Por que podemos considerar as mudanças anunciadas hoje pela Apple como positivas

John Browett

Hoje a Apple anunciou grandes mudanças em sua estrutura. Antes de ler este artigo mais do que opinativo, pare tudo e leia estes dois:

Devidamente lidos? Ok, então vamos lá. 😉

John Browett

Sobre John Browett, não há muito o que falar. Desde o começo muitos contestaram sua contratação levando em conta a fama das lojas pertencentes à empresa que ele comandava (Dixons Retail). Cook bateu o martelo e defendeu o contratado, mas recentes problemas envolvendo possíveis mudanças na vitoriosa filosofia de varejo da Apple [1, 2, 3] provalmente sacramentaram o destino e a curta passagem de Browett pela Apple.

Vale lembrar que isso não é novidade na Maçã, muito menos um “privilégio” de Tim Cook. Comandada por Steve Jobs, por exemplo, a empresa contratou Mark Papermaster como vice-presidente sênior de engenharia de hardware e pouco depois do “Antennagate” o executivo foi demitido.

Levando em conta os acontecimentos, encaro a demissão de Browett como algo muito positivo, mostrando que a Apple soube corrigir o erro rapidamente em vez de empurrá-lo com a barriga.

Scott Forstall

Mas o assunto principal é, sem dúvida, a saída de Scott Forstall, chefão do iOS. Ele entrou na Apple em 1997, sendo um dos executivos de confiança de Jobs. É considerado o pai do iOS e tem muitos, muitos méritos por isso — não esqueça que a dupla iPhone + iPad é a grande responsável pelo estrondoso $uce$$o da Apple. Não é à toa que alguns consideravam Forstall um dos cotados para ser o futuro sucessor de Tim Cook e, na minha opinião, em eventos da empresa, era um dos que tinha melhor presença de palco — assim como Phil Schiller (vice-presidente sênior de marketing mundial).

Mas como tudo na vida tem dois lados, pessoas familiarizadas com o ambiente da Apple afirmaram que Forstall não é flor que se cheire. Dizem, por exemplo, que Jony Ive (guru por trás do designs de iProducts) e Bob Mansfield (vice-presidente sênior da empresa) se dão tão mal com Forstall que eles evitam reuniões com ele sem que Tim Cook esteja presente.

Há pouco tempo noticiamos que existe um embate dentro da Apple sobre a utilização de interfaces que tentam simular a realidade (skeuomorphism). Forstall é defensor da técnica, enquanto Ive e outros figurões são contra. Além disso, recentemente muito tem se falado da falta de inovação no iOS — particularmente não concordo —, dos problemas envolvendo o Mapas e da Siri, que até hoje não é aquela assistente que a Apple prometeu. No caso do Mapas, Tim Cook se desculpou publicamente através de uma carta aberta. Segundo Adam Lashinsky, Forstall se recusou assinar a carta, e essa atitude teria selado seu destino na empresa.

Levando em conta que todas essas informações são verdadeiras, vemos que Ive ganhou o cabo de guerra. No próprio email Cook exalta as qualidades e o bom gosto do executivo, mostrando otimismo — Cook cita que o “abismo” entre Apple e as concorrentes aumentará ainda mais — na liderança do gênio do design não só na construção de belos hardwares, mas também agora sendo também responsável pelo design dos softwares da empresa.

Scott era muito importante para a Apple, mas, levando em consideração o contexto, acredito que a saída dele não representa uma perda — pelo contrário. Ive não precisa provar mais nada para ninguém que é um gênio no que faz. Tanto ele quanto Forstall eram queridinhos e protegidos de Jobs. Com a morte do ex-CEO, ambos perderam seu protetor. Mas os acontecimentos de hoje mostram que Ive definitivamente é o intocável na empresa e Cook deixa isso mais do que claro quando fala que “Jony tem uma estética de design incrível e tem sido a força motriz por trás da aparência de nossos produtos por mais de uma década.”

A permanência de Forstall até 2013 como conselheiro nada mais é do que uma bela de uma geladeira. Se ele saísse da Apple hoje, amanhã estaria na Microsoft, no Google, na Samsung ou em qualquer outra concorrente, o que é péssimo para a Apple — apesar dos supostos problemas, o talento dele é inegável! Por isso, Cook provavelmente vai encher o bolso do ex-chefão do iOS, deixando-o em banho-maria até que as coisas se acertem.

No mais, as mudanças muito me agradam: não tenho nada contra Forstall, pelo contrário. Mas sou fã de Ive e estou ansioso para ver quais mudanças ele trará para a interface de softwares da Apple. Minimalista, com um bom gosto inquestionável — o próprio Cook comenta isso em seu email —, ele agora tem a oportunidade de estender a sua marca e seu trabalho por toda a empresa. Sem dúvida é um desafio — e uma motivação — e tanto!

Bob Mansfield já provou ser muito importante dentro da empresa e ganhou novo fôlego, sendo responsável por uma área superbacana e estratégica. Cook ainda comenta que existem planos ambiciosos dentro da companhia para a utilização de semicondutores — pra mim, um indício de que no futuro poderemos ver Macs equipados com processadores da família A (A5, A5X, A6, A6X, etc.).

A junção da equipe do iOS à do OS X — sob a supervisão de Craig Federighi — muito me agrada, também. Se hoje os sistemas já são bastante integrados, imagine no futuro! Apesar de os problemas com o iCloud, é inegável que ele se tornou uma peça importante para a Apple e que a iTunes Store, a App Store e a iBookstore são um sucesso sob a administração de Eddy Cue. Assumir a responsabilidade da Siri e do Mapas, ao meu ver, foi uma ótima estratégia de Cook.

Posso estar errado, mas enxergo as mudanças de hoje com muito bons olhos e estou muito curioso para ver o resultado das novas atribuições de Ive, Federighi, Mansfield e Cue. Cook está se mostrando um CEO e tanto.

P.S.: Seria incrível se Ron Johnson, um dos pais das Retail Stores, voltasse para a Apple e assumisse novamente o cargo de vice-presidente sênior de varejo, não?

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