Engenheiro que trabalhou no Xbox enxerga a chegada de aplicativos à Apple TV como uma grande ameaça

Apple TV preto de lado

Apple TV preto de ladoDesde seus primórdios, quando a Apple TV [aka “iTV”, na época] ainda era construída em alumínio, ela sempre foi classificada pela companhia como um “hobby”, prova disso é que ele nem é anunciada como um dispositivo iOS. Todavia, desde 2010, quando ganhou sua primeira grande atualização, a sensação de “hobby” começou a sumir e, com o passar do tempo, a Apple TV foi se tornando ainda mais legal e útil, e não só um mero acessório.

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Bem antes até de o iOS 6 (ou Apple TV Software 5.1) sair, um leitor do MacMagazine descobriu um recurso simples, mas que virou notícia internacional no mundo da Maçã: a possibilidade de trocar a posição dos ícones na tela inicial dela — assim como fazemos no iPhone, mas usando o controle e não o dedo —, o que para muitos seria uma evidência de que estava nos planos da Apple entregar um SDK a desenvolvedores junto ao tal update. Mas, infelizmente, não foi o que ocorreu; quem sabe os planos tiveram que ser adiados por algum motivo.

Em 2007, quando o lançamento do celular da Apple era iminente, as líderes de mercado da época, em sua maioria bem consolidadas, não imaginavam que o iPhone seria uma bomba tão forte, capaz de afetá-las significantemente ou até mesmo quebrá-las. Desta vez, é diferente: muitas delas já estão se preparando para o impacto e sabem a força que a gigante de Cupertino tem, principalmente quando grandes especialistas no mundo as alertam. Um exemplo desses é Nat Brown, participante da primeira equipe de engenheiros que desenvolveram, em 1999, o primeiro Xbox. Ele já enxerga a mistura de Apple TV e aplicativos como uma grande ameaça para a concorrência, principalmente para sua criação.

Com tantos analistas pelo mundo comentando o assunto, Brown não perdeu a oportunidade e escreveu um artigo no seu blog relacionando os apps que conhecemos hoje na era iOS com o padrão de jogos para Xbox: para começar o preço, o volume de alternativas e, além disso, o método de criação e distribuição. Ele comenta que aceitar desenvolvedores de pequeno porte e disponibilizar tudo pela App Store — não por mídias físicas, que acabam encarecendo o produto — é uma jogada de mestre, o que fez (e ainda faz) a Apple disparar na frente da Microsoft; e o fato de esta insistir em sua postura é uma grande brecha para a Maçã chegar como um tsunami, mais uma vez.

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Por que não posso desenvolver um jogo para Xbox amanhã com US$100 de ferramentas e meu laptop Windows, e testá-lo em minha casa ou na casa de meus amigos? Por que não posso depois distribuí-lo digitalmente em uma loja online decente, oferecendo 30% como forma de pagamento para quem distribui e, ainda sim, ficar rico (se for grande jogo), da mesma forma que posso fazer para o Android, para iPhone ou para iPad?

O engenheiro também pontua o quão difícil é encontrar um desenvolvedor independente para Xbox, que dirá fazendo sucesso. A plataforma de criação e a forma de distribuição da Microsoft são muito irreais para os dias de hoje, por isso a Apple seria capaz de mais uma vez vir como uma bomba: de uma vez só, abocanhar um percentual absurdo das gigantes Sony (PlayStation) e Microsoft (Xbox). Para Brown, a gigante de Redmond vive em reflexos do sucesso do passado na questão de seu console de jogos, e não busca atrair mais desenvolvedores (mais opções), pré-requisitos para os videogames de um futuro não tão distante.

Os números atuais já dizer muito por si só, mesmo a Apple TV ainda não sendo um console aberto: 5,3 milhões de unidades vendidas em 2012, crescimento de 90%, vs. Xbox 360 — cerca de 9 milhões de unidades em 2012, queda de 60%. […] E quando a Apple TV for além do que é hoje, um console?

Pelo jeito, Brown está bem alinhado com Gabe Newell, cofundador da Valve.

Ícone - XcodeAntes da App Store, aplicativos/jogos na qualidade que temos por meros US$1-10 pareciam impossíveis, e hoje são “padrão” — graças à Apple e à aprovação dos consumidores. Pessoalmente, acho que a firma de Cupertino deve aproveitar a WWDC deste ano para finalmente abrir esse SDK para desenvolvedores e criar um cenário bem favorável para a próxima revolução.

[via MacRumors]

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