O que a Samsung apresentou de novidade com o seu mais novo smartphone, o GALAXY S 4 [atualizado: disponibilidade e preços no Brasil]

Galaxy S 4 deitado

Agora há pouco, em um evento realizado em Nova York, a Samsung apresentou o seu mais novo smartphone, o GALAXY S 4.

Galaxy S 4 deitado

Deixando o evento de lado — não consigo entender por que a Samsung cisma em fazer eventos tão grandiosos assim, tentando até mesmo dar um tom fantasioso à la Disney —, o novo aparelho tem um design bastante parecido com o do seu antecessor, o S III. A sul-coreana, como sempre, focou bastante nas especificações técnicas do aparelho as quais, de fato, são bem poderosas.

Eis as principais:

  • Tela de 5 polegadas Super AMOLED, Full HD (1080p), com 441 pixels por polegada.
  • Processador Exynos 5 Octa (8 núcleos, 1,6GHz) ou Snapdragon S4 Pro (4 núcleos, 1,9GHz); depende do país onde ele é vendido.
  • 2GB de RAM.
  • 16GB, 32GB e 64GB de armazenamento, com entrada para microSD.
  • Bateria de 2.600mAh.
  • Câmera frontal de 2 megapixels e traseira de 13 megapixels.
  • 8 sensores internos (giroscópio, acelerômetro, umidade, temperatura, infravermelho, etc.).
  • Conectividade 3G e 4G (LTE, de até 100Mbps) global — ou seja, funciona em praticamente todos os países.
  • NFC, Wi-Fi a/b/g/n/ac (até 1Gbps) e Bluetooth 4.0.
  • Entre outras…

Galaxy S 4

Todavia, como eu sempre insisto em dizer, especificações são ótimas para vender produtos (o meu aparelho tem isso, isso, aquilo, etc.), mas na prática não quer dizer que o consumidor terá uma experiência satisfatória. Muito mais do que esses números, me interessa saber o que a Samsung trouxe de bacana, de recursos para esse novo aparelho.

Antes de entrar nesse ponto, uma coisa temos que admitir: a Samsung está muito à frente da Apple no reconhecimento de nosso país. Durante o evento, o Brasil (e o Rio de Janeiro) serviram como enredo para a historinha que ela estava contando, mostrando que a companhia está de olhos bem abertos para o nosso mercado. Além disso, um dos recursos bacanas do S 4, o S Translator (que traduz de forma bem rápida algo falado/escrito pelo usuário) já chega com suporte ao nosso idioma — bem diferente da Siri, que até hoje não fala a nossa língua (nem várias outras).

Mas o S 4 tem mais novidades que vão além do S Translator. O Group Play permite a transmissão de dados com até oito aparelhos simultaneamente. Durante o evento, a Samsung usou como exemplo um grupo de amigas que, ao encostar os aparelhos uns nos outros, fizeram uma grande festa já que a música de um deles passou a tocar em todos rapidamente. Jogos também podem se aproveitar desse recurso, que não precisa de uma conexão Wi-Fi, 3G ou 4G para funcionar.

Já o S Voice [Drive] agora serve como um assistente na hora em que a pessoa estiver dirigindo. Assim como a Siri, ele é capaz de interagir com o usuário e ler mensagens, emails e outras coisas.

Bracelete - Galaxy S 4

A Samsung também apresentou acessórios específicos para o S 4. Braceletes, monitores cardíacos, balanças, um Game Pad pra lá de bizarro, entre outras coisas. Tudo faz parte do que a empresa chama de S Health. Com a ajuda deles, é possível registrar os passos de uma caminhada/corrida, saber o gasto calórico de um determinado dia, monitorar o seu peso e mais. Por ter também um sensor de umidade, o aparelho pode monitorar a temperatura e a umidade do ar.

Um dos rumores que rondavam o novo aparelho era a possibilidade de o usuário não precisar rolar a página com o dedo para ler o texto. Através da câmera frontal o aparelho seria capaz de reconhecer aonde os olhos do leitor estariam e, assim, rolar a página para cima ou para baixo. Isso não se concretizou, em partes. Além de estar olhando para a tela, é preciso inclinar um pouco o dispositivo para que ela faça essa rolagem. Contudo, a câmera frontal pode perceber se os olhos estão atentos o suficiente para pausar/reproduzir um vídeo automaticamente, sem a necessidade de encostar na tela.

Para mulheres com unhas grandes e homens que acabaram de comer aquele delicioso Big Mac, o recurso Air View/Gesture pode ser bastante útil, pois não é preciso encostar na tela para que o comando touch seja reconhecido. Basta aproximar o dedo o suficiente para alternar uma música ou páginas do navegador ou fotos. Dá até para usar o telefone com luvas, o que é ótimo para pessoas que moram em países com inverno rigoroso.

