Review duplo: IRIScan Book 2 e Readiris Pro 14, um scanner de mão e um software de reconhecimento óptico de caracteres para Mac

IRIScan Book 2 - by MacMagazine

Hoje em dia, muita gente dispensa ter um scanner em casa porque pode simplesmente tirar fotos de documentos e editá-las no computador. O próprio iPhone possui softwares como o Scanner Pro e o ABBYY FineScanner que atendem a essa necessidade de forma bastante razoável, mas para quem precisa muito disso um dispositivo dedicado pode realizar a tarefa com muito mais louvor.

É o caso do IRIScan Book 2, da fabricante I.R.I.S. — que está agora com representação nacional.

IRIScan Book 2 - by MacMagazine

Todo o conteúdo da caixa.

Como já dá pra ver pela imagem acima, o IRIScan é um scanner de mão que permite a digitalização de áreas cuja largura não ultrapasse a de uma folha de ofício (A4) — isto é, pouco mais de 21 centímetros.

IRIScan Book 2 - by MacMagazine

O aparelho funciona com duas pilhas AA e oferece uma excelente autonomia para digitalização de múltiplos documentos. O processo é bem simples: você liga o scanner segurando um botão por dois segundos, aperta novamente esse botão para iniciar a captura e desliza o aparelho sobre a página.

Assista a um vídeo demonstrativo:

Para terem uma ideia da velocidade média de captura, ele é capaz de digitalizar até 3 páginas por minuto (PPM) — o que não é nada mau. Também vale notar que, se for melhor, é possível fazer a digitalização de lado e depois só rotacionar o arquivo no computador.

O armazenamento de documentos no IRIScan é feito dentro de um cartão de memória microSD de 2GB, o suficiente para armazenar um sem número de documentos antes de precisar descarregá-lo (mas o usuário pode utilizar outro de capacidade maior, é claro). A conexão com o Mac/PC pode ser feita via USB ou então através de um adaptador para o formato SD que está incluso no pacote.

IRIScan Book 2 - by MacMagazine

Evidentemente, a quantidade de documentos que o cartão aguenta depende da qualidade da captura. O IRIScan Book 2 suporta digitalizações coloridas ou monocromáticas, com 300 ou 600 pontos por polegada (dots per inch, ou DPI). Todos os arquivos ficam salvos em formato JPEG.

IRIScan Book 2 - by MacMagazine

No pacote também está inclusa uma bolsinha no formato do scanner para fácil transporte, um paninho para limpeza, uma ficha para calibragem de branco e um CD [é…] com o software Readiris Pro 12. Para este review nós usamos a versão mais atual dele, a 14, que é vendida separadamente pela empresa.

Eis um exemplo de folha de livro que digitalizamos:

Scan de livro

Aqui, ela sendo processada pelo Readiris Pro 14:

Scan de livro no Readiris

Exportamos o arquivo em texto e aqui está o exato resultado disso:

3° lunar MORRO DO SAMBA de Roland Fischmann

JULGAMENTO

V éio era seu nome de guerra. Com olhos negros, grandes sobrancelhas e lábios finos, transpirava inteligência e violência psícótica. Fazia parte da cúpula do PCC e sua base era a favela do Morro do Samba, nos subúrbios de São Paulo.

Naquela tarde haveria um julgamento e o Veio adorava esses momentos de puro poder. Pontualmente às 3, como havia sido previamente combinado, o julgamento começou. Os acusados, dois rapazes, e a vítima, uma moça que dizia ter sido estuprada, estavam frente a frente no barraco, vigiados por dois soldados da organização com seus trezoitão presos na cintura. O V éio e mais dois outros membros graduados do comando seriam os juízes e participariam do julgamento em teleconferência.

– E aí neguinho, o que ocê tem a dizê? – perguntou um dos juízes.

– Nóis tava no buteco do Jurandí tomando uns birinaites e a moça também tava lá com seus amigo. Quando eles foram embora a moça se engraçou com nóis c aí depois de uns papos levamo ela prum beco escuro.

– E ocê aí neguinho, confirma o que o teu mano tá dizendo?

– perguntou outro juiz.

– Sim, ela ficou jogando os óio encima de nóis. Só podia tá

afins de unzão e aí nóis completô o serviço. – O que ocês fizeram então?

– N óis levamo um papo e falamo de puxá um baseado Ia no

beco e ela topô. Aí nóis foi prá lá. Ela começô com frescura depois do base e aí nóis não gostã.

Como vocês podem observar, a dupla scanner+software fez um excelente trabalho de digitalização e reconhecimento óptico de caracteres (optical character recognition, ou OCR) da folha do livro. Não ficou perfeito, mas se você comparar o tempo que levará só arrumando os detalhes com quanto demoraria para digitar tudo do zero, manualmente, já dá pra ver como ele é uma mão na roda.

É claro que nem tudo o que é digitalizado gera um resultado tão satisfatório assim. Por aqui, experimentei o scanner em mais três folhas totalmente diferentes e em duas ele chegou bem perto do que vocês veem acima, mas a terceira era uma página de revista cheia de gráficos e textos em colunas — aí ele se embaralhou legal.

O Readiris faz reconhecimento óptico em mais de 130 idiomas diferentes, incluindo o português, com ótima performance (até porque aproveita as capacidades de processadores com múltiplos núcleos). Os documentos podem ser exportados para o formato do Microsoft Office, do OpenOffice ou extensões como PDF, RTF, TXT e até HTML. Nesta última versão, ele também se integra a serviços de computação na nuvem como Dropbox, Evernote, Google Docs e Box.net.

Alguns já devem ter imaginado que o uso do IRIScan Book 2 é independentemente do Readiris, e é isso mesmo: o scanner não depende do software para gerar seus arquivos, tanto quanto o software pode ser usado com imagens geradas de qualquer outro lugar. 😉


✔ PRÓS

  • Leve e portátil.
  • Funciona com pilhas AA convencionais e sem a necessidade de estar conectado ao computador.
  • Boa qualidade de digitalização.
  • Capacidade flexível com o uso de cartões de memória microSD.
  • Software de OCR com bons recursos e ótima precisão para reconhecimento.
✘ CONTRAS

  • Não deixa de ser um dispositivo extra, quando até mesmo iGadgets já conseguem realizar sua função razoavelmente bem.
  • Digitalizações limitadas à largura de uma folha de ofício (~21cm).
  • Não vem com a última versão do Readiris, ainda que vir com um software de OCR já possa ser visto como uma vantagem.

O IRIScan Book 2 pode ser encontrado no varejo nacional com preço sugerido de R$300, enquanto o Readiris Pro 14 pode ser adquirido por R$160. O software também está disponível online por US$130 ou pela Mac App Store [78,8MB; requer o OS X 10.6.6 ou superior], mas lá a versão disponível ainda é a 12. Ele possui ainda uma versão para iPad, a qual custa US$38 na App Store [86,2MB; requer o iOS 5.0 ou superior].

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