processo, citando que a juíza já deixou claro que o Galaxy Tab 10.1 é muito parecido com o iPad e que a empresa, até agora, não conseguiu mostrar evidências contrárias.

Resta saber se o júri também entende dessa forma.

Pesquisa da Apple surge no tribunal

A Maçã não é muito de fazer pesquisas, mas uma apresentada no julgamento chamou atenção: conforme destacou o The Verge, 48% dos consumidores que compram aparelhos Android fazem isso para permanecer em suas respectivas operadoras. Ou seja, o sistema operacional do Google ou o desejo de um aparelho específico não é o principal motivo de escolha.

Pesquisa da Apple sobre aparelhos Android

Depois, como podemos ver, temos a confiança na marca Google (36%), preferência por telas maiores (30%), preferência pela Google Play (27%), melhor interação com os serviços do Google (26%), ter o último aparelho lançado (26%), navegação curva-a-curva (25%) e ter a última tecnologia lançada (25%).

Não copie, aprenda com ele!

Todo o julgamento gira em torno de uma única coisa: se a Samsung copiou ou não os produtos da Apple. A CNET News destacou um email interno da Samsung, escrito por Sungsik Lee, designer da sul-coreana, mostrando que alguém lá dentro estava preocupado com isso. Em 2 de março de 2010, Lee enviou uma mensagem para algumas pessoas da equipe de interface do usuário, dizendo que eles deveriam aprender com o iPhone, mas não copiá-lo.

Dentro, fora

Segundo o The Verge, a juíza Lucy Koh tirou do processo os aparelhos Galaxy S GT-i9000, Galaxy S II GT-i9100 (versões internacionais do Galaxy S e S II) e Galaxy Ace, já que eles não são diretamente vendidos nos Estados Unidos (nem pela Samsung, nem por operadoras).

Argumentando contra

A CNET News disse que, querendo invalidar algumas patentes da Apple, a Samsung chamou Benjamin Bederson, professor de ciencia da computação da Universidade de Maryland e cocriador do LaunchTile, a fim de mostrar que, muito antes da chegada do iPhone, os recursos que a Apple julga ser dela já existiam.

O mesmo aconteceu com Adam Bogue, criador da mesa DiamondTouch (algo parecido com a antiga Surface — agora PixelSense —, da Microsoft).

A Samsung também acusa a Apple de infringir três patentes suas (7.456.893, 7.577.460 e 7.698.711), as quais cobrem álbum de fotos, envio de email e música em plano de fundo enquanto outros apps são utilizados.

Enquanto isso, Jeeyuen Wang, designer da Samsung, disse que não copiou os ícones do iPhone. Ela alegou que analisou, sim, o design utilizado em aparelhos da Apple, mas que também fez o mesmo em diversos sites, aeroportos, e qualquer outra possível fonte de referência. Sei… 😛

Além disso, a sul-coreana alegou que o design do iPad e do iPhone são óbvios demais, e que não deveriam ser protegidos. Para reforçar essa ideia, o especialista Itay Sherman mostrou exemplos de designs anteriores ao de iGadgets (LG Prada e Compaq TC1000, por exemplo), os quais traziam as mesmas características.

Qual aparelho, que patente?

Muitos aparelhos da Samsung estão sendo acusados de infração. Abaixo, uma tabelona mostra quais aparelhos (supostamente?) infringem as patentes da Apple:

Tabela - Aparelhos vs. patentes

Mais pesquisas

O TNW mostrou um estudo da Samsung de 2010 que apontava quais cidades americanas a Apple tinha uma maior vantagem competitiva (preferência de consumidores) frente aos produtos da sul-coreana. Subtraindo os percentuais das empresas, a Maçã tinha a seguinte vantagem: San Francisco (37%), Los Angeles (22,3%), Philadelphia (27,4%), Chicago (17,7%), Washington (13,5%), Dallas-Fort Worth (16,7%), Nova York (9,6%) e Boston (7,6%).

Microsoft sim, Samsung não

Já sabemos que a Microsoft licenciou algumas patentes de design da Apple, e que a firma de Cupertino tentou fazer o mesmo com a Samsung. Mas de acordo com a CNET News, os advogados da sul-coreana disseram que elas não estavam em jogo quando rolou a conversa entre elas. Boris Teksler, diretor de patentes da Apple, disse que algumas ainda estavam pendentes, na época — ou seja, não dá pra licenciar o que ainda não é seu.

Prejuízo da Apple

O The Verge conta que, segundo cálculos de Terry Musika (especialista em finanças), a Maçã teria deixado de vender 2 milhões de aparelhos (entre iPhones e iPads) por causa das cópias da Samsung, o que equivale a US$488,8 milhões. Para chegar aos mais de US$2,5 bilhões de recompensas exigidos pela Apple [1, 2], fizeram parte das contas o lucros da Samsung provenientes dos produtos acusados de infrações, royalties para as patentes supostamente violadas e o prejuízo da Apple.

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