Appreendedor: mude de fase, gamefique-se!

Charles Coonradt

No penúltimo artigo da série Appreendedor falamos sobre hábitos — descobrirmos que é possível a criação de hábitos a partir de uma deixa, rotina e recompensa. Com isso aumentamos as chances de que o usuário volte a utilizar o app, criando o que chamamos de “retenção”. Entretanto, para criarmos hábitos primeiramente precisamos motivar, influenciar, ou seja, engajar o usuário.

Analisando melhor o ser humano, percebemos que existe algo intrínseco em nós chamado “competição” — seja em busca de novos objetivos, superação de metas, estabelecer-se perante um grupo social ou até mesmo lutar pela sobrevivência. Vivemos em busca das nossas metas, estamos acostumados a executarmos tarefas com objetivos claros e recebermos recompensas ao término. Esta sistemática de competição, tarefas a serem cumpridas e recompensas vem sendo utilizada nos jogos desde sempre e utilizar algo familiar é fundamental para a aceitação. Se você tem algo inovador, embrulhe-o em algo familiar!

Charles CoonradtEm 1973, Charles Coonradt [foto ao lado] notou que a produtividade dos trabalhadores americanos estava em baixa e que estes os quais achavam o trabalho tedioso eram os mesmos que praticavam esportes. Então ele iniciou um trabalho de pesquisa para responder à seguinte pergunta: “Por que pessoas pagam para pegar pesado num esporte nas horas vagas em vez de trabalhar em seus empregos, onde são pagos para isso?”

A partir dessa pesquisa, ele constatou que as pessoas tendem a ser mais engajadas quando existem os seguintes elementos:

  • Objetivos claramente definidos;
  • Melhor visualização de placar/nota;
  • Feedback frequente;
  • Maior liberdade de escolha dos métodos;
  • Treinamento consistente.

Em 1984, Coonradt — também conhecido como avó da gameficação — escreveu um livro chamado “The Game of Work” e é utilizado como referência a partir de estudos na área. De lá para cá, muito se fala sobre esse assunto e o uso dessas técnicas em qualquer situação diária. A aplicação de elementos encontrados em jogos em nosso cenário habitual incrementa exponencialmente os resultados, além de criar uma sensação de conforto para o usuário.

Essas técnicas podem ser utilizadas em qualquer tipo de app e com certeza irão motivar os seus usuários a permanecerem mais engajados em participar. Seja através de recompensas (pontos, moedas, recursos, emoção); competição (ranking, comparativos de desempenho); barras de experiência registrando o progresso; tarefas curtas e diferentes com múltiplos objetivos; feedback pelo qual o usuário compreende, aprende e evolui; incertezas sobre o que esperar; técnicas que resgatem memória e confiança; e itens que dão visibilidade ao usuário perante o grupo.

Que tal começarmos a colocarmos em prática a gameficação em nossos projetos e também nas tarefas do nosso dia-a-dia? Separei alguns exemplos de vídeos mostrando como, através de criatividade e soluções simples, podemos resolver problemas através da gameficação:

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