WWDC 2014: confira um condensado de rumores acerca do primeiro evento do ano da Apple

WWDC 2014 (mais quadrado)

Pelo segundo ano consecutivo temos um primeiro semestre morto, sem sequer um único evento; enquanto isso, nos seis meses seguintes, muito provavelmente teremos atualizações em todas as linhas de produtos da Apple. Isso sem levar em conta que, além de novos produtos já existentes (iPads, iPhones, iPods e Macs), a Maçã poderá entrar em novos segmentos como o dos wearable gadgets (aparelhos que podemos vestir) e o televisivo.

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Já estamos no final do quarto mês de 2014, a 36 dias do primeiro evento do ano, a Worldwide Developers Conference. É claro que até lá muitas coisas podem mudar — surgimento de novos rumores, vazamento de peças, etc. —, mas neste artigo recapitularemos tudo o que é aguardado para o dia 2 de junho.

WWDC 2014 (mais quadrado)

Mac

Nos últimos dois anos a Apple escolheu a WWDC para atualizar a linha Mac. Em 2012 vimos o lançamento do primeiro MacBook Pro com tela Retina (além de atualizações para os demais MacBooks); no ano passado tivemos não só a nova geração de MacBooks Air, como a tão aclamada e surpreendente atualização do Mac Pro (“Can’t innovate anymore, my ass!”). O que esperar para 2014?

Na minha modesta opinião só veremos novos MacBooks — e se houver atualização serão só aquelas de rotina. Mas isso, é claro, não significa que não veremos Macs na WWDC.

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Em 2013, quando uma fornecedora da Apple lançou novas telas, os rumores a respeito do tão esperado iMac com tela Retina e do Thunderbolt Display (também com tela de alta resolução) se reaqueceram. Mas levamos um balde de água fria quando a Apple passou a comercializar os monitores 4K da Sharp para acompanhar o Mac Pro.

O tempo passou e, agora, quase sete meses depois, um dos meus grandes chutes — e do “renomado” analista Ming-Chi Kuo é que chegou a hora de um game changer para o iMac.

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Para mim, teremos uma grande mexida no cenário de Macs neste ano — começando pelos de mesa e depois se estendendo aos portáteis. Minha aposta pessoal é que os modelos de iMacs existentes serão descontinuados, sendo substituídos por dois novos: um de entrada, na faixa dos US$700-800, e um mais robusto, na faixa de US$1.600-1.800. No caso do modelo de entrada, seu armazenamento seria em HDD, tela convencional e processador Intel dual-core i5 com gráficos Iris, enquanto o modelo mais robusto chegaria com tela Retina (ou 4K), armazenamento totalmente em SSD e processador Intel quad-core i7 com GPU dedicada — quem sabe até na cor cinza espacial e com leves acabamentos aprimorados, para “acompanhar” o Mac Pro.

E por falar em Mac Pro acredito que, se a Apple atualizar mesmo os iMacs colocando uma tela Retina neles, ela também atualizará o Thunderbolt Display — que implora por um upgrade. Chega a ser uma blasfêmia um produto que custa R$5.000 ter um design ultrapassado, não ter I/O atualizadas e ter uma tela “convencional”. O novo Thunderbolt Display teria uma tela de ponta a ponta (edge-to-edge), resolução 4K, portas USB 3.0, Thunderbolt 2 e um acabamento de alumínio combinando com o Mac Pro.

iOS 8

Não é preciso se esforçar muito para encontrar os rumores mais absurdos relacionados à oitava versão do sistema operacional móvel da Apple. Neles vemos de tudo, desde nova iconografia até recursos mais inimagináveis. A verdade é que, depois do que tivemos no ano passado (o maior salto para o iOS desde sua introdução em 2007), não espere grandes coisas para este ano. Sim, teremos ótimas melhorias e aperfeiçoamentos, mas não espere algo tão drástico como vimos com a chegada do iOS 7. É hora de lapidar.

O design do sistema mudará? Levemente, assim como mudou da quarta para a quinta e da quinta para a sexta versão. Talvez tenhamos uma mexida grande em um ou dois apps, mas certamente não teremos aquele efeito que tivemos no iOS 7 ao desbloquear a tela pela primeira vez.

Conceito de ícone para o iOS 8

Conceito meramente ilustrativo para o ícone do iOS 8.

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De acordo com os rumores mais plausíveis, a grande novidade do iOS 8 será um aplicativo totalmente focado em saúde e fitness, o “Healthbook”. Usando o coprocessador M7 e os demais sensores já existentes em iGadgets atuais, o aplicativo seria capaz de monitorar diversos índices biológicos, como tempo de sono, gasto energético, saturação do oxigênio, entre outras coisas. E no futuro, com a — muito provável, porém não confirmada — chegada do “iWatch”, o aplicativo poderá ganhar recursos extremamente sofisticados, como até mesmo um medidor do nível de glicose no sangue.

