Afinal, existem ou não projetos falsos dentro da Apple para testar a lealdade de empregados?

Steve Jobs no palco com um "top secret" ao fundo

No começo de 2012, durante uma entrevista com Adam Lashinsky (autor do Livro “Inside Apple”) no campus do LinkedIn, uma pessoa na audiência afirmou que um amigo tinha trabalhado em projetos falsos na Apple por nove meses antes de trabalhar em algo real. A declaração seria para reforçar a ideia de segredo dentro da empresa, um dos assuntos comentados por Lashinsky.

Steve Jobs no palco com um "top secret" ao fundo

Depois disso, muita coisa sobre o assunto foi dita mas nunca houve nenhuma confirmação de que esses tais projetos falsos de fato existem e fazem parte dos planos da Apple para testar a lealdade de seus empregados.

Jacqui Cheng, do Ars Technica, resolveu investigar a fundo isso e constatou: *não* existe essa história de projeto falso dentro da Apple. Conversando com diversos amigos que trabalham na empresa — fora os anos de experiência cobrindo as notícias da Maçã —, Cheng não ouviu nada sobre a prática. Para não falar “nunca”, ela conta que apenas um amigo do amigo do amigo mencionou o assunto uma vez, mas que ele inclusive deveria ser tratado como um rumor.

Camiseta "segredo", da Apple

Os [ex-]empregados (amigos de Cheng) falaram algo que a gente já sabe: a Apple é altamente séria e focada em relação ao trabalho realizado por seus empregados e não desperdiçaria o preciso tempo deles em projetos assim, que não contribuem em nada com a empresa. Um deles comentou: “Eu realmente não vejo a necessidade desse tipo de coisa, porque tudo é NDA [regido por um acordo de confidencialidade] nos menores níveis. Você pode ser contratado para uma posição na qual eles não lhe dizem com o que você está trabalhando de antemão, com certeza, mas se eles estão escolhendo você, com o seu conjunto de habilidades, você pode ser capaz de arriscar um palpite sobre o que é. É muito mais fácil fazer alguém assinar um acordo NDA e depois demiti-lo se ele o violar.” Simples assim.

Na verdade, o que vemos são vazamentos de informações partindo de fornecedoras da Apple na Ásia. Em Cupertino, ao que tudo indica, as coisas estão muito bem controladas. Resta à Apple exigir o mesmo nível de comprometimento de suas parceiras.

Agora, se alguém dentro da Apple é flagrado vazando informações, aí o bicho pega. Um ex-empregado disse já ter presenciado uma interdição parcial de um escritório, o qual ficou cercado de seguranças privados (normalmente ex-militares, ex-agentes do FBI, etc.). Nessa hora, ninguém pode deixar o recinto e os seguranças podem vasculhar/copiar todos os documentos digitais e físicos. Se quiserem, podem ainda levar alguma pessoa para uma rodada de questionamentos. Contudo, esse cenário não acontece muitas vezes — de acordo com o ex-empregado, uma vez a cada dois anos seria uma boa média.

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Daniel Jalkut, também ex-empregado da Apple, corroborou a afirmação de Cheng dizendo que nunca, em sete anos de empresa, ouviu falar em desperdício de tempo de profissionais em projetos falsos. Projetos cancelados, sim; falsos, jamais.

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