A Kony e o diferencial no desenvolvimento multiplataforma

Kony World 2014

Que as lojas de aplicativos estão cada vez mais cheias de opções, não é nenhuma novidade — tanto do universo Apple como do de concorrentes. Outra coisa que também não é mais novidade é: quem cria apps quer estar em várias lojas, a fim de ter uma abrangência maior. E a pergunta do momento: como fazer isso otimizando tempo e custo?

Em um passado não muito distante víamos muito mais aplicativos chegando primeiro ao mundo iOS do que ao Android; alguns inclusive só eram lançados para a plataforma da Apple (o Instagram, por exemplo, por muito tempo teve apenas um app para iOS). Porém, com o passar do tempo, a popularização do Android e o surgimento de novas plataformas (como Windows Phone), o mercado começou a exigir mais.

O mercado começou a pedir lançamentos simultâneos em diversas plataformas. Para isso era necessário ter uma equipe que conhecia iOS (Objective-C), outra de Android (Java), mais um especializada em Windows Phone (.NET) — normalmente quem desenvolve para uma plataforma não põe a mão na massa na outra —, etc. Na prática, para uma empresa, isso significa duplicar/triplicar sua equipe, ou seja, mais investimentos/custos.

Como resolver isso, então? Empresas começaram a se especializar no desenvolvimento multiplataforma, ou seja, criar um código que serve para diferentes plataformas. Mas isso também não é nenhuma novidade para quem está na área de desenvolvimento, não é verdade? A novidade, aqui, é que até pouco tempo atrás muitas dessas soluções não permitiam explorar a fundo as particularidades que cada sistema oferece. Consequentemente, o resultado final do aplicativo ficava longe de algo bonito e encantador.

Logo da Kony

Desde o começo, a Kony foi criada com o pensamento no desenvolvimento multiplataforma. Quando Raj Koneru, atual presidente da empresa, perguntou para um fornecedor se não tinha como desenvolver um app que fosse compatível com todas as plataformas, ao ouvir um “não” como resposta voltou para casa, contratou alguns prodígios de programação e lançou o desafio: “Preciso fazer algo compatível com mais de uma plataforma.”

O MacMagazine, através deste que vos escreve, foi ao Kony World 2014, em Orlando, conferir isso de perto.

A Kony

Kony é a MADP (mobile application development platform, ou plataforma de desenvolvimento de aplicativos móveis) baseada em nuvem de crescimento mais rápido da indústria — atualmente com mais de 600 aplicativos multicanais, em tempo real, servindo mais de 20 milhões de usuários finais em 45 países. A experiência com a plataforma Kony é de um SDLC (systems development life cycle, ou ciclo de vida de desenvolvimento de sistemas) totalmente integrado à plataforma para definir, projetar, desenvolver, testar, implantar e gerenciar aplicativos multicanais a partir de um único código fonte.

Em 2013, a Kony foi nomeada “líder” no quadrante mágico da Gartner para MADP, onde estão também SAP, IBM e outras — vejam o quadro abaixo:

Quadro - Kony

O evento

Realizado em um dos hotéis mais bonitos da Flórida, o Orlando World Center Marriott, o evento contou com a presença de parceiros muito fortes — quem está na área de TI já deve ter escutado falar de alguns deles, os quais estavam divididos de acordo com o patrocínio oferecido ao evento (platina, ouro, prata e bronze).

  • Platina: Accenture e UST Global.
  • Ouro: Capgemini.
  • Prata: HP, Mindtree, Pariveda Solutions e Stefanini.
  • Bronze: CGI, InfrasoftTech, InfoStretch Corporation, Resource IT Solution, STG e Wipro.

No mercado brasileiro, a Resource IT Solution é a consultoria com maior destaque por ter sido a primeira a iniciar e entregar um projeto na plataforma Kony, além de ter profissionais treinados e certificados tanto para o desenvolvimento como para fornecer treinamento. Entre seus clientes de destaque estão Honda, Banco Itaú e Tribanco — para vocês terem ideia da dimensão que a Kony está alcançado, o novo mobile bank do Itaú está sendo feito na plataforma.

