Aceitem de uma vez por todas: Steve Jobs se foi

Steve Jobs na CBS

Aos 56 anos de idade, Steve Jobs faleceu em 5 de outubro de 2011, há dois anos e meio (ou exatos 917 dias).

Steve Jobs na CBS

Depois que a notícia “assentou” e comecei a observar as consequências do ocorrido, concluí que passaríamos um bom tempo na sombra de Jobs. Afinal, ele não era apenas o cofundador da Apple, era um gênio dos produtos, um showman nato, o cara que conseguiu levar a empresa que criou da falência ao topo do ranking das mais valiosas em todo o planeta.

Mas nem nas minhas piores previsões eu imaginava que ainda agora estaríamos nessa mesma ladainha. Talvez em partes a culpa seja da própria Apple, que ainda não realizou nenhum lançamento realmente bombástico desde então. Porém, independentemente disso, as pessoas precisam se conformar de uma vez por todas. E também parar de achar que a Apple mudou alguma coisa nesse relativamente curto espaço de tempo.

“Isso não aconteceria se Steve Jobs ainda estivesse entre nós.”
“Steve Jobs nunca aprovaria uma coisa dessas.”
“Esse tipo de coisa nunca aconteceu enquanto Steve Jobs estava vivo.”
“Jobs deve estar se revirando no túmulo.”
“Volta, Steve!”

Essas são apenas algumas das frases que nós, que acompanhamos/cobrimos o mundo Apple diariamente, somos obrigados a ler múltiplas vezes quase toda semana.

É engraçado, porque essas pessoas vangloriam tanto o Jobs pela sua genialidade mas acham que elas próprias teriam alguma capacidade de dizer o que ele faria ou deixaria de fazer. Ora, se ele era tão imprevisível assim como que alguém pode afirmar que a linha de produtos/serviços da Apple seria hoje minimamente diferente do que é se ele ainda estivesse vivo?

Se há no mundo um grupo de pessoas que pode ter uma boa noção do que Jobs faria se ainda estivesse por aqui são os próprios executivos/empregados da Apple, os quais trabalharam com ele diariamente por anos — alguns por décadas. Pessoas estas que, por sinal, em sua maioria foram escolhidas e contratadas pelo próprio Jobs. Ora, se ele era tão bom para dizer que produtos dariam certo ou não, ele também deveria ter um bom tato para escolher os melhores profissionais para trabalhar ao seu lado. Tim Cook é hoje CEO da Apple por recomendação do próprio Jobs.

Muitos também esquecem que, por mais que tenha certamente deixado a sua marca na história por diversas conquistas e realizações, Jobs era um humano como todos nós e também errou bastante enquanto no comando da Apple — e isso inclui Power Mac G4 Cube, iPod shuffle de terceira geração, MobileMe, Ping, o mouse do iMac G3, o próprio “Antennagate” do iPhone 4, entre outros.

Mas é preciso que sigamos em frente, que aceitemos de uma vez por todas que Steve Jobs se foi e que a Apple continua. Ela pode não ter feito nenhum lançamento bombástico desde o final de 2011 (o que deverá mudar provavelmente ainda neste ano, considerando rumores de “iWatch”, nova Apple TV, iPhones com telas maiores, etc.), mas nesse período tivemos novos produtos e atualizações excelentes como iPhone 5, MacBook Pro com tela Retina, novas versões de sistemas operacionais (incluindo o polêmico iOS 7), iPad Air, Mac Pro e outros. Vários desses projetos ainda têm o dedo direto ou indireto do próprio Jobs, o que mostra que essas afirmações sobre a Apple de hoje são completamente descabidas.

Em vez de ficarem ruminando então essas coisas, vamos todos curtir e usufruir dos iProducts que temos hoje em mãos (seja você dono de Macs, iPhones, iPads e/ou iPods), discutir saudavelmente os rumores que pintam por aí (é *excelente* que a concorrência tenha apertado o cerco para cima da Apple, isso é o que há de melhor para o consumidor e estimula inovação) e termos também consciência de que a empresa não é e nem nunca foi perfeita, e que somos livres para optarmos por soluções de outras empresas se considerarmos elas mais adequadas para as nossas possibilidades/necessidades. Não é a presença de Jobs que faz alguma diferença nisso.

Página virada? 😉

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