Apple e Samsung estão de volta ao tribunal californiano para mais uma disputa; entenda o caso

Apple vs. Samsung

Nesta semana, um dos processos mais famosos do mundo tecnológico ganhou um novo capítulo. Falo da disputa entre Apple e Samsung que acontece na Califórnia (Estados Unidos). Antes de entrar nessa “quarta etapa”, vale uma breve recapitulação do que já aconteceu.

Apple vs. Samsung

A primeira etapa aconteceu em agosto de 2012, quando foi decidido que a Samsung desembolsaria US$1,05 bilhão por infringir patentes da Apple. Mais tarde, em março de 2013 (segunda etapa), esse valor foi revisto e a juíza Lucy Koh, responsável pelo caso, cortou US$450,5 milhões do bolo (referente a 14 produtos da Samsung que fizeram parte do processo mas que deveriam receber um novo julgamento para avaliar novamente os valores dos danos das infrações). Em novembro de 2011 (terceira etapa), o júri decidiu que a sul-coreana devia então mais US$290 milhões, totalizando US$890 milhões.

Agora, em abril de 2014 (quarta etapa), as patentes de design foram deixadas de lado e o foco se voltou para inventos relacionados a recursos de softwares. No total, a Apple acusa a Samsung de infringir cinco patentes. São elas:

  1. 5.946.647 – Sistema e método para executar a ação em uma estrutura em dados gerados por computadores: este é o recurso responsável por fazer o iOS entender os assuntos armazenados no aparelho, apresentando links rápidos para acesso através da busca (Spotlight).
  2. 6.847.959 – Interface universal para a recuperação de informações em um sistema de computador: recurso que oferece resultados na busca tanto para conteúdo armazenado no aparelho quanto para pesquisas na web.
  3. 7.761.414 – Sincronização assíncrona de dados entre dispositivos: esta é autoexplicativa.
  4. 8.046.721 – Desbloquear um dispositivo através da realização de gestos numa imagem de desbloqueio: esta também é bastante didática.
  5. 8.074.172 – Método, sistema e interface gráfica do usuário para fornecer recomendações de texto: também bastante óbvio.

Com exceção da patente “deslize para desbloquear” (8.046.721), todas as outras quatro miram basicamente o Android — e essa é até uma das formas escolhidas pela Samsung para se defender, já que não foi ela quem desenvolveu o sistema operacional. Por outro lado, a Apple afirma que não é o Google quem vende esses aparelhos, e sim a sul-coreana.

No total, a Maçã está pedindo agora US$2 bilhões em danos pelas infrações, afirmando que mudou o mercado de eletrônicos de consumo com o iPhone, em 2007 — arriscou quase tudo no processo — enquanto a Samsung optou por seguir o caminho mais rápido para o sucesso: copiando muitas das características do iPhone, lucrando bilhões com isso.

Quem decidirá esse imbróglio? Um júri composto por oito pessoas[1] (quatro homens e quatro mulheres), num julgamento previsto para ser realizado ao longo de todo o mês de abril — três dias por semana no tribunal, com ambos os lados tendo 25 horas para provar seu ponto.


  1. Anteriormente eram dez pessoas (seis mulheres e quatro homens), mas duas pularam fora: uma adoeceu e outra afirmou que passaria por problemas financeiros caso seguisse fazendo parte do processo. ↩

[via 9to5Mac, The Verge, Re/code]

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