Dica de leitura: a Apple não inventa nada

Steve Jobs apresentando o iPad

Jean-Louis Gassée, ex-Apple e hoje sócio da Allegis Capital, escreveu um belo artigo intitulado “Apple Never Invented Anything” (“A Apple Nunca Inventou Nada”). Muita gente hoje adora falar que a Maçã não pode se vangloriar de ser uma inventora, afinal, computadores existiam antes de a Apple resolver fazer um, MP3 players já estavam aí antes de o iPod chegar, smartphones e telas touchscreen também não eram novidade antes do iPhone e, é claro, com tablets não foi diferente.

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Gassée traça então um ótimo paralelo, comparando a Apple com grandes chefs de cozinha e marcas respeitadas como BMW. No caso culinário, ele contou uma história pessoal, na época em que trabalhou num restaurante francês e uma de suas tarefas era preparar a maionese. Gassée nunca conseguia fazer a maionese da maneira correta, mesmo utilizando os ingredientes dados pelo chef. Enquanto ele sofria, o outro ia lá e fazia uma senhora maionese praticamente de olhos fechados.

Já no caso da BMW, ele aponta que muitas fabricantes provavelmente usam as mesmas peças e as mesmas fornecedoras, mas que o resultado final — o produto — não necessariamente é o mesmo. Ou seja, esse papo de que a Apple não inventa nada não cola, afinal, os ingredientes utilizados por todos é o mesmo, e já estão aí faz tempo. Mesmo assim, a maionese do chef é indiscutivelmente melhor que a de outros, assim como um carro da BMW é muito mais interessante do que da [escolha uma marca popular qualquer].

Steve Jobs apresentando o iPad

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Durante 30 anos, a indústria tentou criar uma tablet, e tentou pra valer. Os aparelhos não engrenavam, um após o outro. Dynabook, da Alan Kay, Go, Eo, GridPad, várias tablets-PCs da Microsoft, e até mesmo o Newton, da Apple, no início dos anos noventa …. eles não se solidificaram, nada decolou.

Então, em janeiro de 2010, o chef Jobs caminha no palco com o iPad e tudo se torna óbvio, fácil. Três décadas de falhas são esquecidas.

Assim, voltamos para aquela velha história de retângulos com cantos arredondados, da obviedade do “slide to unlock”, entre outras coisas. É muito fácil olhar para trás e esquecer como as coisas eram antes de alguém chegar e juntar os ingredientes da maneira correta. É fácil falar, hoje, que a Apple quer dominar tudo, até mesmo o óbvio nome App Store (loja de apps) — antes dela, alguém lembra de uma loja de aplicativos de sucesso? É óbvio hoje, mas é exatamente aí que está a genialidade da coisa — traduzir algo complexo em obviedade.

Vale a pena passar no Monday Note e ler o artigo de completo de Gassée. 😉

[via parislemon]

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