Review: iPad Air 2, o melhor já feito — mas ainda longe da perfeição

Review do iPad Air 2

Fino. Muito fino. A primeira percepção que temos ao usar o iPad Air 2 pela primeira vez é o quão fino ele é. Alguns podem discordar, mas essa espessura é muito confortável para um tablet. Todavia, ser extremamente fino é só uma das muitas características do upgrade do novo iPad.

Review do iPad Air 2

Design

Apesar de parecer ser algo recente, o design do iPad Air 2 já é utilizado pela Apple desde 2012, no iPod touch de quinta geração; inclusive, a espessura desse quase esquecido membro da família iOS é exatamente a mesma da nova geração de seu irmão [bem] maior: 6,1 milímetros, perdendo apenas para o iPod nano, com incríveis 5,4 milímetros.

E aí está a primeira polêmica desse lançamento: por que cada vez mais a Apple foca na espessura e não preza, por exemplo, por uma bateria maior? Muito simples: por mais louco que possa parecer, ser cada vez mais fino tem um potencial muito maior de chamar atenção do que uma especificação técnica — ao menos para a maioria dos usuários comuns[1].

Prova dessa paixão por produtos cada vez mais finos da Apple são as suas próprias apresentações: a cada alteração de design, a espessura é valorizada mais e mais intensamente do que qualquer outro ponto. Mas, como disse, não foi só isso que mudou na segunda geração do iPad Air.

Review do iPad Air 2

O desenho dos botões de volume foi aprimorado, ficando igual aos dos iPhones 6 e 6 Plus; assim como o furos do alto-falante, que ficaram maiores e em fileira única. Rapidamente é possível notar que o novo iPad perdeu a chave/botão de bloquear rotação/mudo — particularmente, isso não me fez a menor falta. Além disso, o tablet ganhou um segundo microfone e, apesar de ainda ficar atrás do iPhone (que conta com três), já apresenta um desempenho consideravelmente superior em relação às suas gerações passadas quando o assunto é gravação de áudio.

De uma forma geral o iPad Air original era, na minha opinião, o produto mais bonito já feito pela Apple — que condensa o design abaloado e as bordas sensíveis/chanfradas. O iPad Air 2 foi apenas a evolução natural do design de seu antecessor, o tornando ainda mais atraente, chamativo e bonito; além de estar cada vez mais confortável de se usar.

A nova tela Retina

Se há algo confuso hoje na Apple é a nomenclatura da empresa para suas telas. Temos a tela convencional, a tela HD, a tela Retina, a Retina HD e a Retina 5K; agora, com o iPad Air 2, temos também a “tela Retina aprimorada”. A novidade principal é sua nova camada antirreflexo, que como o próprio nome indica, reduz até 56% dos reflexos em relação à geração anterior.

Review do iPad Air 2

Além disso, a retirada da camada de ar entre os pixels e o vidro externo traz uma agradável sensação de que o toque é ainda mais próximo de cada imagem.

Apesar de ser nítida uma melhora na qualidade do display, a resolução foi mantida em 2048×1536 pixels, totalizando mais de 3 milhões de pixels. A Apple considera a resolução do iPhone 6 “Retina HD” por ser acima de 720p (alta definição); Por isso, o iPad Air deveria ser considerado “Retina HD”, também — ou quem sabe eles pretendem lançar um upgrade realmente relevante para a terceira geração do Air. Vale lembrar que foi na terceira geração da linha original que o iPad ganhou a desejada tela Retina.

Processador e RAM

Rápido, muito rápido. Meu primeiro iPad foi o de terceira geração e, como disse acima, o primeiro com tela Retina. Na minha opinião, foi um grande erro da Apple — ficou claro que ainda não era o momento de dar esse passo já que o processamento do tablet deixava muito a desejar (não foi à toa que rapidamente a Apple lançou a quarta geração do iPad). Quando a peguei, tive a sensação de que finalmente a empresa tinha equilibrado as coisas da maneira que deveria e me surpreendi quando, um ano depois, esse poder de processamento foi novamente dobrado com a chegada do iPad Air.