Outra novidade bastante aguardada é uma atualização significante no aplicativo Mapas. Depois da enorme polêmica de 2012, quando o app foi lançado — gerando uma carta de desculpas de Tim Cook e, depois, sendo um fator determinante para a demissão de Scott Forstall (um dos “pais” do iOS), acredito que se a Apple se dispuser a falar novamente dos mapas no palco da WWDC é porque realmente muito trabalho foi feito e agora ele está bem redondo.

Também já foi tema de rumor uma implementação nativa de um recurso identificador de músicas (bem ao estilo Shazam), melhorando e tornando mais intuitiva a busca e o descobrimento de novas canções. Arrisco a dizer que essa seria mais uma medida para impulsionar as vendas, fazendo com que clientes descubram novas músicas. Falando em músicas, é provável que tenhamos o iTunes Radio sendo deslocado para um aplicativo próprio, dando uma maior visibilidade ao serviço.

Alguns apps que eu elegeria como favoritos para ganhar uma cara diferente seriam o Gravador (já que seu design no iOS 7 não é nada intuitivo, gerando muitas reclamações) e o Música, que ganharia um visual mais próximo ao do app Remote.

Melhorias gerais são aguardados para a Siri, o CarPlay e o Touch ID. Eu apostaria que um salto importante seria dar aos desenvolvedores mais acesso a esses três serviços, deixando-os ainda mais funcionais. Sobre o Touch ID, não consigo imaginar a Apple liberando agora, nesse primeiro segundo momento, uma API para todos os desenvolvedores — visto principalmente o histórico que ela tem. Todavia, podemos torcer e esperar que ao menos novidades para esse recurso — que já é fantástico — cheguem e que ele deixe de ser apenas uma senha de desbloqueio do aparelho e para realizar compras na iTunes/App/iBooks Store.

Uma ótima funcionalidade que já foi bastante cogitada seria a Maçã criar uma espécie de cadastro com lojas e possibilitar vendas via IDs Apple — autorizadas pelo Touch ID. Basicamente seria levar o modelo de compras que temos hoje nas lojas online de conteúdos da Apple para as suas Retail Stores. Cook já deixou claro publicamente que o segmento de pagamento móveis é uma das áreas de grande interesse da Maçã — sem contar que podemos também botar nesse meio o auxilio da nova geração de senhas para IDs Apple, comentada por nós nesta semana com exclusividade.

Sobre o CarPlay, a grande novidade seria a possibilidade de usá-lo através de uma conexão sem fio (Wi-Fi) — e não apenas via cabo, como é hoje. Francamente, ainda não consegui entender como a Apple deixou isso de fora da primeira versão. No caso da Siri, já comecei uma novena para que na próxima atualização — três anos(!) depois do lançamento da assistente — ela aprenda a falar português. Além de novos idiomas, acho válido sonhar com a possibilidade de ela se tornar mais “assistente”, com acesso e respostas mais dinâmicas, mais ou menos como o Google Now do Moto X — o qual, convenhamos, é sensacional!

A Central de Notificações deverá ganhar uma mexida, visto que as abas “Hoje”, “Todas” e “Perdidas” são um tanto quanto redundantes. Muitas pontas também deverão ser aparadas, como a incompatibilidade entre o AirDrop do iOS e do OS X, além de elementos visuais mais bem acabados/pensados.

Assim como no OS X Mavericks, acredito que a equipe de Craig Federighi está investindo pesado em tecnologias que não vemos, mas sentimos: a estabilidade do sistema, a fluidez, o uso de memória e, é claro, a bateria (que é um problema recorrente em cada atualização do iOS). Espero que, assim como no OS X 10.9, a gente ganhe (ou, no mínimo, mantenha) horas de bateria, em especial no iPhone.

OS X

Em 2010, com a chegada do OS X Lion, o sistema operacional desktop da Apple começou um processo de aproximação do iOS. Nas versões seguintes os sistemas foram ficando cada vez mais parecidos, até que no ano passado o iOS virou para o lado e começou a seguir um novo caminho (mais flat, sem uso de elementos que imitam a realidade); enquanto isso, o OS X permaneceu com o mesmo estilo de sempre. A partir desse momento começamos a nos perguntar: a Apple vai fazer com o OS X o mesmo que fez com o iOS? A resposta é não. Isso quem fez foi a Microsoft, que criou uma interface extremamente plana para aparelhos móveis e a replicou em computadores — o que, na minha opinião, não funcionou.

O que os rumores apontam — e que eu acho muito mais inteligente — é que a Apple fará uma aproximação dos sistemas de forma mais suave, sem que o OS X perca a sua identidade. Isto é, ao ligar um Mac com o OS X 10.10, você terá certeza de que está num computador — ainda que reconheça o sistema como algo bem próximo do iOS. A tendência é que eles conversem entre si, mas mantenham as particularidades do ambiente ao qual cada um pertence.

