Em entrevista, CEO da Disney fala sobre a relação de parceria com Steve Jobs

Bob Iger na capa da FORTUNE

Bob Iger, CEO da Disney, foi entrevistado pela FORTUNE. O foco da matéria é o império de tecnologia da gigante de entretenimento, que vem absorvendo empresas e franquias (Pixar, Marvel, Star Wars, etc) numa velocidade avassaladora, integrando todo esse conteúdo ao mundo mágico do Mickey.

Bob Iger na capa da FORTUNE

Steve Jobs, é claro, não poderia ficar de fora de uma entrevistas dessas, afinal o ex-CEO da Apple se tornou o maior acionista individual da Disney quando ela adquiriu a Pixar, em 2006, por US$7,4 bilhões — atualmente a família de Jobs detém as cerca de 137 milhões de ações da companhia.

Abaixo você confere alguns trechos retirados da entrevista:

Relação das empresas após desentendimentos em acordos de distribuição dos filmes da Pixar

Uma coisa, no entanto, parecia claro: a relação entre as duas empresas [Disney e Apple] tomou um rumo diferente em 2005, quando as rédeas foram entregues a Iger. Mesmo antes de a notícia se tornar pública, ele ligou para Jobs informando que grandes mudanças estavam a caminho. “Eu disse a ele que eu estava bem ciente de quão tensa a relação [entre as empresas] se tornou”, disse Iger. Eu disse, “eu sei que você acha que será negócios como de costume, mas eu gostaria de provar a você que não será.”

Jobs deu a Iger o benefício da dúvida e lhe disse para aparecer assim que a poeira baixasse. E foi isso que Iger fez, não só porque ele sabia que a Pixar era a chave para a revitalização dos estúdio de animação sem vida da Disney, mas também porque ele viu o CEO da Apple como um valioso parceiro de tecnologia. O sentimento, aparentemente, era recíproco.

“Steve reconheceu que, em Bob, ele realmente tinha um parceiro”, disse Catmull [atualmente chefão dos estúdios de animação da Pixar e da Disney]. “Nos anos seguintes eles se tratavam como verdadeiros parceiros. Isso é o que ele [Jobs] queria, mas não foi o que ele teve anteriormente.”

Iger logo teve a oportunidade de provar a Jobs quão comprometido estava à aliança Disney/Apple. Depois de apenas alguns dias no comando, Iger voou até a sede da Apple em Cupertino e eles elaboraram pessoalmente um acordo para colocar o conteúdo da Disney na então nascente plataforma iTunes.

Respeito e confiança

No início de 2006, a Disney anunciou que estava comprando a Pixar por US$7,4 bilhões. Como parte do acordo, Catmull e Lasseter assumiram toda a divisão de animação da Disney. Jobs, o acionista majoritário da Pixar, se tornou o maior acionista da Disney (um status que sua viúva, Laurene Powell Jobs, ainda detém). Antes de morrer, em 2011, Jobs pediu para Iger substituí-lo no conselho de administração da Apple assim que ele falecesse — posição que o CEO da Disney mantém até hoje.

“De vez em quando nós ficávamos na frente de um quadro branco e falávamos sobre ideias”, disse Iger. “Nós ficávamos refletindo sobre negócios. Quando você pensa sobre isso, a mídia como intersecção de conteúdo e tecnologia — é tudo sobre como contar histórias, como a fotografia e a câmera. Então, a gente conversava muito sobre isso, a interseção entre a história e o gadget.”

Parceria de sucesso

A parceria entre Disney e Apple se aprofundou ao longo dos anos, mesmo após a morte de Jobs. A Disney foi uma das primeiras empresas de mídia a desenvolver aplicativos para iPhones e iPads. O Apple Pay, novo sistema mobile de pagamento da fabricante de dispositivos, recentemente foi lançado nas lojas da Disney, e um relógio inteligente da Apple com a marca do Mickey Mouse tem previsão de lançamento no início deste ano.

“Ele tem a coragem de se deixar levar”, disse o atual CEO da Apple, Tim Cook, sobre Iger. “Ele entende a tradição da Disney, mas não é apegada a ela.”

Bob Iger na FORTUNE

Num mercado tão competitivo e pouco amigável, é bacana ver histórias de parcerias como essas que rendem frutos e se estendem por diferentes administrações.

[via MacRumors]

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