Entre as diversas palestras do evento com membros da empresa, clientes e parceiros, uma das que me chamou mais atenção foi a de Vicente Fox (64º presidente do México), que explicou como empresas como a Kony ajudam a impulsionar o mercado de TI.

Outra muito boa foi a de Van Baker, vice-presidente de pesquisa do Gartner, que mostrou números bem interessantes sobre o potencial mobile no mundo e como estão as tendências de modelo de desenvolvimento — todas as apresentações do evento estão disponíveis aqui. 😉

Entre os pontos explorados no evento, tanto a Kony quanto parceiros e clientes reforçaram muito a importância de se investir no experiência do usuário (user experience, ou UX) e na interface de usuário (user interface, ou UI) do app, bem como em testes e na metodologia de desenvolvimento ágil já que modelo cascata[1] estava se mostrando cada vez menos eficiente.

Pensando na importância de UX e UI, a Kony aproveitou o evento para lançar o Kony Visualizer, uma maneira de o arquiteto de informação — em parceira com o designer — montar a “casca”[2] do aplicativo quase em sua versão final, de uma forma navegável para facilitar os testes de usuário (que está solicitando o produto).

No último dia do evento, a Kony reuniu todos os convidados em uma confraternização numa casa chamada House of Blues, localizada em Downtown Disney. Além de um belo jantar e música ao vivo, a empresa distribuiu alguns troféus para os parceiros e clientes. O Banco Itaú, representado pelo Sr. Marcelo Fabeni (da área de gerência de mobilidade), recebeu um desses pelo destaque no projeto e parceria Kony e Itaú.

Para a Kony, o Brasil tem extrema importância no crescimento de seus projetos na América Latina e não era difícil ouvir nosso bom português nas rodas de conversas do evento. Entre esses brasileiros tínhamos Davi Corrêa Júnior, engenheiro de soluções que até pouco tempo trabalhava na Kony Brasil e se mudou para Orlando a fim de auxiliar com maior eficiência as conversas, soluções de chamados, etc. entre os parceiros brasileiros e a Kony nos EUA.

Foquei bastante em Kony nesta matéria por ser a empresa que se diz focada exclusivamente no desenvolvimento multiplaforma. E pelo que vimos de perto, eles nasceram fazendo isso — uma tendência que, arrisco dizer, é sem volta. Porém temos outros nomes no mercado com soluções de desenvolvimento multicanais que não são focadas, como SAP, IBM e outros. Temos também o Xamarin, baseado em tecnologias da Microsoft, no qual com conhecimentos em .NET você pode programar para vários aparelhos ao mesmo tempo. Mas isto será pauta para outro post…

Trata-se de um tema extremamente novo e que trará muitas oportunidades de mercado para os interessados nas áreas de TI e mobilidade. Usem e abusem dos comentários abaixo para tirar suas dúvidas. 😉


  1. Para quem não está familiarizado com os termos ou metodologias, o modelo cascata (waterfall) é o mais tradicional, no qual se faz todo o levantamento e especificação do projeto antes de começar a desenvolver. Após o desenvolvimento vêm os testes, a homologação e a produção; muitas vezes, leva-se muito tempo para ver que algo não é mais necessário nesse cenário. Por isso, o modelo ágil consiste em focar primeiro no mais importante (em pequenas entregas), avaliando primeiro o MVP (mínimo produto viável) do projeto, ou seja, o que eu consigo entregar minimamente que já agregará valor/beneficiará de alguma forma o usuário. De pouco em pouco, repete-se o ciclo. Como vários palestrantes disseram, eles não esperam acertar de primeira, mas querem errar o mais rápido possível para corrigir na mesma velocidade. Podemos explorar mais esses temas em outro artigo sobre metodologias de desenvolvimento. ↩
  2. Chamamos de uma “casca” pois nessa navegação não são feitas integrações com base de dados ou algo do tipo, somente com dados simulados para ver se o app está ficando bom. Uma vez aprovado pelo cliente, essa “casca” vai para a equipe de desenvolvimento, que codifica em cima de telas já prontas, otimizando bastante o trabalho dos desenvolvedores que muitas vezes têm uma visão mais lógica, focada na funcionalidade, do que na experiência visual do app — além de diminuir bastante o tempo gasto com documentações. ↩

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