D11: Tim Cook fala sobre ações, Apple TV, “iWatch”, iOS 7, iPhone, aquisições e muito mais! [atualizado]

Tim Cook na D11

Conforme avisamos na segunda-feira, ontem (terça-feira, 28/5) Tim Cook abriu a D11, conferência de tecnologia do Wall Street Journal — uma repetição do que ocorreu em 2012. Assim como no ano passado, o evento precedeu a WWDC e Cook escolheu muito bem as palavras para não dar com a língua nos dentes e estragar alguma possível novidade que poderá ser apresentada em 10 de junho, no evento da Maçã.

Tim Cook na D11

O CEO da Apple falou sobre diversos assuntos e, abaixo, destacamos os mais importantes.

Problemas

Concorrência forte da Samsung, ações em baixa, pressão do governo americano… estaria a Apple com problemas? Essa foi a primeira pergunta de Walt Mossberg. E, para ela, Cook se mostrou bem tranquilo, dizendo que a Apple é uma empresa focada em produtos e se preocupa basicamente com isso (em fazer o melhor). Historicamente a companhia sempre teve que brigar pelo mercado. Antes com Microsoft, Dell, entre outras. Agora com Google, Samsung, Microsoft (no mercado de PCs), etc. No fim, o que importa é tentar fazer o melhor telefone, o melhor tablet, o melhor computador — e a Apple faz isso.

Ações

Os papéis da empresa hoje valem bem menos (cerca de US$440) do que o pico de mais ou menos US$700, atingido em setembro passado. Falando sobre isso, Cook se mostrou frustrado. Contudo, para quem acompanha o mercado há bastante tempo, é algo normal. Em 2007, por exemplo, as ações da Maçã valiam US$200; meses depois caíram para algo em torno de US$75. Para Cook, o que está acontecendo agora é algo cíclico, “normal”.

Apple TV

Mossberg afirmou que a Apple é uma empresa capaz de “virar o jogo”, mas que isso não acontece há um certo tempo — será que ele esqueceu do iPad? Faz apenas três anos que o produto foi lançado! Independentemente disso, Cook respondeu dizendo que a Apple ainda é essa empresa, que cultura não mudou, que os empregados estão lá e que isso acontecerá.

Nós ainda somos a empresa que fará isso. Estamos planejando coisas incríveis as quais estão sendo trabalhadas há um bom tempo.

Tim Cook na D11

Foi a deixa para Mossberg e Kara Swisher sabatinarem Cook sobre uma possível nova Apple TV, mas o executivo se manteve firme, dizendo a mesma coisa de sempre: que televisão é uma área de grande interesse. Para não dizer que Cook ficou apenas nisso, ele comentou que o set-top box atual é ótimo e que resolve alguns problemas da experiência com televisões, mas não todos. Mossberg até brincou, dizendo que o interesse da Apple é tão grande que a empresa lançará algo novo este ano, mas Cook não caiu na pegadinha do jornalista. 😛

“iWatch”

Saindo de um rumor e entrando em outro: gadgets os quais podemos vestir. Cook disse que esse tipo de produto é uma área “profundamente interessante” — ele mesmo usa uma Nike+ FuelBand, por exemplo. O problema, segundo Cook, é que os bons produtos fazem apenas uma coisa. Hoje, os que tentam atacar muitas áreas não resolvem nenhum problema direito e é aí que está o desafio que muitas empresas tentarão resolver. Ao ser perguntado se a Apple viria com a solução, Cook desconversou.

Mas, como dá para imaginar, existem dezenas de opções de gadgets que podemos vestir. Qual seria a melhor forma de se fazer isso? Óculos? Relógio? Pulseira? Cook se mostrou insatisfeito com a ideia de óculos, afirmando que ele usa um por ser obrigado (problema de visão) e que dificilmente uma pessoa “normal”, sem esses problemas, usaria. Relógio? As pessoas mais velhas ainda usam, porém, entre os mais jovens, o uso é quase nulo. Já uma pulseira é algo mais natural, ainda que também tenha que ter um bom motivo para que uma pessoa a utilize.

