Amazon é mais uma a apostar no mercado de televisão e lança a Fire TV, concorrente direta da Apple TV

Amazon Fire TV

Sabemos que nada é lançado às pressas em Cupertino — com exceção do aplicativo Mapas para iOS, mas isso não vem ao caso agora. Muitos fãs criticam a empresa por essa demora em lançar novos produtos disruptivos, dando a chance para que outras companhias lancem primeiro. Aconteceu no mercado de smartwatches — no qual tudo aponta que a Apple entrará muito em breve — e está acontecendo novamente: agora com o de TVs.

Amazon Fire TV

Hoje, a Amazon apresentou ao mundo a sua solução para a sala de estar: a Fire TV, uma caixinha preta bem ao estilo da Apple TV, mas com bons recursos cujos rumores de uma possível nova Apple TV (ou “iTV”) cobrem. Mas antes vamos ao “lugar comum”.

O set-top box da Amazon conta com acesso instantâneo a serviços como Netflix, [Prime] Instant Video (da própria Amazon, disponível apenas na Alemanha, no Japão, no Reino Unido e nos Estados Unidos), Hulu Plus, WatchESPN, SHOWTIME, YouTube, VEVO e muitos outros — a grande maioria indisponível no Brasil, infelizmente. Além, é claro, da possibilidade de escutar músicas (Pandora, iHeartRadio, TuneIn e, em breve, Amazon Cloud Player) e visualizar fotos, as quais podem ser sincronizadas automaticamente utilizando o serviço Amazon Cloud Drive.

Assim como todos esses produtos, a Fire TV traz suporte a conteúdos Full HD (1080p) e conta com um controle remoto relativamente simples. Os diferenciais pra valer começam ao abrir a caixa do produto, já que a Fire TV vem pré-configurada de fábrica. Basta plugar na TV que os filmes/séries de TV/músicas — e listas de desejo — estarão lá, aguardando.

Uma novidade muito bem-vinda é a busca por voz. Basta falar o nome do filme, da série de TV, do ator, do diretor ou de um determinado gênero para ver o conteúdo relacionado. Outro diferencial está relacionado ao streaming do conteúdo. Segundo a Amazon — com base na lista de desejos e recomendações — o recurso ASAP (advanced streaming and prediction, ou transmissão e predição avançados) prevê quais filmes/episódios de séries de TV o usuário quer assistir e já os deixa preparados para reprodução antes mesmo de o usuário apertar o play. Ainda de acordo com a Amazon, o recurso é inteligente e personalizado com base nos hábitos de visualização do consumidor, se adaptando a mudanças.

A Fire TV também conta com uma espécie de AirPlay para que o conteúdo de smartphones e tablets seja “jogado” para a TV. Porém, diferentemente do recurso da Apple, o da Amazon transforma o aparelho móvel numa segunda tela, mostrando informações sobre o filme/série de TV/faixas musicais em questão (como nomes dos atores) — tudo graças ao recurso X-Ray, o qual é exclusivo da Amazon e alimentado pelo banco de dados do IMDb. Tal recurso estará disponível para iPads e iPhones ainda em 2014.

Amazon Fire TV

O controle parental da Fire TV também é algo que merece destaque, já que os pais podem criar perfis para seus filhos estabelecendo que tipo de conteúdo pode ser visualizado, por quanto tempo, etc. O melhor: quem já tiver criado um perfil desses no Kindle Fire visualizará tudo automaticamente na Fire TV — é ou não é o tipo de integração que a Apple oferece?

Mas a grande novidade mesmo eu diria que é a disponibilidade de jogos. Isso mesmo, é possível jogar títulos de desenvolvedoras como EA, Disney, Gameloft, Ubisoft, Telltale, Mojang, 2K e Sega na Fire TV. Mesmo sendo um produto novo, a oferta inicial já é bem grande, incluindo Minecraft, Monsters University, The Game of Life, The Walking Dead, NBA2K14, Asphalt 8, Riptide GP2, Despicable Me: Minion Rush e muito mais. Em breve, a Amazon lançará o aplicativo Fire TV para que usuários joguem utilizando seus próprios smartphones/tablets. Quem quiser também pode optar pelo controle (gamepad) oficial da empresa, o qual custa US$40.

Para fechar as características do produto, ele conta com um processador quad-core, uma GPU (graphics processing unit, ou unidade de processamento gráfico) Adreno 320 dedicada, 2GB de RAM, 8GB de armazenamento interno, conectividade Wi-Fi e Bluetooth, suporte a Dolby Digital Plus 7.1, entre outras coisas — tudo isso numa caixinha de 115x115x17,5mm pesando 281 gramas. A título de comparação, a Apple TV tem 98x98x23mm e pesa 272 gramas. Vale notar que, assim como o produto da Maçã, usuários *precisam* comprar um cabo HDMI para ligar à televisão — o que vai contra toda a experiência “out of the box”

O que mais me chamou a atenção nesse lançamento da Amazon foi essa do comunicado para a imprensa:

[…] a Amazon integra o hardware, o software e o conteúdo numa maneira fácil de usar, sem costuras, de ponta-a-ponta para consumidores finais.

Hoje em dia esse discurso é repetido por muitas empresas que, de um tempo para cá, adotaram a famosa estratégia vertical difundida pela Apple desde os primórdios da companhia. O que eu quero dizer com isso? A concorrência hoje não está fácil e, por mais que a gente saiba que alguma coisa está sendo construída nos laboratórios de Cupertino, está chegando a hora — ou será que já passou? — de a companhia nos apresentar esse produto.

Voltando ao assunto timing de lançamento, do início do post, vale relembrar aqui um vídeo (praticamente um manifesto) apresentado pela Apple na WWDC de 2013:

Aqui vai o meu destaque:

[…] criar algo requer foco. A primeira coisa que perguntamos é o que nós queremos que as pessoas sintam? […] apenas depois nós começamos a criar em torno de nossas intenções. […] isso leva tempo…

Recentemente, relembrando o aniversário de Steve Jobs, Tim Cook tweetou:

Lembrando de Steve em seu aniversário: “Detalhes importam, vale a pena esperar para ter a coisa certa.”

Crédito, sem dúvida nenhuma, a empresa tem. Resta saber o que vem por aí, já que a concorrência — e muitos consumidores, diga-se — não tem a mesma paciência.

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