Appreendedor: bola na trave não altera o placar

Bola de futebol na praia com bandeiras de países

Faltando poucos dias para o início da Copa do Mundo, temos a sensação de que ainda falta muito a se fazer — mas quem tem a obrigação de fazer? E o que há para ser feito?

Bola de futebol na praia com bandeiras de países

Bola de futebol na praia com bandeiras de países, via Shutterstock.

Convenhamos e sejamos lógicos: não se pode acreditar que um evento esportivo pudesse gerar mudanças profundas na infraestrutura das nossas cidades, de que teríamos os problemas públicos resolvidos, entre outras necessidades sociais — que, enfim, seríamos um país de primeiro mundo após a Copa.

Neste momento, sair para as ruas gritando por melhores condições, promovendo protestos pacíficos ou violentos, dizer que o dinheiro público investido nos estádios deveria ter sido aplicado em hospitais e escolas, é confirmar ao mundo que somos acomodados e desprovidos de inteligência. Espere! Antes que diga que o autor deste artigo é um maluco agindo contra a pátria amada, vou provar para você que estou certo e que, juntos, podemos fazer a diferença.

Digamos que, como em um passe de mágica, voltamos no tempo e estamos exatamente na época da colonização do Brasil. Os exploradores acabaram de retornar com a notícia de ricas terras do outro lado do oceano, e que essas terras são habitadas por nativos — por sua vez ora ingênuos, ora canibais. Além disso, nossos inimigos e vizinhos europeus também passaram por lá e ficaram de olho nas riquezas as quais aquele lugar oferece.

Ótimo, não? Uma excelente oportunidade… #sqn (só que não). Você faz parte da nobreza, tem acesso direto ao rei, além das festas promovidas com música de qualidade e regadas com o melhor vinho da região. Quem vai para o Brasil? Quem sairá da zona de conforto para encarar um desafio repleto de dificuldades e riscos?

Da mesma forma, hoje a grande maioria dos brasileiros estão presos ou acomodados em suas rotinas pessoais e/ou profissionais. Poucos estão dispostos a enfrentar e participar de forma transparente e ativa. Afinal, é mais fácil reclamar e procurar alguém para colocar a culpa do que assumir a responsabilidade e encarar os desafios de frente.

Não existe nada melhor do que a televisão brasileira para destacar essa cultura do comodismo. Como é bom ver uma novelinha, né? E como é importante acompanhar os jornais repletos de notícias bárbaras — afinal, será o tema da vez entre os amigos ou colegas de trabalho. Que tal as celebridades estrategicamente criadas sobre corpos esculturais e acompanhadas com boas fofocas? O que está na moda agora, reclamar que perdemos os valores humanos e culturais ao ouvir Valesca Popozuda ou ser um rebelde sem causa só para mandar um beijinho no ombro para todos os caretas?

A Copa do Mundo está aí — concordo que o Brasil é carente de outras prioridades básicas e que não estamos preparados para um evento dessa magnitude em um mundo globalizado e exigente. O fato é que agora não podemos mais voltar atrás, os protestos deveriam ter sido feitos no momento em que nossos políticos anunciaram a intenção de “promoverem” o evento no país. A Copa do Mundo é da FIFA, a responsabilidade de agirmos e não aceitarmos o que os políticos nos entregam é nossa.

Vamos aproveitar a oportunidade para receber pessoas de todas as partes do mundo em nossa casa. Trocar experiências, validar ideias, buscar parceiros e quem sabe investidores gringos para nossos projetos. Temos excelentes profissionais, produtos e ideias, vamos mostrar isso para o mundo e descobrir se esse samba dá rock! Se chegou até esta parte do texto, com certeza você faz parte dessa turma que faz a diferença.

Será bonito ver brasileiros pensando fora da caixa, indo para as portas dos estádios e hotéis para fazer pesquisas e validar projetos. Não perca tempo desenvolvendo mais um app de tabela de jogos ou guia turístico para gringos, ou perca, mas que seja algo que realmente resolva um problema observado e que a ideia tenha sido validada previamente por meio de pesquisas ou protótipos.

Começar olhando para dentro e em seguida para o lado, juntos podemos ser e fazer diferente. Apoiar esta mudança é algo que tenho feito dentro da série Appreendedor e hoje trabalho rompendo barreiras para que em breve você, empreendedor inovador, possa ter mais um apoio nos seus projetos.

Vamos lá Brasil, essa Copa é nossa!

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