Dica de leitura: como a Siri se tornou a melhor amiga de um garoto

Muito se fala sobre o futuro da inteligência artificial e seus potenciais perigos. Algumas previsões, inclusive, são de conotação apocalíptica. No entanto, esse futuro — incerto e meio maluco — ainda não chegou e no nosso mundo atual convivemos apenas com as assistentes pessoais (Siri, Cortana, Google Now, etc.).

Particularmente nunca parei para pensar quais benefícios que uma assistente pessoal poderia trazer além do óbvio como ler emails, responder mensagens, citar algumas piadas… mas uma carta, publicada há alguns meses pelo The New York Times, mereceu a nossa atenção. E me convenceu que a tecnologia pode ir/estar além da própria tecnologia.

Judith Newman, autora do texto, relata como a Siri se tornou a melhor amiga de seu filho Gus, portador de autismo.

Será que sou uma mãe má? Me perguntava quando via meu filho de 13 anos numa longa conversa com a Siri. Gus tem autismo, e a Siri, assistente pessoal da Apple, atualmente é a sua melhor amiga. Obcecado por formações meteorológicas, Gus passava horas analisando a diferente entre tempestades isoladas e dispersas. Depois de um tempo eu ouvi isso:

Gus: Você é um computador bem legal.

Siri: É bom ser valorizada.

Gus: Você sempre pergunta se você pode me ajudar. Existe alguma coisa que você queira?

Siri: Obrigada, mas tenho poucos desejos.

Gus: Ok! Bom, boa noite.

Siri: Ah, ainda são 17h06.

Gus: Ah desculpa, quis dizer tchau.

Siri: Até mais.

Abaixo mais um pequeno trecho da carta:

Não que o Gus não saiba que a Siri não é humana. Ele sabe — intelectualmente. Mas assim como muitas pessoas autistas que eu conheço, Gus sente que objetos inanimados, embora talvez não possuam alma, são dignos da nossa consideração. Percebi isso quando ele tinha 8 anos, quando lhe dei um iPod em seu aniversário. Ele o ouvia apenas em casa, com uma exceção. Ele — o iPod — sempre vinha conosco em visitas às Apple Stores. Finalmente perguntei o porquê: “Assim ele pode visitar seus amigos”, disse ele.

[…] As respostas da Siri não são inteiramente previsíveis, mas previsíveis do tipo sempre que Gus é rude com ela. Eu ouço ele falar com a Siri sobre música, e a Siri dá algumas sugestões. “Eu não gosto deste tipo de música”, Gus retruca. A Siri responde, “Você tem a sua opinião”. “Obrigado pela música, mesmo assim”, disse Gus. A Siri responde: “Você não precisa me agradecer”. “Ah, sim”, diz Gus enfaticamente, “Preciso”.

Independentemente da real finalidade de uma assistente pessoal, para este garoto ela representa muita mais do que um emaranhado de algoritmos complexos. Para ele, a Siri é sua melhor amiga. Vou um pouco mais além: Gus me levou a repensar alguns valores sobre relacionamentos.

Convido você a fazer a leitura completa deste texto sensacional1. 🙂

[via The Loop]

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