Apple explica relação com governo americano e questão envolvendo o compartilhamento de informações pessoais

Logo - NSA

Logo - NSANo começo deste mês, poucos dias antes do início da WWDC, os jornais The Washington Post e The Guardian publicaram matérias detalhando um projeto do governo americano (até então secreto, de codinome PRISM), pelo qual, através da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency, ou NSA), monitorava servidores de várias gigantes da internet — entre elas, a Apple.

Publicidade

Resumidamente, o relatório dizia que o governo é capaz de extrair áudio, vídeo, fotografias, emails, documentos e registros de conexões os quais permitem que analistas monitorem, acompanhem os movimentos de uma pessoa (americana ou não) pelo período necessário. Em recente declaração ao The Wall Street Journal [matéria fechada para assinantes], a gigante de Cupertino afirmou nunca ter ouvido falar do PRISM e negou oferecer acesso direto a seus servidores para o governo americano.

Na verdade, não só a Apple como todas as empresas também negaram, contudo, algumas (como Google, Microsoft e Facebook) detalharam como o governo solicitava as informações e exatamente o que foi passado a eles.

Hoje, através de um comunicado para a imprensa, a Apple também abordou o assunto. Abaixo, a nossa tradução livre:

Compromisso da Apple com a privacidade do cliente

Há duas semanas, quando empresas de tecnologia foram acusadas ​​de compartilhar indiscriminadamente dados de clientes com agências governamentais, a Apple emitiu uma resposta clara: ouvimos falar do programa “Prism” do governo pela primeira vez quando a mídia nos perguntou sobre o assunto, em 6 de junho. Nós não oferecemos acesso aos nossos servidores para nenhum órgão do governo e qualquer solicitação de órgãos do governo para conteúdos de clientes devem ser feitas através de uma ordem judicial.

Assim como diversas outras empresas, pedimos permissão ao governo dos EUA para informar quantos pedidos relacionados à segurança nacional nós recebemos e como lidamos com eles. Fomos autorizados a compartilhar alguns desses dados e estamos os oferecendo aqui no interesse da transparência.

De 1º de dezembro de 2012 a 31 de maio de 2013, a Apple recebeu entre 4.000 e 5.000 pedidos de dados de clientes do governo. Entre 9.000 ou 10.000 contas e/ou dispositivos foram especificados nesses pedidos, os quais vieram de autoridades dos governos federal, estaduais e locais, e incluíam tanto investigações criminais quanto assuntos de segurança nacional. A forma mais comum de solicitação vem de policiais que investigam roubos e outros crimes em busca de crianças desaparecidas, tentando localizar um paciente com doença de Alzheimer ou na esperança de evitar um suicídio.

Independentemente das circunstâncias, nossa equipe jurídica realiza uma avaliação de cada pedido e, apenas se for o caso, recuperamos e entregamos o menor número possível de informações às autoridades. Ao longo do tempo, quando vemos inconsistências ou imprecisões num pedido, recusamos a cumpri-lo.

A Apple sempre priorizou a proteção de dados pessoais de nossos clientes e não coletamos ou mantemos uma grande quantidade de detalhes pessoais sobre nossos clientes. Há certas categorias de informações que nós não fornecemos ao governo pois nós escolhemos não retê-las.

As conversas que ocorrem por iMessage e FaceTime, por exemplo, são protegidas por criptografia para que ninguém mais além de emissor e receptor possam ver e ler. A Apple não pode descriptografar esses dados. Da mesma forma, não armazenamos dados referentes à localização de clientes, pesquisas de mapas ou solicitações da Siri em nenhuma forma identificável.

Continuaremos trabalhando duro para encontrar o equilíbrio certo entre o cumprimento de nossas responsabilidades legais e a proteção da privacidade de nossos clientes como eles esperam e merecem.

[via AppleInsider]

Posts relacionados