Teremos o sistema inteiro (apps, ícones, etc.) modificados? É provável, mas as mudanças — em sua maior parte — serão menos drásticas do que as que vimos no iOS 7. A brilhante equipe de designers da Apple deverá enxugar bastante os elementos que simulam a realidade do OS X, assim como tirar o excesso de brilho e texturas. É claro que teremos um ou outro aplicativo que será totalmente redesenhado, mas não espero que, entre os mais de 50 apps nativos, esse número seja algo expressivo.

Muitos conceitos que já surgiram para o “novo” design do OS X são extremistas — alguns até lembrando um pouco o Windows 8. Felizmente, pelo que sabemos até o momento, nenhum desses conceitos que surgiram até agora passam perto do que veremos na versão final.

A nomenclatura de felinos foi extinta publicamente no ano passado, afinal, a Apple já estava ficando sem nomes para batizar o OS X. Então, Craig Federighi divulgou a nova “filosofia” para a nomenclatura: lugares que os inspiram na Califórnia, onde o OS X é criado. Pois nesta semana o o 9to5Mac trouxe à tona documentos encontrados os quais mostram registros de marcas para supostos futuros nomes do OS X, entre eles: Yosemite, Redwood, Mammoth, California, Big Sur e Pacific. Meu “chute livre” (entre as muitas possibilidades) seria OS X Yosemite, inspirado no Parque Nacional de Yosemite, um lugar extremamente lindo localizado nas montanhas da Serra Nevada.

E pensando nisso, criei um rápido “conceito meramente ilustrativo” de como seria o logo da 11ª versão do OS X:

Conceito de ícone para o OS X 10.10

Uma semelhança com a atualização do iOS seria que, além de uma nova interface, teríamos recursos novos por todo o sistema. Torço muito para que a multitarefa e a Central de Controle de iDevices sejam levadas para o OS X — e, é claro, assim como mencionei acima, espero também que criem a desejada compatibilidade entre os AirDrops do iOS e do OS X.

Por falar na relação dos sistemas, acredito que essa tenha sido a barreira que atrasou o lançamento da Siri para o OS X no ano passado. As funções da assistente pessoal em computadores seriam basicamente as mesmas que ela tem em iGadgets. E é aí que pode estar o problema: imagino que a Apple não queira simplesmente “jogar” a Siri em Macs, mas sim criar uma grande compatibilidade e integração entre seus produtos. Pense comigo: em um comando como “Reproduza o primeiro episódio da sexta temporada de The Walking Dead na minha Apple TV”, ou ainda “Envie minha última foto para meu MacBook Pro”. Melhor: “Acione o alarme das 7 horas da manhã no meu iPhone”. Seria incrível, não é mesmo?!

Apple TV

Na última semana, eu e muitos outros tuíteiros assíduos divulgamos em nossas contas pessoais uma imagem supostamente “vazada” do que seria o Developer Center pós-WWDC — recebida de um email anônimo. Não coloquei muita fé — tanto que isso nem virou pauta para o site —, mas também não a desmereci totalmente e resolvi postá-la para que tentássemos encontrar possíveis evidências de que aquilo era de fato falso. Não demorou muito para que que o fake fosse confirmado, mas sem dúvida a parte que mais me chamou a atenção foi a aparição de um sistema intitulado “aOS VII”.

Mesmo sendo falsa, não é de hoje que rumores falam sobre a liberação de um SDK para a Apple TV, fazendo com que a empresa coloque os dois pés de uma vez por todas no mercado de TVs — coisa que ela já demonstrou efetivamente ter interesse [1, 2]. Nada mais justo, então, que o software do set-top box ganhe uma incrementada significativa.

Conceito para ícone do aOS 7

O conceito acima — baseado na imagem “vazada” e falsa — não é tão absurdo; arrisco dizer que seja até provável. O até então “Apple TV Software 6” passaria a se chamar “aOS 7”, com um design mais familiar (alô, iOS 7!) e, é claro, uma bela novidade: a chegada de uma loja de apps.

Conceito para o Apple TV Software

Um outro rumor bem mais antigo que comentamos foi a possibilidade de um novo passo para o AirPlay, o AirPlay Direct. Mas como desde aquela época só tivemos atualizações “básicas”, com adições de recursos simples para o set-up box, cogito que ele chegará junto a essas outras melhorias.

Além disso tudo, vimos indícios de que a Siri será levada para a Apple TV. Aí eu pergunto: Siri + App Store + Wi-Fi Direct não seriam três pilares incríveis para uma atualização, justificando inclusive a mudança de nomenclatura no software? Nos resta torcer para que os rumores se tornem reais, servindo como preparo de terreno para a chegada de uma Apple TV renovada mais para o final do ano — ou, quem sabe, de uma “iTV”.

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Eis todos os rumores, com algumas pitadas de opiniões sobre tudo o que podemos esperar para a abertura da WWDC 2014, na primeira segunda-feira de junho. Animados? Eu estou. 🙂

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