Outro recurso legal é o Adapt Display, que ajusta as características da tela (brilho, contraste, etc.) da melhor forma, de acordo com o ambiente e no que a pessoa está vendo (vídeo, página web, fotos, etc.).

Também é possível gravar um recado de voz anexado a uma foto (Sound & Shot), criar apresentações de slides com as fotos (Story Album), utilizar as duas câmeras do aparelho ao mesmo tempo num chat (Dual Video), controlar aparelhos como TV e set-top boxes pelo telefone (WatchON), entre outras coisas.

Vídeo de apresentação do GALAXY S 4.

Galaxy S 4 de ladoSim, eu estava sendo legal e destacando apenas as coisas bacanas do aparelho. Contudo, assim como muitos usuários reclamaram na época do lançamento do iPhone 5 (e do iPhone 4S, do iPhone 3GS…), o S 4 é visualmente bastante parecido com o S III. Será que ouviremos as mesmas críticas? Além disso, ele continua trambolhudo (agora são 5 polegadas contra 4,8 do S III, vale notar), ainda é feito de plástico e, mesmo sete meses depois do lançamento do iPhone 5, a Samsung não conseguiu fazer um aparelho mais fino e mais leve que o da Apple (são 7,6mm/112g do iPhone 5 contra 7,9mm/130g do S 4). É verdade que o aparelho tem uma tela e bateria maior. Mas isso é uma decisão estratégica da Samsung — assim como alguns consumidores valorizam isso, outros olham para peso e espessura na hora de escolher um aparelho. Ao menos ela trocou a antiga versão “azul feio pra caramba” por um pretinho básico. ;-)

O evento, então… sem querer ser tendencioso, se tem uma coisa que todas as empresas deveriam tentar copiar são as apresentações da Apple, que são simples, elegantes, eficientes e direto ao ponto. Esse showzinho que a Samsung fez hoje e o que a Qualcomm fez na abertura da CES 2013 não são algo que eu consigo levar a sério. É *tentar* ser cool onde não tem que ser.

Outro fato negativo: preço. A Samsung nem mesmo tocou no assunto. Sabemos que ele será lançado em abril, em 155 países — Brasil não está nessa. E só.

Galaxy S 4 de costasA verdade é que, assim como a Apple, a Samsung acertou com o Galaxy S III e, em vez de reinventar a roda, está aprimorando o seu produto. A diferença é que a sul-coreana conseguiu acertar no terceira geração do Galaxy, enquanto o iPhone foi um tiro certeiro desde a primeira geração.

O que me pegou de surpresa nessa história toda foi ler ontem três entrevistas que Phil Schiller deu para o WSJ.com, para a Reuters e para a Bloomberg. Nelas, o vice-presidente sênior de marketing mundial da Apple meteu o sarrafo no Android, dizendo que a experiência de uso não se compara a do iPhone (iOS) e que, em muitos casos, os robozinhos verdes são dados (de graça) para consumidores como substitutos de telefones comuns (os chamados feature phones). Sobrou até mesmo para a Samsung, já que Schiller comentou a possibilidade de o S 4 ser lançado com um Android defasado — coisa que não aconteceu, já que o novo aparelho da Samsung virá com o Android 4.2.2 (Jelly Bean).

Executivos da Apple não costumam dar entrevistas assim, do nada. Ainda mais para falar da concorrência. Normalmente, quando uma entrevista dessa rola é para falar da Apple e de seus produtos. Ontem, véspera de um evento da Samsung, Schiller saiu em defesa do iOS, o que foi bem estranho. Pra completar, hoje a Maçã liberou o OS X 10.8.3, justamente no dia do evento. Posso estar ficando maluco e inventando teorias conspiratórias mas, para mim, ficou claro que a Apple está incomodada com a sul-coreana.

E eu espero que esteja incomodando, mesmo. Espero que o S Translator com suporte ao português do Brasil faça a Apple se mexer. Espero que a Apple lance um “iWatch” que, além de outras coisas, faça esse papel de monitor cardíaco/contador de passos e seja totalmente integrado ao iPhone, como os acessórios lançados pela Samsung. Ou seja, espero que a concorrência sirva para o seu melhor propósito: evolução. E nisso, sabemos que a Apple é quase imbatível.

Atualização

Logo após o evento, a Samsung falou sobre o lançamento do GALAXY S 4 no Brasil e em outros países do mundo. Por aqui, de acordo com o TechTudo, ele será lançado em 26 de abril e custará a partir de R$2.400 (modelo 3G) e R$2.500 (modelo 4G). Apesar de a empresa não ter confirmado, tudo indica que esses valores são para as versões com 16GB, ou seja, para os modelos de entrada — esses preços são para aparelhos desbloqueados, sem vínculo com operadoras.

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