Samsung lança Galaxy S6, Galaxy S6 edge, Samsung Pay e mostra que ainda não tirou a Apple da cabeça

Ontem (1º de março), a Samsung realizou um evento em Barcelona (um dia antes do início do Mobile World Congress) para apresentar seus novos aparelhos da linha Galaxy. Por ser uma das principais rivais da Apple no mercado móvel, eu assisti à transmissão online do evento e queria compartilhar com vocês algumas coisas sobre ele.

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A apresentação

O evento durou menos de uma hora e foi bastante objetivo. Se não me engano, cinco executivos da empresa (incluindo o CEO) subiram ao palco para falar sobre as novidades relacionadas ao Galaxy S6, ao Galaxy S6 edge, ao Samsung Pay (é isso mesmo que você leu) e ao VR Gear.

A verdade é que a Samsung não consegue tirar a Apple da cabeça. Digo isso pois, além de comparar alguns recursos dos Galaxies S6 com os dos iPhones 6 (algo justo, já que os iPhones são os aparelhos a serem batidos no mercado), os executivos da sul-coreana sempre davam um jeito de espetar a Apple.

Com exceção do inglês difícil de ser entendido (também justificável, já que a maioria dos executivos da empresa é coreana) e de um ou outro momento de comportamento exaltado/forçado, tudo ocorreu muito bem.

Os novos aparelhos

Aqui começa a polêmica. Olhando rápida e friamente, a Samsung de fato conseguiu apresentar uma linha que une beleza e potência (uma dupla de palavras muito utilizada na apresentação).

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Feitos de metal e vidro, os novos smartphones ficaram realmente bonitos/elegantes e contam com as melhores especificações do mercado como tela de 5,1 polegadas Super AMOLED com 2560×1440 pixels (557ppp), processador de oito núcleos (64 bits utilizando um processo de fabricação de 14 nanômetros), 3GB de RAM, câmera frontal com 5MP e traseira de 16MP (ambas com abertura f/1.9) e hardware capaz de tirar boas fotos em ambientes com baixa luminosidade, sensor de impressão digital melhorado (assim como o Touch ID, não é mais preciso deslizar o dedo para que o reconhecimento seja feito) e muitas outras coisas interessantes.

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Enquanto o S6 conta com uma tela normal, o S6 edge tem uma tela curva (a primeira do mercado) que traz atalhos para facilitar a vida dos usuários (com essa tela podemos, por exemplo, saber quem está ligando mesmo com o aparelho virado para baixo numa mesa graças à indicação colorida da borda — cada cor é atrelada a um diferente contato).

A empresa usou a frase “design com propósito” para justificar muitas das decisões tomadas. Ficou claro em diversos momentos que as alfinetadas eram para a Apple. Em alguns a coisa era explícita, quando por exemplo uma executiva da empresa afirmou com propriedade que os aparelhos são altamente resistentes e não entortam (referência ao #bendgate) ou quando um outro executivo comparou algumas fotos/vídeos tirados com o S6 e com o iPhone 6 Plus.

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Eu penso que design por si só já é algo pensado com propósito e que a Samsung foi infeliz em criar esse conceito. O primeiro aparelho deles “criado com propósito” acabou deixando de fora diversos diferencias que eles tinham, como entrada para cartão microSD, bateria removível e capacidade à prova d’água — sem dúvida nenhuma recursos que diferenciavam a linha Galaxy dos iPhones — e que ela inclusive chegou a explorar em propagandas.

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No quesito bateria a empresa afirmou que, apesar de ainda não ter desenvolvido a bateria dos sonhos (com duração infinita), trouxe ao mercado uma que com apenas 10 minutos de recarga é capaz de durar até 4 horas — eles afirmaram ainda que um S6/S6 edge recarrega a bateria completamente na metade do tempo de um iPhone 6 Plus — e que, por isso, decidiram trocar a removível por uma fixa. Vale notar que a Samsung já cutucou muito a Apple por conta de a empresa colocar uma bateria fixa em seus aparelhos. Para completar o pacote, os S6 contam com a possibilidade de carregamento sem fio compatível com os dois padrões disponíveis no mercado.

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Sem dúvida nenhuma são avanços significativos e que merecem ser aplaudidos, mas se engana quem acha que a empresa “justificou” a retirada dos outros recursos para este novo “design com propósito”. Por que abandonar a expansão da capacidade de armazenamento via microSD? E a tão elogiada capacidade de ser à prova d’água?

No quesito software, a Samsung simplesmente se livrou de 40% dos recursos que existiam no S5 para que tudo ficasse mais simples, fácil e direto no S6 — provando que existia muito lixo inútil que a empresa empurrava goela abaixo dos seus clientes.

Como disse, tudo ficou muito bonito. Mas também é difícil olhar para esses aparelhos e não ver semelhanças com iPhones. Veja as imagens abaixo:

iPhone 6 vs. Galaxy S6

iPhone 6 vs. Galaxy S6

iPhone 6 vs. Galaxy S6

Crédito das imagens: TechRadar (dica do Marcelo Mello).

Entrada de fones de ouvido na parte inferior, alto-falante na parte inferior direita, design das antenas bastante similar… até mesmo uma câmera protuberante! Como bem falou o The Verge, dá impressão de que os S6 são filhos de um iPhone 4 com um iPhone 6.

Samsung Pay

Aqui a coisa degringolou de vez. Sim, é verdade que o sistema de pagamento móvel da Samsung conta com um diferencial interessante — além de utilizar a tecnologia NFC (near field communication, ou comunicação por campo de proximidade), a Samsung implementou também a MST (magnetic secure transmission, ou transação magnética segura), garantindo compatibilidade com aquelas máquinas mais antigas que passam cartões magnéticos (sem chip), ampliando bastante o alcance do sistema de pagamentos —, mas não tem como olhar para como tudo funciona e não dizer que estamos diante de uma cópia do Apple Pay.

Assim como o Apple Pay, o sistema usa a “tokenização” como segurança para que as informações do cartão de crédito não sejam armazenadas nem no aparelho nem pelo comerciante; o Samsung Pay também é protegido pela impressão digital do usuário e o processo para efetuar uma compra é praticamente o mesmo do Apple Pay (enquanto no sistema da Apple a pessoa escolhe o cartão que deseja pagar, aproxima o telefone da máquina e autoriza o débito com a impressão digital, no da Samsung a pessoa escolhe o cartão, autoriza o débito com a impressão digital e aproxima o telefone da máquina).

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Definitivamente a Samsung está mais focada em design do que antes. Por outro lado, o caminho escolhido por ela foi o mais próximo possível da Apple — eu me pergunto se essa atitude não é até mesmo proposital, visto que a briga entre as duas acabou fazendo bem à Samsung (que, ao menos nos olhos do público, tinha produtos os quais incomodavam a Maçã ao ponto de ela entrar na justiça).

Os novos aparelhos chegarão ao mercado no dia 10 de abril. De acordo com o Gizmodo Brasil, nosso país os receberão um pouco depois, mas ainda em abril. O S6 custará por volta de R$3.000, enquanto o S6 edge será um pouco mais caro. Já o Samsung Pay começará a funcionar nos EUA em algum momento do segundo semestre.

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