O meu ponto de vista sobre a keynote de abertura da WWDC 2013

Pôster do vídeo da WWDC 2013

Pressa: o adjetivo que mais bem descreve o evento da Apple de segunda-feira. Animações nos slides corridos, falas atropeladas e apresentadores ofegantes, mas espere: tudo isso teve uma *excelente* razão! Quitar uma dívida de quase oito meses sem um evento sequer da Maçã.

Publicidade

E ela com certeza *foi* quitada.

Contexto

Em um ano muita, muita coisa mudou dentro da Apple. Recapitulando: tivemos a introdução à tela de 4 polegadas, um tablet de 7,9 polegadas, uma carta de desculpas da diretoria da Maçã, uma mudança geral no corpo de executivos e um vão de quase 250(!) dias sem evento, produto, serviço ou sistema novo. But keep calm, because dog days are over!

Pôster do vídeo da WWDC 2013

Publicidade

Brincadeiras à parte, não era segredo para ninguém, e muito menos para a Apple, que a expectativa para o evento de segunda era grandiosa, e sim, eles precisavam não só trazer o que já sabíamos que teria: eles precisavam inovar, de todas as formas possíveis.

O evento

Diferentemente do que eu previ, o evento não foi organizado em blocos, o que não me agradou no início, mas quando começaram a pipocar coisas inesperadas eu passei a curtir a ideia. Para mim, a organização entre hardware, OS X e iOS era praticamente certa, mas eles fizeram de uma forma bem melhor e, mesmo de um jeito meio corrido, conseguiram colocar todos os principais executivos no palco para apresentar um pouquinho daquele grande evento.

A começar pelos vídeos, que estavam mais uma vez *lindos* e que serviram para animar o público, até os que estavam em casa — eu, por exemplo (heh). De todos, com certeza o que merece mais destaque foi o do iOS 7. Pelo que eu me lembro, é a primeira vez que um vídeo completo é apresentado antes do produto, bacana e atípico. Confesso que bateu até uma emoção na saudade do mestre Steve Jobs, quando vi Tim Cook, ao retornar ao palco, ser aplaudido de pé. Convenhamos, merecidamente.

Publicidade

Entre muitos fatores, a keynote serviu para deixar claro — pelo menos para mim — uma coisa que eu já acreditava há algum tempo: a Apple está mudando seu rumo — e não, haters, ela não está a caminho da falência. A gigante de Cupertino está se mostrando mais flexível, ouvindo mais seus consumidores (e senadores, rs), reconhecendo erros e, principalmente, tendo peito para mais uma vez fazer mudanças radicais. Acreditem: eu tenho certeza de que *todos* dentro da empresa sabem que haverá uma grande rejeição ao seu novo design, afinal, é da natureza humana rejeitar tudo o que não está dentro de sua zona de conforto, mesmo que por um breve momento. Depois que se acostuma, muitas vezes passa a amar.

Continuando, eu *adorei* os apresentadores, os executivos estavam mais soltos do que nunca! Phil Schiller soltando piadinhas como “Can’t innovate anymore, my ass!”, Craig Federighi apresentando o “OS X Sea Lion”… achei fantástico. E até mesmo pelo quesito tempo, por algumas vezes os apresentadores se embolavam nas frases e tentavam sempre puxar para uma brincadeira ou risada; achei que tentar essa aproximação é muito bom, principalmente porque, neste evento em questão, não estavam falando com a imprensa — sim, estavam, sempre estão, mas não era a maioria —, estavam falando com os “amigos mais chegados”, como disse Schiller.

O evento como um todo foi bem intenso, só teve uma apresentação “externa” (da nova empresa Anki) e as demonstrações ficaram bem concentradas. Mesmo assim, o evento superou as duas horas. Espero que muitos como este venham por aí.

Publicidade

Produtos

» iWork para iCloud

Meio que inesperado, mas não deixa de ser um recurso bacana. Só de ter a segurança de saber que todos os seus documentos na nuvem podem ser acessados de qualquer lugar, usando o navegador de qualquer máquina, é bem confortante.

iWork para iCloud

Achei interessante principalmente o fato de os webapps serem bem completos, e não versões condensadas/capadas de recursos. Para mim isso pode ser o primeiro sinal de que em um futuro não muito distante a Apple seja mais aberta e possa invadir ainda mais o espaço de Google, Microsoft e outras na web. Afinal, ela não precisa ficar só na suíte iWork.

