Após alguns anos como usuário fiel do Chrome, há mais de 24 horas estou usando o Safari

Ícones do Google Chrome e do Apple Safari

Durante todo o tempo que eu fico no computador (e não é pouco), há apenas um aplicativo que está aberto quase 100% das vezes: o meu navegador. É por ele que eu vejo meus emails, leio notícias, acompanho redes sociais (exceto o Twitter), me divirto e, principalmente, trabalho.

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Por isso, escolher o software ideal para isso não é uma tarefa fácil, muito menos migrar de um para outro. Desde que a Apple lançou o Safari eu já havia dado algumas chances para ele, mas por muito tempo fui usuário fiel do Firefox e, lá pelos idos de 2009/10, migrei definitivamente para o Chrome. Até ontem.

Ícones do Google Chrome e do Apple Safari

Há mais de 24 horas, pela primeira vez creio que vou tornar o Safari o meu browser principal. Neste artigo, explico o porquê disso.

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Nenhum é perfeito

Não tem pra onde correr: nenhum desses navegadores — nem mesmo outros que não citei ainda, como o Opera e o próprio Internet Explorer (hoje inexistente no mundo Mac) — é perfeito, e vale notar que essa “perfeição” varia de pessoa para pessoa. A escolha do seu browser padrão consistirá justamente no seu julgamento de qual deles é o “mais perfeito” para você.

Eu continuo adorando o Chrome, mas acho que com o tempo o Google perdeu um pouco o foco nele. A proposta de novas versões liberadas a cada seis semanas foi muito bem aceita pelos usuários, tanto é que outros adotaram a mesma coisa. Todavia, por experiência própria vejo o Google muitas vezes trabalhando em certos aspectos e deixando de lado o primordial num navegador: a dupla performance + estabilidade.

Diante de algumas coisinhas que vinham me irritando há bastante tempo, e unindo ao fato de eu ter migrado para o OS X Mavericks (para a versão Golden Master, já disponível para desenvolvedores) há alguns dias, resolvi experimentar o Safari mais uma vez. Ele está agora na sua versão 7.0, a qual promete uma performance excelente, traz um novo visual do Top Sites, uma nova barra lateral e um novo recurso de links compartilhados em suas redes sociais.

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Há algum tempo eu havia dado uma nova chance ao Firefox, mas por motivos diversos acabei não aguentando usá-lo nem por duas horas. A minha experiência com o Safari tem sido tão satisfatória desde ontem pela manhã que tenho convicção de que ele já se tornou, de fato, o meu novo navegador padrão.

O que eu gostei no Safari

Uma coisa que sempre me interessou no Safari é a sua integração com o próprio OS X. O Google pode otimizar o Chrome o quanto quiser, mas nunca chegará ao nível de otimização que a Apple consegue oferecer no Safari em termos de performance — e isso envolve diretamente o uso de CPU e memória. No Mavericks, então, optar pelo Safari é o mesmo que garantir uma boa autonomia extra de bateria no laptop.

Fiz alguns testes não-científicos com o Safari, o Chrome e o Firefox aqui na minha máquina e chega, sim, a ser perceptível como o Safari está mais rápido que eles no geral. Além disso, como eu falei, faço um uso muito intenso e constante do browser, e, nessas mais de 24 horas, não tive nenhum problema de estabilidade com ele.

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Outra coisa que me agradou bastante no Safari foi a forma como ele renderiza textos em páginas, é como se ele fosse realmente o browser ideal para se usar num MacBook Pro com tela Retina. O recurso de zoom como o do iOS, usando inclusive o trackpad multi-touch, também é bem interessante. E por falar em iOS, vale lembrar do recurso Abas do iCloud (iCloud Tabs) — você pode acessar as abas abertas no Safari do Mac no seu iPhone ou iPad, e vice-versa, tudo sincronizado automaticamente pelo iCloud.

Renderização de textos do Safari vs. Chrome

Eu não acho nem o Chrome nem o Firefox feios, mas desde sempre achava a interface do Safari mais bacana — e isso continua até hoje. Era uma das coisas que me atraía nele e me deixava chateado por não conseguir torná-lo meu navegador padrão, e agora não é mais um problema. 🙂

O que falta, para mim, no Safari

A minha migração para o Safari só foi possível graças a algumas extensões que instalei nele, e falarei disso daqui a pouquinho. Mas algumas coisas eu não consegui nem melhorar com a ajuda delas, e é este conjunto que não faz dele um “navegador perfeito”, atualmente, para mim.

Eis a lista:

