Opinião: um iPhone de baixo custo *não* quer dizer que a Apple mudou ou que ela perdeu seu rumo

iPhone 3GS (preto e branco)

É inegável que apenas Apple e Samsung estão se dando bem na guerra mobile. Elas são as únicas que estão ganhando dinheiro enquanto HTC, Nokia, Research In Motion (RIM) e algumas outras lutam para se manter de pé. Contudo, as duas líderes têm estratégias bem diferentes: enquanto a Apple lança apenas um aparelho, a Samsung coloca quantos puder no mercado, atingindo o máximo possível de pessoas/público.

Apenas como curiosidade, confira um comparativo de lançamentos de aparelhos de algumas fabricantes em 2012, conforme informou o Fortune Tech:

  • Samsung: 37
  • LG: 24
  • HTC: 18
  • Nokia: 9
  • Apple: 1

Desde 2007 a Apple lança apenas um iPhone por ano. Agora, veículos respeitáveis como WSJ.com e Bloomberg (sem falar no polêmico DigiTimes) estão apostando que a Maçã lançará um iPhone de baixo custo, oferecendo mais uma opção para quem não pode se comprometer e comprar um aparelho caro, como o iPhone de hoje.

Bastou isso para, mais uma vez, um monte de gente dizer que a Apple está perdida, que ela não é mais a mesma… aquela ladainha de sempre. Para essas pessoas, não custa lembrar que o iPad mini não deixa de ser um iPad low-cost, assim como o iPod shuffle, o nano, os antigos MacBooks, o Mac mini, entre outros produtos já lançados pela Maçã. Podemos, sim, classificar eles como low-cost dentro de suas categorias. E olha que surpresa: com a exceção do iPad mini, todos estão por aí há bastante tempo e ninguém comentava essa história de perder o rumo e não ser mais a mesma por causa deles.

O iPhone é uma categoria, uma linha de produto da Apple assim como o iPad, o iPod e o Mac. Sim, ele representa mais de 50% do faturamento da empresa e é extremamente importante, mas isso não quer dizer que ela precisa seguir a mesma estratégia de 2007 e comercializar um único aparelho até o fim da vida. O mundo muda, as necessidades mudam, assim como as estratégias. No começo, um iPad mini não fazia sentido. Hoje, faz. Em 2007, um iPhone de baixo custo não fazia sentido, pois o que a Apple queria era deixar a indústria de quatro, sem entender o que ela foi capaz de fazer por um bom tempo. E foi isso que a Apple fez. Agora, um iPhone mais barato pode fazer sentido para a empresa, mas isso não quer dizer que a Apple fará uma droga de aparelho (frágil, vagabundo ou algo do tipo).

iPhone 3GS (preto e branco)

Quando olho para o histórico do iPhone vejo como a Apple melhorou o projeto dele, principalmente com o lançamento do iPhone 4 (estrutura de vidro) e com o iPhone 5 (de alumínio). Para mim, isso é um diferencial e tanto! Mas isso não quer dizer que um iPhone de baixo custo, feito de plástico (exemplo), será ruim. Você lembra do iPhone 3G? E do 3GS? Lembra do MacBook branco e preto? Pois todos esses produtos tinham uma carcaça de plástico e nem por isso pareciam/eram produtos de baixa qualidade.

Mais uma vez vou recorrer ao iPad mini: ele é inferior ao seu irmão maior em alguns aspectos (tela Retina, processador, etc.), mas em outros (como design e alto-falante estéreo) é superior. Ainda assim, ele custa (lá fora) 34% menos (US$330), podendo ser considerado uma tablet low-cost. Claro que existem tablets mais baratas, assim como existirão aparelhos mais baratos que um iPhone de baixo custo, se ele vier. Mas uma coisa não interfere na outra.

Alguém duvida que a Apple tem capacidade de criar um iPhone muito bom, com a qualidade que esperamos, por um preço mais acessível? Se esse iPhone vai derrubar a margem de lucro da empresa, isso é um outro assunto. Mas que ela pode, pode. E isso de maneira nenhuma quer dizer que a empresa perdeu seu rumo e se tornou (adotou as mesmas estratégias de) uma Nokia, uma LG, uma HTC ou uma Samsung da vida. Ela está apenas se adaptando a uma nova realidade, uma diferente de 2007.

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