Novo chip de localização da Broadcom promete consumir até 60% menos energia em smartphones

Ícone de bateria

Há muito tempo podemos dizer que bateria é o “calcanhar de Aquiles” do iPhone e de muitos smartphones topo-de-linha do mercado. A tendência das fabricantes é construir sempre aparelhos menores mais finos, embutindo neles o máximo possível de recursos. São sensores e mais sensores, processadores, chips 3G/4G, Wi-Fi, Bluetooth… isso apenas para enumerar alguns. Alguma coisa precisa ser sacrificada nessa história e, normalmente, a bateria é o componente que mais sofre.

Ícone de bateria

Um dos recursos que mais consome bateria é o GPS. Alguém aqui já experimentou utilizar os mapas da Apple? Ou o recurso de navegação ponto a ponto do Google Maps? Eles simplesmente devoram a bateria do aparelho! E criar um lembrete para ser avisado de algo assim que chegar em casa (o que a Apple chama de cerca virtual geográfica)? Isso também consome muita bateria e chega a comprometer o uso do recurso — se você estiver com 20% ou menos, nem sonhe utilizá-lo! 😛

Muitos apps de redes sociais também adotaram essa cerca virtual geográfica para, por exemplo, lhe avisar se você está próximo de um amigo ou coisas do tipo. Porém, como sempre, deixar isso ligado é pedir para a bateria do iPhone durar pouquíssimas horas.

Mas isso pode mudar em breve. Durante o Mobile World Congress 2013, a Broadcom apresentou o chip e BCM47521, o primeiro GNSS (global navigation satellite system, ou sistema global de navegação por satélite) que oferece o recurso de geolocalização ao mesmo tempo em que preserva a bateria do aparelho.

De acordo com a fabricante, a nova arquitetura do chip faz com aplicativos não precisem rodar 100% do tempo, o que causava o consumo excessivo da bateria. Com a nova implementação, a Broadcom promete um consumo de 60%(!) menos energia do que os atuais chips, possibilitando o uso contínuo do recurso de cerca virtual geográfica sem sobrecarregar a bateria. Ainda segundo ela, o chip estará disponível no segundo trimestre do ano, ou seja, a Apple teria tempo suficiente para adotá-lo no próximo iPhone.

Nosso colaborador Leonardo Coppelo, que cobriu a MWC 2013 para nós, entrou em contato com a Broadcom e lhes fez algumas perguntas. Elas foram respondidas por Manuel del Castillo, gerente sênior de produtos da empresa. Confira abaixo a nossa entrevista:

MACMAGAZINE: Eu posso deixar o meu smartphone com a cerca virtual geográfica ativada durante todo o dia e não ter problemas de bateria?

Manuel del Castillo: Com a arquitetura única da Broadcom, você pode usar o recurso de cerca virtual geográfica durante todo o dia, sem qualquer efeito perceptível sobre a bateria.
 
MM: Como se dá a dissipação de calor do novo chip?

MdC: Uma vez que o consumo de energia é muito baixo, não há dissipação de calor perceptível. [Resumindo, seu aparelho não vai fritar um ovo enquanto o recurso estiver sendo utilizado! :-P]
 
MM: Como o chip pode melhorar futuros produtos, como relógios inteligentes (smartwatches)?

MdC: Esse chip foi projetado para ser utilizado em smartphones. No entanto, os futuros chips Broadcom irão atender às necessidades de baixa potência de localização para outros dispositivos além de smartphones.

MM: Para usuários comuns, qual é a magia dessa nova tecnologia?

MdC: Check-ins ou compartilhar sua localização em redes sociais são apenas uma pitada do que apps baseados em serviços de localização podem fazer para os consumidores e para empresas que querem ser alcançadas. Há pelo menos quatro casos de uso chave para cerca virtual em aplicativos de smartphones: 1. redes sociais com informações de localização; 2. notificações push para o marketing móvel; 3. configurações do dispositivo e lembretes com base na localização; e 4. controle de ativos.

Hoje, por exemplo, uma loja pode lhe enviar um cupom com base em sua última compra ou hábitos de busca online. No futuro, a mesma loja que poderá lhe enviar um cupom para uma nova TV inteligente que você está observando na loja. As aplicações são infinitas e isso é apenas o começo. Será fascinante ver que tipo de aplicativos desenvolvedores criarão para tirar proveito da tecnologia de cerca virtual.

A Broadcom não comentou nada sobre melhorias no uso ativo do GPS — aquele primeiro cenário que eu usei como exemplo de navegação ponto a ponto do Google Maps. No meu entendimento isso não mudará muito, pois esse recurso de rotas e tudo mais *precisa* do GPS 100% ativado o tempo todo, já que coisas como rota, localização, tráfego são monitorados constantemente.

Mas a notícia não deixa de ser positiva e até mesmo animadora, pois mostra que a tecnologia está avançando bem rapidamente nessa área. Resta, agora, as baterias também avançarem um pouco mais. Aí, o ciclo estará completo!

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