  • Abas fixas. Não esperava que o Safari não tivesse isso, até hoje. Ao menos por aqui, tenho quatro abas que ficam *sempre* abertas no navegador: Gmail, feedly, Facebook e Google+. No Chrome, elas ficavam fixas; no Safari, não tenho como fazer isso. O recurso é interessantíssimo pois elas ocupam menos espaço (o Chrome deixa apenas o favicon visível) e ainda as mantêm sempre no início, à esquerda — ou seja, a abertura de links em novas abas não afeta a ordem delas. Isto deve ser, talvez, o que mais esteja me incomodando em todo o Safari.
  • Há algumas versões, o Google implementou um recurso simples mas muito bem pensado: para fechar o Chrome, você precisa pressionar o atalho Command + Q duas vezes seguidas. Como o atalho de fechar abas (Command + W) está a uma tecla de distância, não é incomum fecharmos o browser sem querer. A Apple também podia trazer algo do tipo para o Safari.
  • Nas suas preferências, o Safari só permite que você escolha uma localidade específica para salvar arquivos baixados. Pessoalmente, prefiro que o navegador sempre pergunte para mim aonde eu quero salvar e com que nome, através de uma caixa de diálogo.
  • Por mais que a Apple tenha melhorado isso em versões recentes do Safari, a Omnibox do Chrome é mais inteligente que a dele e costuma colocar em cima o que eu preciso bastando digitar o iniciozinho de algumas palavras-chave de URLs.
  • O recurso de Navegação Privada (Private Browsing) deveria funcionar no Safari como no Chrome, por janela. Quando ele é ativado no Safari, absolutamente todas as janelas e abas abertas são afetadas.
  • Possivelmente devido a um bug no Safari 7.0 e/ou no OS X Mavericks (talvez até algo específico por aqui), ele não está salvando o que eu digito em campos de formulários e permitindo que eu reutilize essas palavras-chave novamente. Faz falta no dia-a-dia.

Extensões

De ontem para hoje saí em busca de extensões que 1. fossem similares às que eu usava no Chrome e, 2. tornassem o Safari “mais perfeito” para mim. Encontrei algumas, o suficiente para torná-lo meu navegador padrão — apesar de todos os pontos os quais listei acima.

Extensões no Safari

São elas:

  • Glims: possivelmente um “item indispensável” entre usuários do Safari, é um belo canivete suíço para ele. Com essa extensão consegui personalizar as buscas (adoro, por exemplo, usar palavras-chave para alterar a origem da busca), habilitar um recurso que restaura automaticamente as abas abertas ao abrir o Safari, adicionar favicons às abas do Safari (sem isso minha vida seria uma loucura, visto que é *normal* eu ter mais de dez abas abertas ao mesmo tempo), entre outras coisas.
  • 1Password: meu gerenciador de senhas preferido, funciona tão bem no Safari quanto no Chrome. Nada de muito especial aqui.
  • Boomerang for Gmail: eu já tinha dito no meu post sobre extensões para o Chrome o quanto que esse serviço é hoje indispensável para mim. Se ele não tivesse uma extensão para o Safari, seria um motivo suficiente para eu não migrar de navegador.
  • Pocket: embora o Safari conte com o recurso Lista de Leitura (Reading List), já uso o Pocket para salvar links há bastante tempo e gosto do fato de ele ser “onipresente”, bem como dos seus apps. Com esta extensão, você ganha um botão na barra de ferramentas do Safari e pode, com um clique, enviar qualquer link para o serviço.
  • Ultimate Status Bar: esta extensão aparece na screenshot acima, mas está desativada por não ser compatível com a versão atual do Safari. Preferi deixá-la instalada pois, quando sair um update de compatibilidade, poderei já começar a usá-la. Os recursos que ele oferece me atraem bastante, espero que os responsáveis ainda estejam trabalhando em updates.
  • Make It Short: simples botão para a barra de ferramentas que encurta a URL da aba ativa, com algumas opções de personalização e suporte a URLs curtas nativas de sites — como do YouTube (youtu.be), do Flickr (flic.kr), etc.
  • NoMoreiTunes: impede que o iTunes seja automaticamente aberto quando você acessar um link da iTunes Store, da App Store, etc.

Apesar de eu ter conseguido todas essas, vale notar que o “mercado” de extensões para o Safari é absurdamente escasso quando comparado com o universo que existe para o Chrome e para o Firefox. A própria Apple tem culpa no cartório: sua galeria oficial de extensões está abandonada há muito tempo. 🙁

O que eu ainda gostaria de achar — e que, talvez, vocês possam me ajudar:

  • Uma que levasse para o Safari o recurso de abas fixas. 🙂
  • Uma que me permita tirar uma screenshot de toda uma página, do começo ao fim.
  • Uma que possibilite eu ver a lista das últimas 5-10 abas recentemente fechadas e, com um clique, reabri-las.
  • Uma que adicione um item contextual de menu (clicando com o botão direito do mouse) a imagens e permita usá-las para realizar buscas no Google.
  • Uma que permita baixar vídeos do YouTube.
  • Extensões que auxiliem no design/desenvolvimento de sites, como visualizador de propriedades de CSS, identificação de fontes, nível de PageRank, análise de velocidade e uma completona no estilo a famosa Web Developer.

Será que é pra valer?

Ontem à noite eu já estava decidido a escrever este artigo, só não achava que ele sairia com ~24 horas de uso. Talvez eu tenha sido precipitado e daqui a algumas horas (ou talvez alguns dias) eu desista de novo do Safari e volte ao Chrome, mas acho bem difícil. Como falei, minhas tentativas recentes com o Firefox e até com o Opera não duraram quase nada.

O mais legal é que a briga entre todos esses principais browsers continua muito feroz, e eu torço para que Apple, Google, Mozilla e Opera continuem digladiando constantemente para conquistar a preferência de usuários como eu. O Chrome me segurou por bastante tempo, mas parece que agora o Safari está na dianteira; quem sabe se ele ainda será o meu preferido, daqui a um ou dois anos?

E vocês, que navegador utilizam? 😉

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