Medicina móvel: apps prometem informar sobre saúde do paciente, mas não substituem consulta

AliveCor no iPhone

Durante um voo doméstico de Washington, D.C. para San Diego, um passageiro sentiu fortes dores no peito e a tripulação imediatamente perguntou pelo interfone se havia algum médico a bordo. Por sorte, Eric Topol, cardiologista, diretor do Scripps Health e uma das pessoas mais influentes no campo da medicina móvel, estava no avião e, com seus conhecimentos e um aplicativo instalado no iPhone, conseguiu ajudar e salvar a vida do homem.

A 30.000 pés de distância o médico realizou um eletrocardiograma por meio de um app da AliveCor e constatou que o passageiro estava tendo um ataque cardíaco. Após a comprovação, o piloto fez um pouso de emergência e o viajante foi encaminhado para o hospital mais próximo. De acordo com informações do site Rock Center, o cardiologista afirmou que os smartphones são o futuro da medicina e para ele tem sido mais significativo indicar aplicativos do que receitar medicamentos.

AliveCor no iPhone

A afirmação de Topol pode parecer entusiasta demais, no entanto os dispositivos capazes de medir os sinais vitais, nível de açúcar no sangue, frequência cardíaca e hábitos de sono não têm como objetivo substituir a consulta médica — e sim ajudar os pacientes com informações básicas. Além disso, segundo o cardiologista, os aplicativos podem usar os dados recolhidos e avisar se houver sinais de doenças como a diabetes e o câncer, indicando as pessoas a procurarem um especialista imediatamente.

Pode parecer cena do filme Blade Runner [Ridley Scott, 1982], porém num futuro não muito distante a corrente sanguínea de cada pessoa vai poder ser digitalizada. Funciona assim: cada pessoa terá um sensor no sangue cuja finalidade será mapear as células e informar quais delas são sadias e quais estão doentes; esse sensor dará um sinal de alerta para avisar se existe algo possivelmente anormal no organismo. Tal como quando o carro está com pouca gasolina, o medidor avisa que você está à beira de utilizar o tanque reserva e em poucos instantes ficar à deriva na rua.

Talvez seja tudo um plano para habitar o mundo com Nexus-6 [nada a ver com os produtos do Google, ainda estamos falando do filme, hehe] — clonagens fisicamente idênticas aos humanos porém mais fortes e ágeis, fabricadas pelas Tyrell Corporation no longa de Scott. O cardiologista salvador ainda vai longe nas suas teorias e assegura que todos devem ter o DNA sequenciado com função de revelar as doenças às quais o indivíduo está propenso a ter. Contudo, ainda não há estudos comprovados a respeito de como esse sequenciamento é eficaz para tratar uma doença.

Os mais conservadores podem classificar os aplicativos como balela, porém há uma pequena parcela que defende o uso da tecnologia como forma de melhorar a qualidade de vida. “O mais importante não são quais recursos as pessoas estão buscando para saber se o nível de açúcar está alto, e sim como elas estão dispostas em mudar seus hábitos”, explicou Denis Wilson, 30, médico do trabalho de São Paulo, dono de um iPhone 4S cujo espaço é praticamente todo tomado por apps de saúde.

Análise do xixi

Além do sensor citado por Topol, outro aplicativo está causando burburinho no mundo dos smartphones; trata-se do uChek. Fácil de fazer e não tão simples de explicar: a pessoa urina, põe num potinho e tira a foto. Em horários diferentes ela vai repetindo tal ação e depois de alguns potinhos o dispositivo é capaz de analisar os resultados comparando-os com um mapa do seu próprio xixi. Utilizando as cores como guia, o sistema é capaz de informar sobre níveis de glicose, proteína e leucócitos presentes no líquido.

Pode parecer simples perto daqueles exames laboratoriais cujos potinhos você leva escondido na sacola mais imperceptível que tem em casa, porém essas informações são úteis para pessoas que sofrem com a diabetes e problemas de bexiga, fígado e rins. A ideia é de Myshkin Ingawale, cofundador da Biosense Technologies e como ele mesmo se define no seu LinkedIn: “TED Fellow at TED Conferences”.

O monitor cardíaco da AliveCor está disponível apenas para as versões 4 e 4S do iPhone, e custa a bagatela de US$200. Já o uChek será disponibilizado na App Store no final de março, com custo inicial de US$20.

[via AppleInsider, Wired.com]

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