Misturado com sensores — outro tópico bem interessante para Cook e que vem sendo cada vez mais utilizado —, pode ser que esteja aí a resposta para um futuro produto da Maçã.

iOS vs. Android

Um tema mais do que batido, mas que sempre faz parte de uma entrevista como essa. Aqui, nenhuma grande novidade: enquanto os jornalistas perguntavam sobre o crescente market share do Android, Cook falava que isso não é a meta da Apple e que essa é apenas uma forma de se analisar o mercado. Outros incluem satisfação do cliente, uso real do produto, etc.

Tim Cook na D11

Não é uma questão de fazer mais e sim fazer o melhor. Ainda sim, o executivo deu possíveis explicações sobre o porquê de o market share do Android estar tão maior, como por exemplo, smartphones que na verdade são feature phones (e que rodam Android). “Trata-se de enriquecer a vida [das pessoas], não de fazer mais”, disse ele.

iOS 7

Perguntado sobre possíveis grandes mudanças, Cook disse que o público julgará, mas que Jony Ive tem sido a peça-chave de tudo. Ainda que, historicamente, a Apple tenha feito um ótimo trabalho integrando hardwares, softwares e serviços, com Ive comandando agora os dois primeiros, a integração tende a aumentar ainda mais.

Ele também afirmou que teremos novidades sobre a questão do controle da Apple sobre o iOS. “Eu acho que você vai ver a gente se abrindo mais no futuro. Não ao ponto de colocar o cliente sob o risco de ter uma experiência ruim.”

iPhone

Uma possível ampliação da linha iPhone também fez parte do bate-papo. Mossberg utilizou o iPod como exemplo, dizendo que no começo era apenas um, mas que depois vieram outros modelos, preenchendo diferentes preços e necessidades. Já com o iPhone, a empresa insiste na estratégia de ter apenas um modelo atual e cobre a questão dos diferentes preços vendendo aparelhos de gerações passadas.

Tim Cook na D11

Cook explicou que isso *ainda* não aconteceu com o iPhone, mas que tudo pode mudar. No caso dos iPods, mais do que o preço, eles servem a diferentes propósitos, estilos e pessoas. Será que o iPhone já chegou a esse ponto? Além disso, para fazer *um* telefone muito, muito bom, é preciso foco, e a Apple está focada nisso, de acordo com Cook.

Sobre a questão dos diferentes tamanhos de tela disponíveis no mercado — e a possível preferência de muitos usuários por telas maiores, levantada por Mossberg —, Cook repetiu um velho discurso de que, hoje, para fazer uma tela maior é preciso abrir mão de muita coisa (cores, brilho, vida útil, etc.) e que a Apple acredita oferecer o melhor display com sua tela Retina. Se essa relação custo/benefício mudar algum dia, quem sabe a Apple repense o tamanho da tela do iPhone.

Meio ambiente

Cook lembrou que, excluindo empresas de energia, a Apple possui a maior fazenda solar e de células de combustível do mundo. Além disso, Lisa Jackson, ex-administradora da Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental), está se juntando à Apple para coordenar boa parte desses esforços ambientais.

Aquisições

Se antes (em 2012) a Apple adquiriu empresas num ritmo de 60-75 dias, agora isso mudou. Em apenas 5 meses a Apple já comprou nove empresas e continua de olho no mercado, independentemente do tamanho da companhia — se fizer sentido, não há motivos para não comprar, afinal, a Apple tem hoje mais de US$147 bilhões em caixa.

Tim Cook na D11

Perguntado sobre o interesse em empresas focadas no social, Cook disse não vê a Apple dona de uma rede social e que tem integrações “elegantes” com Twitter e Facebook.

Perguntas e respostas

Questionado sobre por que não deu um vislumbre de futuros produtos, Cook respondeu que a Apple só apresenta produtos quando eles estão prontos e que acredita muito no elemento surpresa. “Acreditamos que os clientes adoram surpresas. Eu não tenho nenhum plano de mudar isso.”

Sobre mapas, o próprio Mossberg perguntou se eles já atingiram o padrão de qualidade Apple. Cook disse que eles melhoraram bastante, mas que ainda não estão lá e que muito trabalho ainda precisa ser feito, assumindo que a empresa errou feio, nessa.

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E que venha a WWDC 2013! 😀

[via AllThingsD]

Atualização, por Rafael Fischmann

E já saiu o vídeo completo da entrevista, confiram:

Pois é, infelizmente o player do WSJ não é dos melhores…

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