» MacBook Air

A atualização do futuro dos notebooks na minha opinião foi média, meio que feita “nas coxas”. Trouxe novos processadores, uma bateria *incrível*, mas ficaram faltando muitas coisas. A começar pela câmera frontal 1080p, que era bastante rumorada, mas parece que foi totalmente esquecida, depois pela redução no clock dos processadores, que agora nem nas versões mais parrudas chegam 2GHz.

Novos MacBooks Air de 11 e 13 polegadas inclinados de lado

Os gráficos Intel HD 5000 realmente eram algo que os MacBooks Air precisavam, mas o que me deixou intrigado mesmo foi o fato de não terem trazido o opcional de 768GB para memória flash neste update… Muitos usuários gostam do design e da praticidade do Air, mas precisam de muito espaço interno. Ok, não deixa de ser uma estratégia para diferenciá-lo do Pro.

Outro fator foi o *cadê as telas Retina*, mas esse é mais fácil de entender. Imagino o quanto a equipe de engenharia lutou para chegar às 12 horas de bateria, a sonhada carga uma vez para o dia todo, e com uma tela Retina certamente seriam necessárias algumas adaptações: saídas de ar, aumentar processador, bateria maior… isso tudo o tornaria mais pesado e mais caro, por isso, provavelmente, optaram por deixar a tela de altíssima resolução para o modelo high-end dos MacBooks. Ao menos por ora.

» Mac Pro

Mac Pro de frenteO fato de a Apple ter feito um “sneak peek” de um hardware, coisa que eu odeio ver outras empresas fazendo — Sony, com o PlayStation por exemplo —, foi totalmente perdoado pelo o que eu vi: “uau!”, foi minha reação involuntária durante o vídeo Tony Stark-like.

Pode ser cedo demais para afirmar, mas pelo que li e vi desde sua apresentação, o novo Mac Pro é um tapa na cara dos haters que dizem que Apple é novo, que o hardware dela é fraco e que ela não inova. O design em forma de turbina, o sistema de resfriamento e os processadores realmente me impressionaram.

Parrudo, contando com a última geração de processadores Intel Xeon, duas placas gráficas, somadas ao SSD e à RAM mais rápidos já postos em uma máquina da Apple, não podiam resultar num produto mais eficiente — pelo menos na teoria. É claro que sacrifícios tiveram de ser feitos para uma máquina tão potente e ao mesmo tempo pequena, como por exemplo a perda do SuperDrive — agora oficialmente nenhum Mac possui mais drive óptico, contudo, considerando a quantidade de I/O, isso não será um problema.

Tenho, para mim, que um evento no último trimestre deste ano trará mais informações para nós sobre a máquina e seus preços — já no aguardo de cinco dígitos, no Brasil —, além do que poderemos conectar a ele; Thunderbolt Display 4K coming soon?

» iTunes Radio

Esperado durante anos, finalmente foi anunciado o serviço de rádio da Apple, com a principal diferença em relação aos rumores tendo sido o seu nome: “iTunes Radio”, e não simplesmente “iRadio”.

Consegui ativá-lo usando minha conta americana e ele funcionou sem problemas. Como não sou assinante do serviço iTunes Match, de vez enquanto pinta a publicidade, a qual passa quase desapercebida. Até mesmo pelo 3G do Brasil, sua usabilidade é excelente.

iTunes Radio em iPhones 5 brancos de frente

Curti bastante a atitude da Apple de dar a versão completa sem propaganda para aqueles que usam o iTunes Match, sendo assim são US$25 anuais para ter o iTunes Match e o iTunes Radio sem propagandas, really nice.

» OS X Mavericks

Sou apaixonado pela Apple, mas tenho que admitir: o Mavericks é para o OS X o que o iOS 6 é para o iOS. Não passa de um grande corretor de erros, mais do que obrigação! Como por exemplo o consumo indevido de RAM, dos processadores, de bateria, as falhas do iCloud, do iMessage (aaarghhh!)…

O caso do iBooks, então, já era hora tinha passado da hora! Ainda acho que ele poderia inclusive vir já pré-instalado no sistema, embora muitos vejam a distribuição independente via Mac App Store como uma forma de simplificar atualizações. Já o Mapas é legal ter, mas não me lembro da última vez que usei ele no iPhone, imagine então no Mac.

Ícone - OS X Mavericks

As demais novidades são bem mais focadas no uso profissional (como as múltiplas telas), mas não deixam de ser interessantes. Como não adianta ficar batendo o pé dizendo que era obrigação da Apple corrigir os erros, pretendo atualizar para ele, desde que custe os mesmos (ou menos que os) US$20 do Mountain Lion.