Mas nada, nada pode ser comparado ao iPad Air 2. É nítida a diferença de processamento dele para os iPhones mais recentes, por exemplo (os únicos que também contam com um chip A8, porém uma versão menos potente dele, já que o iPad Air 2 possui o chip A8X). Ele é realmente muito rápido! E não é apenas uma questão de não travar, não ter delays… nos primeiros momentos com o novo iPad nas mãos chegamos a ter uma impressão de que tudo nele acontece numa velocidade mais rápida, de que as animações são aceleradas, etc. Isso porque não temos nenhum momento de espera para que algo aconteça nele.

A8X

Essa agilidade fica ainda mais evidente nos aplicativos que requerem um alto processamento tanto da CPU (central processing unit, ou unidade central de processamento) quanto da GPU (graphics processing unit, ou unidade de processamento gráfico), como em jogos mais pesados (Vainglory) ou em editores de imagens (Pixelmator). A edição de imagens com diversos recursos sensacionais é feita sem nenhum “engasgo” ou lentidão e o trabalho é bem suave/divertido.

Ao ler tudo isso você imagina: mas e a bateria? Mesmo a Apple prometendo o mesmo tempo de uso da geração anterior — ainda que a bateria em si tenha diminuído fisicamente por conta da espessura reduzida —, a duração é surpreendente. No uso normal (emails, Safari, Twitter, etc.) o iPad chega a aguentar 12 horas tranquilamente, enquanto num uso mais brusco (jogos, editores, etc.), a bateria supera brevemente as 10 horas prometidas. Definitivamente, o A8X é o melhor chip já feito pela Apple!

Gráfico do iPad Air 2

Mas esse não foi o único ganho técnico: a Apple dobrou a RAM do aparelho, passando agora para 2GB. Eu particularmente sempre fui o tipo de pessoa que não exigia “grandes especificações” desde que tudo funcionasse. Afinal, pouco importa para mim se eu tenho um processador octa-core e 4GB de RAM sem ao menos saber o que isso significa/impacta de fato no produto. Porém, tenho que concordar que esse upgrade deixou tudo mais suave. Deixar uma página do Safari aberta, por exemplo, pular para outro aplicativo e, ao retornar ao navegador, não ter que esperar a página ser recarregada novamente é muito bacana.

Mas não acredito que isso tenha sido o foco da Apple para a implementação desses 2GB de RAM. Na minha opinião, esse upgrade está ligado ao recurso de “tela dividida”, o qual está em desenvolvimento interno há bastante tempo e infelizmente não deve ter ficado pronto a tempo de ser lançado no iOS 8.

Câmeras

Muitas pessoas acham ridículo tirar fotos com um iPad (incluindo o Rafael Fischmann e o Eduardo Marques, editores do MacMagazine). Eu também achava. Isso mesmo, achava. Porém minha concepção mudou, especialmente após ver a explicação de Phil Schiller sobre o porquê dos avanços na câmera de um tablet: é incrível fotografar e filmar olhando tudo através de uma tela de 9,7 polegadas com 3 milhões de pixels.

Mesmo sendo bacana tirar fotos com o iPad, não é necessário a mesma atenção que é dada ao iPhone (o uso da câmera é massivamente maior no smartphone). Por isso, a câmera do tablet foi atualizada, mas não equiparada à dos iPhones 6 e 6 Plus.

Review do iPad Air 2

Foto tirada com o iPad Air 2 à esquerda; com um iPhone 6, à direita.

Numa comparação entre fotos tiradas com o novo iPad Air e o iPhone 6, é quase imperceptível a diferença visto que em ambas a qualidade sob alta luminosidade é muito satisfatória. No entanto, a falta do flash True-Tone (presente no smartphone) deixa as fotos com baixa luminosidade com qualidade bem insatisfatória.

