Empresa afirma que precisão de toque nas telas de iPhones 5s e 5c é pior que a do GALAXY S III

Estudo da OptofFdelity - Telas de iPhones

Um recente estudo da empresa OptoFidelity para verificar a precisão de telas sensíveis ao toque está dando o que falar — pudera, basta juntar as palavras “Apple” e “falha” no título de qualquer artigo para que a coisa ganhe uma proporção enorme. Neste caso, o título em questão foi “Testes TPPT da OptoFidelity mostram falhas significativas na precisão de toques em iPhones”.

Resumidamente, eles testaram a precisão do toque da tela de um iPhone 5s, um iPhone 5c e um Samsung GALAXY S III. O teste foi realizado por dedos artificiais (mecânicos) de robôs, os quais fizeram centenas de toques/gestos nas telas. Depois, as localizações desses toques são comparadas com os locais exatos onde os registros dos toques foram feitos. Se o toque foi registrado em até 1mm do local exato que o dedo mecânico encostou, ele é mostrado no mapa como um ponto verde — caso contrário, o ponto é vermelho.

O resultado, você pode conferir abaixo:

Estudo da OptofFdelity - Telas de iPhones

Sim, de acordo com eles a precisão dos toques nas telas dos iPhones 5s e 5c é muito pior do que na do GALAXY S III, que se saiu muito bem no teste e perdeu precisão apenas nas margens da tela. Para os mais curiosos, o estudo completo pode ser lido neste PDF.

Só que algumas pessoas estão questionando a metodologia do estudo que, consequentemente, influencia o resultado obtido pela OptoFidelity. Uma dessas pessoas é Nick Arnott, do Neglected Potential.

Como ele bem observou, a área verde do resultado do iPhone mostra exatamente aquela região imaginária que é alcançada facilmente pelo dedão, independentemente da mão com a qual você esteja segurando (apesar de ele ter usado como exemplo a direita). Faça o teste você mesmo: pegue o seu aparelho e veja como o dedão cobre toda essa área, já que você não precisa esticá-lo para encostar nesse pedaço da tela — bem diferente de tentar tocar no canto esquerdo/direto superior, por exemplo.

Essa imagem mostra exatamente o ponto no qual Arnott quer chegar, vejam só:

Estudo da OptofFdelity - Telas de iPhones

Nela, podemos ver os resultados do teste de precisão de toques sobrepostos no teclado do iOS. No centro, sobre as teclas T e Y, por exemplo, os círculos negros que representam o toque do dedo mecânico mostram pontos verdes quase que centralizados em seu interior, indicando que o iPhone registrou os toques muito próximo de onde eles realmente aconteceram.

Mas se a gente for um pouco para a esquerda ou para a direita, a imprecisão começa. Repare que os pontos começam a mudar numa mesma direção. Nas letras E e W, por exemplo, vemos os pontos verdes se movendo para o lado esquerdo do círculo preto, local exato do toque do dedo mecânico. Já na área próxima à letra Q, o iPhone começa a registrar os toques 1, ou mais para a esquerda de onde o toque real do dedo mecânico aconteceu. A mesmíssima coisa acontece para o outro lado, invertendo, é claro, a direção dos toques/imprecisões.

A conclusão do teste indica que isso é uma falha na precisão da respectiva parte da tela sensível ao toque, mas será que isso é uma falha ou um recurso?

Para Arnott — na verdade para qualquer pessoa —, existe um padrão nessas imprecisões: quanto mais você se afasta da área facilmente coberta pelo dedão, maior é a imprecisão do toque. O pulo do gato aqui é justamente esse, pois essa imprecisão acaba facilitando as coisas para o usuário, tornando o local exato que o dedão quer encostar mais próximo da área facilmente acessada por ele. Reparem que o ponto exato do dedão que entra em contado com a tela vai mudando de acordo com o quanto ele está esticado. De novo, faça um teste (este mais extremo) e tente encostar no ícone da bateria do iPhone, lá em cima. Dá para perceber que a parte do dedão que encosta na tela é diferente da que encosta quando você quer tocar no meio da tela, por exemplo.

A percepção que temos da tela também varia, afinal, não vemos o aparelho num ângulo reto (90º) a todo momento. Resumindo a ideia de Arnott, o teste da OptoFidelity é totalmente robótico/automático e não leva em consideração variações mais do que normais do uso de um aparelho desses por um humano.

Os robôs viram os alvos de seus toques na tela num ângulo perpendicular. Eles também estão tocando na tela num ângulo perpendicular, todas as vezes. Geralmente, essa não é a forma como pessoas interagem com seus telefones.

O que o teste *não* mostra é a precisão de toques de usuários baseados no local aonde essas pessoas querem tocar. A aposta de Arnott é exatamente essa: apesar de não ter como comprovar, ele acredita que a Apple baseia seus estudos e testes justamente nesse tipo de comportamento, tentando entender aonde o usuário quer encostar baseando-se na maneira como pessoas reais seguram um iPhone, algo totalmente diferente do que a OptoFidelity avaliou.

Para os céticos de plantão, não custa lembrar de um comercial veiculado pela Apple na época do lançamento do iPhone 5. Confira:

Se a empresa chegou a criar um comercial para destacar o tamanho de tela que eles consideram perfeito e como, com apenas um dedo, a gente consegue ter acesso a praticamente toda a tela do aparelho, eu coloco a minha mão no fogo e estou com Arnott: a Apple leva tudo isso (utilização real do produto) em consideração na hora de calibrar a precisão dos toques na tela do aparelho.

Para terminar, a OptoFidelity — que comercializa soluções de testes automatizados, é bom deixar claro — também realizou estudos parecidos com aqueles da Agawi que já destacamos aqui no site. Nele, uma câmera mede o tempo de resposta de um app, ou seja, a latência entre o tempo que um usuário (nesse caso, dedos mecânicos) toca na tela do dispositivo e a resposta no display do aparelho.

Estudo da OptofFdelity - Telas de iPhones

Estudo da OptofFdelity - Telas de iPhones

Nesses, os iPhones conseguiram um ótimo resultado.

[via TUAW]

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