Review do Surface Pro 2 por um usuário de iPad e MacBook Air de 11″

Surface Pro 2

Por necessidades profissionais, eu preciso usar o Windows e alguns softwares que só existem para o sistema operacional da Microsoft. Sim, eu poderia ter criado uma máquina virtual no meu MacBook Air de 11 polegadas, mas resolvi comprar um Surface Pro 2 para testar e ver se o produto é “tão bom” quanto a companhia agora comandada por Satya Nadella afirma.

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Surface Pro 2

Antes de ser picado pelo vício de produtos Apple, eu era um “Microsoft maníaco” (tinha hardwares e softwares originais da empresa). Mas depois de usar o iPod pela primeira vez, tudo mudou. Item a item, abandonei os produtos criados pela companhia de Bill Gates e comprei tudo que o saudoso Steve Jobs inventou para nós.

Neste review, ignorei detalhes técnicos do hardware e preços, focando essencialmente na experiência prática do produto. Reparem que a experiência que descreverei abaixo foi pensada num perfil de gerente de projetos que usa muito o aparelho no escritório, assim como um usuário doméstico para operações convencionais (leitura de email, navegar na internet… coisas simples). Como muitas pessoas viram minhas fotos no Instagram usando um Surface Pro 2 e perguntaram se valia a pena — outros nem se deram ao trabalho e já me crucificaram —, acho justo compartilhar com vocês como está sendo essa experiência.

Pontos positivos

  • A bateria dura bastante tempo, cerca de 8 horas ou pouco mais, dependendo do uso. Entre reuniões — se levar em conta o tempo que fica em modo de espera —, costuma durar até mais de 10 horas.
  • Por estarmos falando da versão “Pro”, é possível instalar qualquer aplicativo compatível com Windows via CD ou download. No meu caso, preciso do Microsoft Project pois a minha empresa trabalha com o Project Server. Como não existe dele compatível com o OS X… lembrando que o tablet não tem drive óptico, ou seja, temos que conectar um acessório via USB para ter esse recurso.
  • Ele é bem rápido para ligar se comparado a computadores com HDD convencional, levando algo entre 10 a 15 segundos.
  • Diferentemente de outros produtos que vemos por aí, a touchscreen responde bem ao toque.
  • O Surface Pro 2 conta com uma entrada para cartões SD, então fica fácil uma expansão de espaço para armazenamento.
  • Ele também conta com uma entrada USB, muito útil para quem precisa de um mouse e/ou trabalha com pendrives.
  • A capa com teclado é ótima para não termos que usar o teclado virtual a todo momento — algo até legal para termos um um melhor aproveitamento da tela.
  • É claro que isso é a minha opinião, mas, diferentemente do iPad, o Surface nas versões “Pro” (primeira ou segunda geração) realmente substitui um computador. Mas é bom também colocar na balança os contras de um produto assim (mais sobre isso abaixo).
  • O número de aplicativos na loja tem crescido rapidamente. Os mais comuns para quem tem uma vida ativa em redes sociais estão disponíveis, como Twitter, Skype, entre outros.

