iOS ocupa “apenas” a terceira posição de vendas no Brasil, atrás de Windows Phone e Android

Não há muito o que discutir sobre a estratégia da Apple lá fora. Nos Estados Unidos e na Europa, mesmo não sendo um smartphone barato, o iPhone acaba ficando acessível graças aos contratos de um/dois anos que consumidores podem fazer com operadoras. Pagar entre US$200 e US$400 num iPhone 6, por exemplo, é algo completamente viável/aceitável para boa parte do povo americano.

A realidade no Brasil, por outro lado, é bem diferente. Mesmo atrelado a planos de operadoras, a coisa aqui sai muito mais cara do que a maioria pode pagar. Além disso, no Brasil o limite de fidelização de cliente é de apenas 12 meses. Independentemente de isso ser ou não melhor para o cliente, é fato que esse período de um ano não ajuda na diluição do preço do aparelho — nos EUA, por exemplo, os contratos são de 24 meses.

Selfie

Selfie, via Shutterstock.

Mas por que estou falando isso? Pois preço é um fator determinante para entendermos uma nova pesquisa da IDC totalmente focada no Brasil, compartilhada pelo Convergência Digital. Enquanto em muitos países o iOS ocupa a segunda posição — atrás apenas do Android — com folga, por aqui o sistema operacional móvel da Apple disputa essa posição ferrenhamente com o Windows Phone.

De acordo com a IDC, no terceiro trimestre de 2014 foram vendidos 15,1 milhões de smartphones (um crescimento de 11% se comparado ao segundo trimestre e de 49% com o mesmo período do ano passado) — e tudo indica que no quarto trimestre os números serão ainda maiores. Desses, 91% foram aparelhos com Android! Disputando os 9% restantes, temos o Windows Phone em segundo e o iOS em terceiro.

No quesito tela, os aparelhos com displays maiores do que 4 polegadas agora representam mais de 63%. Em 2011 eles eram minoria, com uma fatia de 7%.

Vale notar que a IDC não informa os números de vendas do Windows Phone e do iOS devido a acordos de confidencialidade com as fabricantes, conforme bem ressaltou o Gizmodo Brasil. Isso porque o iOS só é comercializado em aparelhos da Apple, enquanto o Windows Phone é amplamente dominado pela Microsoft. Cravar a porcentagem de vendas de um iOS é entregar o número de iPhones vendidos no país, algo que pode atrapalhar a estratégia da Apple.

Além disso, a IDC não calcula a base de usuários — apenas as vendas no trimestre. Isso quer dizer que o Windows Phone não é necessariamente a segunda plataforma mais usada do Brasil, e sim que ela foi a segunda plataforma mais vendida no terceiro trimestre de 2014, ainda que tudo indique que o sistema da Microsoft é mesmo o segundo mais usado (se não for ainda, em breve será).

Outubro de 2014 foi o mês com o maior número de vendas de smartphones da história. Foram mais de 7 milhões de aparelhos vendidos e, a título de comparação, apenas 2 milhões a menos do que foi vendido em todo o ano de 2011. É impressionante.

Leonardo Munin, IDC Brasil.

Telefones

Telefones, via Shutterstock.

Para Munin, alguns fatores contribuíram para a popularização dos aparelhos. Entre eles, a oferta de dispositivos cada vez mais baratos. Ele disse que, no começo de 2011, o ticket médio dos aparelhos estava em R$900. No segundo trimestre deste ano o valor caiu para R$700 e, entre julho e setembro, para R$590. Esses chamados “aparelhos intermediários” (de R$450 a R$900) ultrapassaram os de entrada (até R$400) em vendas, já representando metade do mercado brasileiro.

Como apontou Munin, por um lado isso é ótimo para o mercado já que consumidores estão entendendo melhor a questão do custo/benefício e concluindo que o preço mais alto significa um aparelho também com mais qualidade e recursos. Por outro, vemos cada vez mais que a Apple não quer brigar nesse terreno (preço), afinal o modelo de entrada do iPhone por aqui custa R$1.100 (iPhone 4s de 8GB; um aparelho lançado em 2011). Mesmo o iPhone mais barato não se enquadra nos valores entendidos como intermediários.

Além disso, enquanto o ticket médio dos aparelhos cai, os preços dos iPhones no Brasil só aumentam. E com dispositivos intermediários cada vez mais bacanas e completos sendo vendidos por “preços competitivos” (olha o Moto G aí por R$800 e o Moto X por R$1.500, por exemplo), fica cada vez mais complicado justificar gastar R$3.200 num iPhone 6…

Vamos torcer para que a Apple desenvolva uma estratégia mais de acordo com a realidade de países como o Brasil. Dificilmente veremos ela brigando com afinco por preços, mas limar seus produtos a um nicho relativamente pequeno (iProducts estão cada vez mais se tornando “artigos de luxo” por aqui) também não é nada legal para a disseminação do ecossistema da empresa.

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