No entanto, vale lembrar: a Apple quase sempre deixa uma ou duas novidades para apresentar no último momento. Na keynote que ela divulga data de disponibilidade e preço, e eu tenho convicção que uma dessas novidades será a Siri, até porque a assistente não precisa ser testada por desenvolvedores, é só embutir no sistema e pronto. Além disso, o aplicativo Buscar (Meu iPhone?) já está na hora de vir para o Mac também, né.

Mas vejamos pelo lado bom: eu imagino uma razão para essa segurada no redesign do OS X e deixá-lo só no “banho-maria”, na perfumaria, neste ano. Primeiro, as equipes (tanto de design quanto de engenharia de sistemas) estavam totalmente focadas no iOS, por isso deixaram o OS X de lado para quem sabe, no ano que vem, não vir o tão esperado OS XI! — após dez versões do OS X! Aí sim, já estaremos acostumados com o design do iOS 7 e poderemos aceitar mais facilmente um redesign completo correspondente da versão para Macs.

» iOS 7

Surpresa, decepção, aceitação e admiração. Os quatro passos-chave para o iOS 7. Já começou no susto, um vídeo que mais parecia ser um “preparatório” mostrou detalhes do sistema, coisa bem atípica e que me deixou boquiaberto. Depois a confirmação dos ícones tenebrosos, mas quando começaram a mostrar a ênfase do novíssimo iOS, eu passei quase que instantaneamente da aceitação para a admiração.

iOS 7 Logo

Como disse lá no começo, é da nossa natureza rejeitar o que não está em nossa zona de conforto, e não seria diferente com o iOS! Tenho certeza de que grande parte de vocês usa o iOS pelo menos desde a versão 4.0, e outra usa desde a 1.0, quando ele ainda era conhecido como “iPhone OS”. Convenhamos: olhar para o mesmo sistema, os mesmos efeitos, as mesmas cores durante mais de cinco anos cansa… muito!

E não se trata de uma coisa que olhamos de vez enquanto, e sim de um produto que checamos trocentas vezes, todos os dias. Precisávamos de um up considerável, e não só de aprimoramentos como foram os últimos anos. E sim, a parceria da equipe de Federighi e Ive deu muito, muito certo.

Durante a apresentação os recursos que a grande maioria dos usuários pediu foi aparecendo, a radical mudança na interface era cada vez mais nítida e um sistema completamente novo foi surgindo. Vale lembrar que, não fossem pelos clientes, se todos estivessem satisfeitos de verdade com o que tinham, neste ano Scott Forstall ainda seria o vice-presidente e provavelmente as grandes novidades seriam a integração com o Flickr e mais uns dois idiomas da Siri.

Pela primeira vez em muito tempo tivemos inovação de verdade; quantos de nós não desejamos poder compartilhar uma foto por Bluetooth? Ou a tão sonhada Central de Controle (Control Center)? Claro, tivemos recursos visuais como os simuladores de 3D, as transparências, o redesign de *todos* os aplicativos internos, e muito mais.

As novas cores, razão para que muitos, inclusive eu, tivesse um certo rejeito com o iOS ao primeiro contato, vão se acostumando. É igual a colocar óculos: nos primeiros momentos ainda incomoda, pesa, mas depois de um tempo nem parece que eles estão ali. Na minha opinião, isso foi proposital, para todos terem plena consciência de que se tratava de algo novo. Dificilmente um usuário comum diferenciaria o iOS 5 do 6, por exemplo.

Sobre a Siri, não querendo dar falsas esperanças, mas como já disse, foi um evento corrido, e eu *duvido* que eles atualizem o iOS 7 sem nenhum novo idioma, então esperem para se decepcionar caso quando, lá para setembro/outubro, durante a apresentação final do iOS 7, nada for comentado sobre a adição do português à assistente.

Enquanto isso não chega, posso dizer que o primeiro beta está estável, com os bugs de sempre, mas nada que o torne impossível de ser usado. Confesso que estava com receio até ver a nova tela bloqueada pela primeira vez. No passar dos meses, na medida do possível, os betas irão evoluindo —muito! — e usuários se acostumando. Independentemente se você já for usar uma beta ou for aguardar a versão final, prepare-se para ter aquela mesma sensação de quando usou o iOS pela primeira vez: de estar usando algo totalmente novo.

Posts relacionados