Opinião: há sentido num iPhone de 8GB em 2014?

8GB

8GBAgora há pouco, noticiamos que a Apple lançou hoje (ainda não no Brasil) um novo modelo do iPhone 5c com 8GB de capacidade. No Reino Unido, ele sai por 429 libras esterlinas — 40 a menos que o modelo de entrada anterior, com o dobro de capacidade.

Mas será que há algum sentido nisso, em pleno 2014? Bom, como sempre há “sims” e “nãos” para essa pergunta — por isso discorro sobre o tema a seguir.

Nem parece, mas neste ano o iPhone completará sete anos de vida. Seu modelo original foi lançado em junho de 2007, com apenas 4GB de capacidade e um preço pra lá de salgado. Em pouquíssimo tempo ele foi descontinuado e o modelo de entrada passou a ter 8GB.

Apple iPhone 2GRepito: em 2007(!), o iPhone de entrada tinha 8GB de capacidade. Naquela época ainda estávamos rodando a primeira versão do iPhone OS, a App Store nem sonhava existir e a tela dele tinha apenas 320×480 pixels.

Por outro lado, de lá pra cá os serviços de computação na nuvem também evoluíram bastante. Hoje você pode ouvir músicas somente via streaming se quiser, armazenar documentos em servidores remotos, entre outros. O problema é que, mesmo em 2014, nossas conexões via redes de telefonia celular continuam no geral lentas e instáveis, sem falar que pagamos caro por planos com franquias superlimitadas. Ou seja, basicamente você precisa ter uma conexão Wi-Fi disponível para usufruir disso tudo com uma velocidade bacana e sem preocupações.

Há público, hoje, para um iPhone de 8GB? Ah, certamente há. Meu sogro, o Sr. Antonio, é um ótimo exemplo. Com seus 62 anos de idade, ele se dá muito bem com um iPhone 4 de 32GB que já passou pelas minhas mãos e, mesmo com espaço de sobra, ainda não chegou aos 8GB. Seu iPhone é basicamente utilizado para ligações, navegação na web, leitura de emails, troca de mensagens com a família e eventuais fotos. Ele é o tipo de pessoa que nem precisa *saber* qual a capacidade do seu iPhone.

Mas esse é um perfil bem limitado, normalmente restrito a pessoas mais velhas ou gente que realmente não está nem aí para tecnologia e basicamente usa um smartphone como um telefone celular. Se o iPhone é um produto de nicho, eu nem sei como caracterizar um iPhone de 8GB.

O problema nessa história toda é que o atrativo “preço” pode pesar muito na decisão do consumidor. Mal a Apple lançou hoje o iPhone 5c de 8GB, já começamos a receber na caixa do MacMagazine algumas mensagens de pessoas agora na dúvida se isso é suficiente ou não — um dos motivos pelos quais decidi escrever este artigo, por sinal. Ora, se a Apple oferece a opção ela deve servir para alguma coisa, né?

Vamos fazer, então, algumas continhas. Vou ser bem generoso e considerar que, dos 8GB comercialmente anunciados, você ligará o seu iPhone 5c novinho com 6,5GB livres para usar da forma que quiser — afinal, parte dessa capacidade é ocupada pelo sistema operacional e pelos apps que já vêm pré-instalados. Abaixo, listo alguns apps da Apple (lembre-se de que você ganha as suítes iWork e iLife na compra de um iGadget novo) e outros “indispensáveis”:

AppPeso
Pages266 MB
Numbers234 MB
Keynote466 MB
iPhoto287 MB
iMovie635 MB
GarageBand611 MB
iBooks31 MB
iTunes U20,6 MB
Podcasts5,6 MB
Remote20,3 MB
WhatsApp Messenger24,9 MB
Facebook62,6 MB
Instagram12,8 MB
YouTube13,6 MB
Skype30,5 MB
Twitter14,7 MB

Só com esta listinha “básica” de apps, já se vão num piscar de olhos quase 3GB. Muitos deles depois de instalados vão ocupando ainda mais espaço com arquivos locais, cache, etc. E isso é só o começo.

Se você for usar o iPhone para jogar de vez em quando, ou você terá que optar por games bem básicos ou se preparar, pois é fácil vermos alguns pesando 1GB ou mais. Ter um app com GPS offline (como TomTom ou Sygic) num iPhone de 8GB é praticamente inconcebível. E o que sobra para suas fotos, mensagens, emails, documentos?…

Não é que um iPhone de 8GB seja inútil hoje em dia. Mas se você faz um uso um degrau acima do que há de mais básico, como o caso que citei como exemplo do meu sogro, você terá que ficar constantemente ligado no uso da memória interna do seu aparelho, descarregar fotos no computador com frequência e até trocar a seleção de apps/jogos instalados num determinado momento.

Acho válida a ideia da Apple de tentar viabilizar um iPhone mais em conta, porém esperava que, em 2014, ainda não precisássemos ter um aparelho com uma capacidade tão limitada — a mesma capacidade de um iPhone de sete anos atrás. Sete anos no mundo da tecnologia é uma vida! E é fato que os preços de memória flash despencaram de lá pra cá. Ao meu ver, isso não condiz com a experiência que esperamos ao comprar um produto da Maçã.

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