A estratégia por trás do iPhone 5c

Traseira do iPhone 5c verde

Traseira do iPhone 5c verdeHá alguns dias, estreei no MacMagazine com um post falando sobre as possíveis consequências do preço do iPhone 5c.

Por que esse assunto é importante? Porque a estratégia de preço da Apple para este produto específico pode representar seu sucesso ou fracasso em mercados altamente disputados, como a Ásia. E pode ainda conter o crescimento do Android.

Pois bem. Agora não é mais futurologia. Os preços e modelos foram divulgados ontem e, exatamente pela importância do assunto, acho que vale um debriefing.

O iPhone 5c foi posicionado entre o 5s e o 4s. Até aí, nenhuma surpresa.

Os preços foram colocados abaixo da faixa de US$200, como esperado — US$99/US$199 (16GB/32GB). O problema, no entanto, está no fato de que esses preços referem-se ao iPhone 5c com um contrato mínimo de dois anos.

Sem contrato, como provavelmente será o caso de boa parte dos consumidores nos mercados para os quais imaginávamos que a Apple apresentaria um produto popular, os preços sobem para US$549/US$649 (16GB/32GB).

Ou seja, o iPhone 5c definitivamente não é um produto popular.

E mais: tem o preço que se esperaria para o iPhone 5 com desconto, agora que o 5s chegou. Só que, apesar de ter quase as mesmas características do agora descontinuado 5, é muito mais barato para ser produzido. Assim, crescerá a margem de lucro da Apple. Maior, obviamente, do que se o 5 fosse vendido com desconto.

A conclusão do analista português Paulo Santos é muito importante: este detalhe na política de preço anula o risco de canibalização entre 5c e 5s.

Na verdade a Apple enganou a todos, criando um produto mais barato, com maior margem e se livrando do risco de canibalização e redução de margem que a manutenção do iPhone 5, com desconto, representaria.

Se essa é uma notícia que deve levar as ações para cima, a má é que a Apple não tem um produto forte para o consumidor que procura um smartphone low-end. A esperança fica por conta de uma alta penetração com preço subsidiado nas operadoras China Mobile e NTT DoCoMo, o que dificilmente impedirá que o Android continue a crescer seu market share.

Ficamos, assim, com a seguinte estratégia: a Apple empurrou com a barriga o problema da hegemonia de mercado. Os lançamentos são ótimos para garantir acionistas felizes com os dividendos, mas não fazem frente ao crescimento do Android.

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