Acho que chegamos a um bom patamar de câmera para o iPad, mas os avanços trazidos pelo iPhone 6 Plus para vídeos seriam bem-vindos ao tablet. Quanto à câmera frontal, apesar de ter sido atualizada, as mudanças foram imperceptíveis para mim.

Touch ID

De longe, este é o melhor recurso do iPad Air 2. No ano passado, ao adquirir um iPhone 5s, eu já achava sensor de impressões digitais incrível e senti muito a sua falta no iPad — não à toa que Phil Schiller (chefão de marketing da Apple) afirmou durante a apresentação do produto que esse foi, de longe, o recurso mais clamado por clientes.

Review do iPad Air 2

Como a API (application programming interface, ou interface de programação de aplicações) do Touch ID foi aberta no iOS 8 para que desenvolvedores possam incorporar o recurso em seus próprios apps, acredito muito na expansão dele — com o tempo, ele tem tudo para se tornar um recurso indispensável.

Para completar, um palpite: uma das novidades do OS X 10.11 será a adição do Touch ID para o Continuidade, liberando o uso no Mac pelo iPhone — e agora iPad — com o leitor de digital. Ou seja, você desbloqueia o seu iPhone/iPad e o seu Mac também é automaticamente desbloqueado (desde que esteja numa mesma rede Wi-Fi e conectado ao aparelho via Bluetooth, uma exigência do recurso Continuidade). Seria sensacional, não?

Considerações finais

Ele é o melhor iPad já feito. É difícil de acreditar que temos uma tela sensível ao toque dentro de um dispositivo tão fino e leve, que dirá um tablet com um nível de processamento praticamente equivalente ao de um computador! Ele também é o iPad mais bonito, mais portátil e com a melhor bateria já feito. Todavia, ainda deixa a desejar em algumas coisas que não mudam desde o primeiro iPad: o que fazer para que o tablet não seja apenas iPhone/iPod touch com tela ampliada? Alguns desenvolvedores tentam aproveitar ao máximo os benefícios de uma tela tão grandiosa, mas a própria Apple não investe muito nisso.

Aplicativos como Música, Calendário, Câmera, entre outros não passam de uma versão ampliada dos mesmos apps no iPhone. Com certeza esse não era o objetivo da empresa ao apresentar o aparelho em 2010. Acredito que um dos grandes focos do iOS 9 seja justamente uma remodelagem dos aplicativos e dos seus recursos no iPad, aproveitando de verdade todo o espaço — ainda mais com uma suposta tela ainda maior (de 12 polegadas) chegando por aí.

Gosto muito da definição que o The Verge dá ao iPad. Em tradução livre: “O iPad é uma revolução sem resposta.” Quando lhe perguntam “o que o iPad faz”, não existe uma resposta sequer que possa ser mencionada que não haja no iPhone, e para mim esse é o primeiro ponto a ser explorado. É por isso que eu digo que o iPad é o “filho-problema” da Apple. Não é fácil enaltecer os diferenciais desse produto, o porquê de ele ser indispensável, e o pior, em termos econômicos: como fazer os atuais consumidores trocarem seus iPads. Espero que 2015 traga as respostas para essas perguntas.

No mais, aguardo a próxima geração e os avanços na gravação de vídeos, tela de maior resolução (não sei vocês, mas eu continuo vendo pixels na tela dele), um display curvo nas bordas (como no iPhone 6/6 Plus), botão de desligar na lateral (também como no iPhone 6/6 Plus) e uma bateria ainda melhor (se com o A8X está assim, mal posso imaginar o que um ano de avanços no A9X — mantendo a mesma dimensão já que diminuir mais do que isso seria loucura — pode gerar.

Veredito

Review do iPad Air 2

O melhor tablet disponível, ainda que seja uma versão aprimorada do que já conhecemos.


  1. Obviamente não me refiro aos leitores do MacMagazine, visto que vocês são usuários mais criteriosos por acompanharem o mundo tecnológico. ↩

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