Appreendedor: growth hacking? Nunca vi, nem comi…

Ideias em uma startup

Há um mês escrevi um artigo conscientizando as pessoas, em especial empresas e desenvolvedores, quanto a assuntos relacionados a segurança digital — como forma de exemplo, apresentei algumas das vulnerabilidades que identifiquei no sistema de compartilhamento de bicicletas “laranjinhas”.

No artigo em questão, utilizei técnicas de growth hacking para replicar a mensagem sobre segurança, uma forma e meio de alerta para os mais de um milhão e duzentos usuários cadastrados no sistema que poderiam ter tido seus dados expostos na web. O assunto deu o que falar — pena que a empresa responsável não soube absorver de forma positiva, mesmo sendo contatada dez dias antes de o artigo e o vídeo serem publicados.

Hoje, convidei o meu amigo Artur Sousa — profissional com foco em marketing que absorveu uma palavra do mundo da segurança da informação — para falar mais sobre growth hacking.


por Artur Sousa

Em minhas aventuras com o Appreendedor pelo mundo, especialmente Europa, Brasil e Estados Unidos, eu venho vivenciado a explosão das práticas de growth hacking na comunidade de empreendedores por aí. O fato é que o termo, e sua cientificação, é muito novo. Citado pela primeira vez em 2010 por Sean Ellis, marqueteiro renomado no mundo das startups, o termo foi definido como “o ato de crescer o alcance de um produto ou serviço como meta e através da análise das métricas geradas pela viralização de conteúdo”. Say whaaat?

Ideias em uma startup

Grupo planejando ideias para uma startup, via Shutterstock.

Vamos lá: a questão por trás de um growth hacker (a pessoa responsável, ou que tem as habilidades, por focar no crescimento de uma startup) é o fato de que uma startup, como várias vezes apontado pelo Renato Ribeiro em seus artigos, é fruto da combinação entre ideia e paixão. Alguém tem uma ideia e uma vontade louca de fazer aquilo acontecer, convida outras pessoas e monta uma empresa. Essa nova empresa, e por isso startup, não tem — quase em 100% das vezes — investimentos ainda, não tem dinheiro em caixa. Nesse contexto não dá para custear uma empresa de marketing ou um time de relações públicas para poder comunicar e atingir o público que você quer para sua empresa. Por isso esses fundadores precisavam, e ainda precisam, lançar mão de muita criatividade para crescer a sua base de dados.

Esses caras, supercriativos, focados em contagiar pessoas acerca do produto/serviço desenvolvido, ficaram conhecidos, portanto, como growth hackers — hackers de crescimento, expansão. Basicamente a metodologia é você utilizar redes sociais, serviços gratuitos (ou de baixo custo) para fazer milhões de pessoas conhecerem a sua startup, a sua ideia. O processo é exaustivo e, apesar de divertido, ocupa muito tempo. Ele, contudo, tem um princípio muito importante. Você não explora esses meios de comunicação para satisfazer o seu próprio desejo. A técnica funciona muito melhor, com altas taxas de sucesso, quando você complementa o serviço desse “parceiro” de alguma maneira.

Quer um exemplo? Instagram. Sim, umas das mais famosas redes sociais do momento. Quando o Instagram começou, a sua base de clientes era o Facebook. Você logava com o Facebook, utilizava em sua timeline. Eles não estavam competindo com o Facebook, de forma nenhuma. Estavam complementando o serviço com um aplicativo onde as fotos eram o centro das interações entre os membros. Utilizando o Facebook como base eles tinham acesso aos seus amigos, que se cadastravam e davam acesso a mais amigos, e daí por diante. Eles cresceram, foram vendidos por US$1 bilhão e alcançaram a solidez de serem uma referência no compartilhamento de fotos e os filtrozinhos bacanas.

Quer outro exemplo? WhatsApp. No caso deste aplicativo o que eles utilizavam como instrumento para alcançar outros clientes era a sua agenda telefônica. Através daquele “x” que você marcou dizendo que concorda em dar acesso à sua lista telefônica eles tinham acessos aos seus amigos, aos amigos deles e por aí vai. Vendido por US$19 bilhões.

Num mundo onde empresas surgem em segundos e minutos, captar uma base de dados sólida é crucial. E como a técnica funciona na prática? Você mesmo pode testar, é o seguinte:

Usando o Facebook como exemplo, você pode fazer um post sobre algo que você queira divulgar. Vamos usar o Fellowship Appreendedor 2014 como exemplo.

  1. Você cria um post e utiliza hashtags que sejam relacionadas ao seu assunto. No Appreendedor, podemos utilizar #entrepreneurship, #siliconvalley, #socialimpact, entre outras. Isso vai facilitar para que outros vejam o que você está publicando. Para dar uma olhada nas hashtags em alta no momento, e poder alcançar mais pessoas, você pode consultar o site Hashtags.org e identificar as tendências atuais.
  2. Naquele post que você criou, provavelmente recomendou um link. Utilize o serviço Bitly para poder monitorar o que está acontecendo com o seu link. Acessando o seu link posteriormente, você pode identificar qual a rede social gerando mais impacto e de onde os acessos estão vindo.
  3. Fique atento às métricas oferecidas pelo Facebook, elas lhe fornecem um bom parâmetro para o desenvolvimento desse exercício.

Estatísticas de um Bitlink

Clique/toque para ampliar.

Feito, e agora?

Bom, agora você vai criar outros posts com o mesmo conteúdo em diferentes formas. Troque a imagem, troque a maneira de dizer. Para cada novo post você vai fazer um novo link, para avaliar os acessos. Desta maneira, você pode avaliar como cada mudança impactou cada um dos posts; mudou a cor e mais gente está acessando? Sinal de que você precisa manter a cor, por exemplo.

Assim, você vai descobrir a melhor maneira de se comunicar com o seu grupo. Ofereça algo complementar. Tem um novo software de gerenciamento de projetos que está dando o que falar no Facebook. Isso porque você entra na fila para ser um dos primeiros para testar e a cada amigo que convida o qual entra no serviço, você avança na fila. O aplicativo parece ser muito bom, não “rouba” clientes do Facebook e já tem uma base de clientes, em espera por eles, de mais de 250.000 pessoas.

O exemplo acima tem o propósito apenas de esclarecer uma maneira de exercitar a técnica. Há muitas outras formas e, hoje em dia, growth hackers são extremamente bem pagos para criar essa base de clientes. É claro que não para por aí: é preciso saber manter os clientes, engajar, etc. Mas é um excelente começo.

Estamos quebrando paradigmas como empreendedores (mudando a forma de fazer as coisas) e o growth hacking está aí para mostrar que o jeito de fazer negócio, sem nenhuma dúvida, não é mais o mesmo!

Lhe desafio a tentar compartilhar conteúdos de qualidade, ou engraçados, talvez por uma causa social. Você pode me taggear no Twitter [@arturcsousa] e me junto a vocês nos retweets. Adoraria fazer um bom barulho com os leitores do MacMagazine!

#vamoslá

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