Surface Pro 2

Pontos negativos

  • Se comparado ao iPad e/ou ao MacBook Air de 11 polegadas, ele é mais pesado. Por ter uma estrutura rígida (com apoio para ficar em pé, na horizontal) o dispositivo acabou ficando bem pesado. Neste ponto a Microsoft mandou mal no hardware. Fiz um teste com cerca de dez pessoas e, antes de ligar, falei para as pessoas segurarem o Surface. Foi unânime: vi reações como “Que troço pesado!”, “Caramba, ele é bem pesado!”, “Tem chumbo dentro?”, e por aí vai.
  • A capa/teclado não vem com o produto, então optei por comprar o teclado melhorzinho (existem duas versões, uma com teclado sem feedback tátil e outra que as teclas “afundam” quando você digita, como um teclado comum). A digitação nele é agradável e o ímã que conecta o acessório ao Surface fixa muito bem (meu deu a impressão de ser mais bem presa do que as capinhas oficias da Apple para iPads). Porém, tudo isso torna o produto ainda mais pesado, sem contar que as versões claras da capa (como a azul) sujam com extrema facilidade — em uma semana, mesmo tomando cuidado, já deu a impressão de ser um produto com bom tempo de uso.
  • A carcaça do Surface Pro 2 risca com facilidade, principalmente nas quinas (que descascam). Comprei uma case para proteger o aparelho, mas apenas o contato do zíper da capinha com a superfície do Surface já é suficiente para arranhar ele todo.
  • Como eu disse, ele realmente substitui um computador (tem tudo que imaginamos) e estou utilizando ele como um. Durante aproximadamente 8 horas do dia o Surface fica em cima da minha mesa, vai comigo para reuniões, é conectado em projetores, faz apresentações… peraí: um MacBook Air com uma máquina virtual Windows instalada serviria exatamente para a mesma coisa, não é mesmo? “Mas o MacBook Air não tem tela sensível ao toque”, outros podem dizer. Realmente não tem, e isso é um ponto forte do computador da Apple. Não sei vocês, mas eu odeio quem toca na tela do meu computador, deixando-a com marcas de dedos. Pois é exatamente assim que o Surface fica se você usar a touchscreen em vez do mouse (ou do trackpad disponível na capa/teclado). Na prática o touch não é tão usado — seu braço até cansa se tentar usar o aparelho assim por muito tempo.
  • Por falar em trackpad da capa/teclado, ele é *muito* ruim para se acostumar. Pedi para umas cinco pessoas testarem e todos acharam muito estranho: ele não responde direito e mal reparamos nos botões existentes — o espaço para clique é muito pequeno.
  • O Surface vem com uma caneta que pode ser usada para fazer anotações, navegar pela tela, etc. Mas voltando ao Surface sendo utilizado como um notebook, é algo que você usa uma vez para testar, faz algumas coisinhas legais (tipo um desenho no Paintbrush) e depois fica abandonada na mochila. A menos que você pense em comprar o Surface realmente para desenhar, pois a caneta funciona bem para isso.
  • Embora não seja uma caracterista do Surface, mas sim do Windows, comentei nos pontos positivos que o número de aplicativos tem crescido rapidamente, certo? Isto é bom! Mostra um certo interesse dos desenvolvedores. Mas alguns que utilizei não têm a mesma experiência que encontramos no mundo Apple — diria até mesmo no mundo Android, para falar a verdade. O fato é que alguns nem mesmo funcionam direito (o Skype nativo para Windows 8 tem menos recursos que as versões anteriores; o Twitter demora uma eternidade para atualizar, etc.). Mas como isso é uma característica do sistema Windows 8 em si, não me aprofundarei no tema. Contudo, vale pensar se você está em dúvida entre um produto Windows ou Apple.

Considerações finais

Achei o Surface interessante no começo, mas apenas para usuários com um perfil mais parecido com o meu, ou seja, para um uso do produto no escritório. Para usuários domésticos que estão na dúvida entre um Surface e um iPad, fica difícil comparar os aparelhos. O peso, a qualidade de acabamento… tudo pesa positivamente para o iPad.

Estereotipando ao máximo, eu consigo imaginar um engenheiro, um arquiteto, ou até mesmo um designer usando o Surface. Aí, talvez, faça sentido o uso da caneta para alguém que precisa sair a campo, ter certa mobilidade para desenhar, entre outras características que um MacBook não supre. Ainda assim, levando em consideração o peso do iPad e as ótimas ofertas de styli que encontramos por aí, a balança pesa (de novo) para o lado da Apple.

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Para todos que estão perguntando se vale a pena comprar, eu costumo dizer: analise antes se um notebook leve/pequeno não será mais útil. Não precisa nem ser o MacBook Air (apesar de ele ser, sem sombra de dúvidas, o melhor da categoria), mas basta algo do tamanho do Surface, mais leve e com um trackpad/teclado embutido para que já seja um grande diferencial. Se você precisa do sistema Windows e não pretende utilizar o Surface como um notebook comum, aí sim estamos diante de um cenário positivo para a utilização desse produto. Do contrário, acabará sendo um produto subutilizado e que custará caro.

Sem dúvida o Surface Pro 2 tem seus méritos. Mas analisando tudo isso do ponto de vista de um usuário Apple, afirmo que em breve devo voltar a utilizar uma máquina virtual em meu MacBook Air, pois carregar ele de um lado para o outro é muito mais agradável e prático.

Abusem dos comentários abaixo! Façam suas perguntas pois sei que cada um tem uma forma de usar e, na medida do possível, tentarei ajudá-los a descobrir se o produto encaixará no seu perfil de uso de uma forma mais harmônica do que no meu.

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